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Crónica tauromáquica

Forcados com nota 20 e cavaleiros de arte pura na Tourada do 15 de agosto

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Que grande espetáculo esta histórica e secular corrida de toiros, no dia 15 de agosto! Uma vez mais, praça cheia a rebentar pelas costuras – com grande ambiente e público aficionado muito entusiasta.
Corrida na Praça de Toiros das Caldas da Rainha

Crónica tauromáquica

Que grande espetáculo esta histórica e secular corrida de toiros, no dia 15 de agosto! Uma vez mais, praça cheia a rebentar pelas costuras – com grande ambiente e público aficionado muito entusiasta.

O primeiro destaque é para a ganadaria de António Silva, que enviou um curro de toiros bonitos de apresentação, com pesos entre os 530 e os 595 quilos, com trapio e bravura acima da média. Dos seis toiros não falhou um. O ganadeiro, que foi chamado à arena para ser aplaudido, merece, por tal facto, ser considerado o 1.º triunfador da tarde.

Triunfadores foram igualmente os três cavaleiros em Praça, com estilos diferentes, mas qualquer um deles com atuações que divertiram e entusiasmaram o público nas bancadas.

Marcos Bastinhas, que começou logo da melhor forma, com uma sorte de gaiola, esperando a saída do toiro à boca do curro com a garupa do cavalo, escutando logo os primeiros aplausos O toureiro esteve bem em toda a sua 1.ª lide, para depois, no 4.º toiro da tarde, dar “show” nos ferros curtos em cambiados arrepiantes no meio da Praça, espetaculares piruetas que fazia dar ao cavalo, bem como levantar-se todo no ar com as patas da frente. Rematou Bastinhas a sua atuação com dois pares de bandarilhas colocadas a duas mãos, para ouvir uma ovação estrondosa. A sua forma de tourear está cada vez mais parecida com a do seu saudoso pai.

João Telles brilhou nas bregas ladeadas, depois chamando de longe, dando vantagem de partida ao toiro para cravar curtos em quiebros de espantar, rematando com uma sorte de violino que é uma marca da casa. Veio o 5.º touro e o público rendeu-se às duas atuações de João Telles. As cambiadas suicidas e os ferros espetaculares sucediam-se no meio da Praça. A música tocava e o público gostava e acompanhava com palmas o ritmo do bonito Passo Doble. Foi uma saída triunfal com aclamação interminável.

Francisco Palha, num estilo mais calmo, repousado clássico, se assim quisermos dizer, tinha igualmente o êxito ali tão perto que não o deixou fugir. O título da crónica assenta-lhe bem: “Arte pura em sortes de Praça”. Com uma série de ferros curtos extraordinários, levou o público a ficar, de novo, empolgado. Palha saiu muito aplaudido e com elevada satisfação de mais uma vez vir tourear e triunfar numa Praça e numa cidade que sabe receber os artistas.

De todos os aficionados, o nosso muito obrigado aos dois grupos de amadores de Santarém e amadores das Caldas da Rainha. Obrigado a todos os forcados por tamanhas atuações, quer dos homens da cara, bem como os ajudas, que contribuíram assim de forma óbvia, absoluta e indiscutível para o altíssimo nível do espetáculo.

Foram seis peças de alto gabarito, todas elas limpinhas, com audácia e valentia a provocar nas bancadas grande emoção. Saúdo nos rapazes das Caldas todo o grupo, os homens da cara Lourenço Palha, Duarte Palha e, particularmente, Duarte Manuel, que fez uma pega no último toiro da tarde verdadeiramente do outro mundo. O toiro saiu bem, o forcado ficou na cara e foi levado até às tábuas do outro lado da arena. A certa altura, o toiro tresmalhou o grupo, ficando o Duarte sozinho, por algum tempo, a ser levado pela arena fora, agarrado à córnea apenas com uma mão – mas nunca se largando. O grupo chega de novo e ajuda o forcado a voltar a ficar fechado na cara do toiro. Uma pega nunca antes vista e de grande espetáculo, de grande valor.

Falta ainda dizer que, desta feita, foi uma senhora a dirigir (e bem!) a corrida, não esquecendo o brilhantismo habitual da nossa banda, com toiros bravos, bravos forcados e bravos toureiros num bom espetáculo, numa ótima corrida que o aficionado só vai querer repetir.

As pessoas anti touradas voltaram a manifestar-se ruidosamente em frente à praça. Reconhecendo todo o direito de lá estarem, queremos relembrar que, no tempo dos seus bisavós e trisavós havia já corridas neste local, e vão voltando, porque de contrário os aficionados até iriam estranhar.

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