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Exposição “Percurso” reúne arte em material reciclado no Painho

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Com base no interesse demonstrado pelo público, foi prolongada, até dia 28 de dezembro, no Painho (Cadaval), a exposição “Percurso”, que reúne dois anos de trabalho artístico do painhense Jaime Rodrigues, criativo da marca “Sr. Serafim”. Desde quadros a acessórios de moda, as criações expostas têm como denominador comum a reutilização de materiais reciclados ou obsoletos.
Prolongada, até dia 28 de dezembro, no Painho a exposição “Percurso

Com base no interesse demonstrado pelo público, foi prolongada, até dia 28 de dezembro, no Painho (Cadaval), a exposição “Percurso”, que reúne dois anos de trabalho artístico do painhense Jaime Rodrigues, criativo da marca “Sr. Serafim”. Desde quadros a acessórios de moda, as criações expostas têm como denominador comum a reutilização de materiais reciclados ou obsoletos.

Foi um acaso que levou o autor ao espaço onde decorre a exposição de arte “Percurso”, local onde o Sr. Serafim (Serafim Rodrigues, seu saudoso pai) teve o primeiro espaço comercial, no final dos anos 60. A mostra está então visitável, até próximo dia 28, nas antigas instalações da “Painhense”, na zona central da aldeia do Painho, todos os dias, entre as 15h00 e as 19h00.

Aquando da abertura oficial da exposição, ocorrida na tarde de 5 de dezembro, Jaime Rodrigues demonstrou ao público visitante que “Percurso” é uma exposição inédita, que reúne tudo aquilo que foi feito nos dois anos de existência da marca Sr. Serafim.

“Nessa evolução enquanto criativo, o Jorge (Romão) teve um peso muito grande, porque me mostrou que, neste mundo, a dedicação e o empenho têm de ser muito maiores do que em qualquer outro tipo de atividade. Logo, a persistência é fundamental”, disse o artista painhense.

Foi há dois anos atrás que, por mero acaso, ao arrumar antigas moedas de reis, Jaime se lembrou de procurar uma forma de criar pregadeiras e pulseiras para, nesse Natal, oferecer a familiares e amigos. Deu-se, depois, a constante procura de outros materiais “arrumados” ou obsoletos, mas cuja (re)utilização fosse incomum.

Através da utilização do “pouring” sobre madeira, Jaime procura escapar à convencionalidade dos materiais, substituindo as telas por madeira e as tintas acrílicas por tintas de parede, quase na totalidade.

“Em relação ao “pouring”, trata-se de um trabalho que eu faço com uma voracidade incrível, porque sinto-me a evoluir nas técnicas e nas experimentações que vou fazendo”, relata, salientando que o material utilizado é, todo ele, reciclado ou reaproveitado.

“O Espaço Sr. Serafim marca uma presença não assídua, mas relevante, em feiras “handmade”, onde o artesanato e o artesanato criativo têm uma presença muito forte”, refere ainda Jaime Rodrigues.

Até dia 28, já sabe que pode visitar, no Painho, este manancial artístico diverso e original, proveniente do Espaço Sr. Serafim, que inclui ainda alguns trabalhos artísticos da jovem criadora Beatriz Rego – “Bearte”.

Na ocasião da inauguração da exposição “Percurso”, Jorge Romão, outro autor do Painho, proporcionou um momento musical que remeteu o público aos anos 80, com exuberantes adereços de inspiração “kitsch”, elaborados pelo próprio.

A performance musical realizada por Jorge Romão, numa incursão por canções de Ney Matogrosso, inspirou-se no seu antigo grupo “A Bergonha da Terra”, evocado no livro de sua autoria “Quando os ciprestes davam laranjas – Memórias do Painho” (edição de 2016).

“Em 1985, em parceria com as minhas amigas, materializo o desejo de mostrar ao Painho um pouco do glamour de Lisboa dos anos 80 com a criação do grupo “A Bergonha da Terra”, que se propunha espicaçar e provocar mentalidades através de encenação e playbacks de algumas músicas e canções em voga (…). Foi depois crescendo com a entrada de novos elementos”, descreve Jorge Romão no seu livro.

“Recentemente, tive uma exposição em Lisboa, denominada “O Triunfo do Kitsch e do Lixo” e feita com materiais encontrados no lixo”, explicou no referido contexto da inauguração. “Encontrei o artista Alma, médico de profissão, e desafiei-o para que ele, no dia da “finissage”, atuasse vestido com adereços inspirados nos quadros que eu lá tinha exposto. E eu, à boleia dele, recuperei aquilo que fiz no Painho há 36 anos, e fiz um número inspirado no “Bergonha da Terra””, prossegue o artista, assumidamente exuberante, que profissionalmente opera na área da reinserção social.

“Surgiu depois, também, a oportunidade de atuar na homenagem ao [saudoso conterrâneo] Frick, a 19 novembro, no “Frick Memorial Fest”, que também participou no “Bergonha da Terra””, avança Jorge.

“Ao fim de 36 anos, eu nunca pensei que viria a pisar um palco e fazer de Ney Matogrosso», refere, recordando o sucesso trilhado pelo seu antigo grupo, em 1985, sempre com “casa cheia” no Painho e digressão feita por diversas localidades.

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