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Autárquicas 2021: Que rumo?

Rui Calisto

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As próximas eleições autárquicas prometem modificações no cenário político caldense, graças ao crescimento repentino de um partido conotado com a extrema-direita.
Rui Calisto

Em parte não vejo nenhuma novidade no que toca a esse desenvolvimento, porque a maioria da população portuguesa, por vezes, parece possuir laivos e rancores muito apegados a saudosismos fascistas, porém, o que acho curioso é o facto de nessa novel força política encontrarmos tanto ex-militantes e simpatizantes de partidos da direita pura (PSD e CDS-PP), quanto diversos nomes que militavam e simpatizam com a esquerda e o centro-esquerda.

O surgimento desse “bicho papão” partidário trará, inevitavelmente, algumas alterações, neste ano, a diversas freguesias e à assembleia municipal, isso porque toda a oposição caldense perdeu quatro anos a procurar gambozinos, ou, como diz um histórico socialista: “a matar baratas no canto da sala”.

Há, nas Caldas da Rainha, uma oposição apática, e que afugenta eleitores. Gesto que facilita, e muito, o discurso fácil perpetrado por quem “chega”.

Outro dos motivos da fuga dos eleitores é o palavreado rústico. O “politiquês” de certas “lideranças” de esquerda e de centro-esquerda afasta completamente o interesse dos eleitores em geral. O que fazer para os cativar? Existem diversos conceitos que se fossem colocados em prática não dariam oportunidade aos partidos “novatos” de alçarem grandes voos num curto espaço de tempo, porém, como a “linguagem” que usam é dedilhada no velho acordeamento de uma viola empandeirada, não é sonante, não encanta, não causa empatia.

Com um falatório que não ultrapassa a mesmice, o lugar-comum, os discursos que se ouvem cheiram a aldrabices eleitoreiras, motivando assim, e naturalmente, o aumento da abstenção.

Não há hipótese de se conquistar eleitorado, muito menos de o ir buscar a essa abstenção, se o discurso peripatético que se ouve desde 2017 não seguir outro rumo.

A oposição caldense precisa reinventar-se, senão, devido à sua inconsistência, perderá a pouca representatividade que possui nas assembleias de freguesia e na assembleia municipal.

O ridículo que se viu nos debates televisivos, aquando da campanha para as presidenciais, promete ser o mote das autárquicas, ou seja: Todos os partidos a atacarem o candidato do Chega, uma parvoíce sem tamanho. Em primeiro lugar porque esses partidos, ao perderem um precioso tempo em agressões verbais, não conseguem divulgar ideias e projetos que possam atrair eleitorado; Em segundo porque a insistência no ataque fará com que todas as atenções estejam centralizadas nos candidatos do novo partido, dando-lhes, sem esforço da parte deles, a possibilidade de crescerem (e sem fazerem nenhuma diligência para apresentar propostas úteis para o concelho).

Caldas da Rainha, como se vê por atitudes vindas de diversos quadrantes, é terra muito fértil para a extrema-direita.

O surgimento de novos partidos é um bom exemplo do que é a democracia, porém, falta-nos apenas perceber qual o verdadeiro rosto de quem Chega, pois com tantos militantes e simpatizantes vindos de todos os quadrantes políticos, é possível que esse próprio partido não tenha definido a sua própria face. De qualquer modo, a aproximação do seu líder nacional a nomes da extrema-direita europeia possui um significado forte, preocupante. inclusive, ameaçador para a defesa dos direitos humanos.

O rumo que as autárquicas de 2021 irá tomar já está a tirar-me o sono, a acentuar-me as olheiras e a vincar-me o rosto. Culpa da sonolência da oposição.

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