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Urgências sobrelotadas no Oeste encaminham doentes para outros hospitais

Francisco Gomes

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Como consequência dos surtos de Covid-19 que atingiram as três unidades do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), em Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, e perante a necessidade de ocupar espaços hospitalares para internamento dos doentes infetados, verifica-se uma situação de sobrelotação, que afeta os serviços de urgência geral, obrigando os hospitais a reencaminharem doentes emergentes.
O hospital das Caldas da Rainha está a reencaminhar doentes emergentes

Os doentes críticos estão transitoriamente a ser reencaminhados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para outras unidades hospitalares, de acordo com a situação clínica.

Trata-se de uma situação que “vai oscilando com períodos de maior ou menor pressão”, explicou à agência Lusa a administradora do CHO, Elsa Baião, clarificando que “as urgências não estão encerradas, mas apenas bloqueadas” para as ambulâncias de emergência, que são desviadas para outras unidades, em Lisboa, Leiria ou Coimbra.

“Todos os doentes que se desloquem diretamente às urgências serão admitidos”, sublinhou a administradora. Quem ali aparecer ou for transportado sem que tenha sido acionado meio de socorro será atendido. Poderá, eventualmente, depois ser reencaminhado.

Esta solução já havia sido praticada anteriormente em casos de sobrelotação da unidade, mesmo antes da pandemia. Há um ano, quando o novo coronavírus ainda não tinha chegado a Portugal, o CHO pediu ao CODU para reencaminhar para outros hospitais doentes críticos que chegassem em ambulância de socorro, por sobrelotação da urgência e do internamento nas Caldas da Rainha.

Na ocasião vivia-se o pico da gripe, com uma afluência fora do normal e o hospital estava sem camas vagas, quer na urgência, quer no internamento, o que levava os médicos a tentar dar alta a doentes com situação clínica mais estável.

O mesmo aconteceu em outubro passado, quando a urgência médico-cirúrgica da unidade das Caldas da Rainha ficou “muito congestionada” e a administração hospitalar, para não encerrá-la, solicitou ao CODU para que não encaminhasse doentes críticos para este serviço, os quais seriam desviados para outras unidades hospitalares de referência, de acordo com a gravidade da situação.

Apesar de ter havido um reforço de camas, o número de utentes é superior, facto que se deve à pandemia da Covid-19.

Nesta altura, estão internados 70 doentes nas enfermarias Covid dos hospitais das Caldas da Rainha e de Torres Vedras, número que, admitiu Elsa Baião, “ultrapassa a capacidade instalada” e reflete “um aumento de cerca de 40% no número de doentes Covid” assistidos desde o final de 2020, sendo também consequência de surtos internos que atingem os três hospitais do CHO.

Surtos com 15 mortos nas Caldas e Peniche e 5 em Torres Vedras

De acordo com a última informação disponibilizada pelo CHO, referente à passada segunda-feira, os surtos no serviço de cirurgia da unidade das Caldas da Rainha e no serviço de medicina interna da unidade de Peniche provocaram 15 mortos, em doentes com idades compreendidas entre os 74 e os 95 anos, que apresentavam pluripatologias, isto é, outros problemas de saúde que terão sido agravados pelo coronavírus.

Estes surtos envolveram 37 doentes e 20 profissionais. 16 doentes tiveram alta para o domicílio e os profissionais de saúde ainda infetados cumprem isolamento em casa.

O surto de Covid-19 identificado no hospital de Torres Vedras, que envolveu a infeção de 57 pessoas, provocou cinco mortos, segundo revelou nesta quarta-feira à agência Lusa fonte oficial da câmara, citando dados da autoridade de saúde.

De acordo com o boletim diário emitido pela autarquia, o número de casos ativos associados a este surto ascende a 50, englobando utentes que foram contagiados quando estiveram internados no hospital por outras doenças, mas que estão a recuperar em casa. Há dois doentes já recuperados.

O CHO informou entretanto que nas instalações hospitalares foram registados dois óbitos e estão infetados 20 doentes. Encontram-se nos respetivos domicílios em recuperação alguns dos 11 profissionais de saúde afetados.

Até agora foram testados 131 funcionários e os 76 doentes dos serviços envolvidos.

“Encontra-se em curso a desinfeção dos serviços”, declarou o conselho de administração do CHO.

No domingo, a administradora Elsa Baião, numa comunicação dirigida à Comissão de Utentes do CHO, reconhecia que “estamos com graves dificuldades no que respeita ao internamento de doentes Covid e não Covid, tendo em conta a sobrelotação dos serviços, em todas as unidades hospitalares que integram o CHO [Torres Vedras, Peniche e Caldas da Rainha]”.

Numa nota à imprensa na segunda-feira, a administração hospitalar referiu apenas que “os doentes estão a ser transferidos para áreas de internamento Covid”.

À agência Lusa, Elsa Baião afirmou que “como temos os serviços e a capacidade de internamento sobrelotados e estamos também a fazer a desinfeção dos espaços por causa do surto, não conseguimos receber doentes que chegam de ambulância de emergência e que são reencaminhados por via do CODU”. Elsa Baião disse que o problema iria ficar resolvido à medida que fossem dadas altas de internamento.

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