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“Novo confinamento não coloca todos no mesmo nível”

Marlene Sousa

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Existem no novo confinamento geral determinado pelo governo várias “incoerências” ao permitir que apenas alguns possam continuar a funcionar, criticou o presidente da ACCCRO - Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste.
Comércio das Caldas volta a fechar (fotos Marina Ferreira)

Luís Gomes disse ao JORNAL DAS CALDAS que as medidas adotadas no combate à pandemia de Covid-19 “não colocam todos no mesmo nível” e considera que “esta situação de uns estarem abertos e outros não colocou muitas dúvidas nos comerciantes e população”.

“Uns têm de encerrar e outros não, e o movimento de pessoas continua a ver-se nas ruas da cidade”, apontou o presidente da associação comercial.

“Esta situação traz sempre danos para o pequeno comércio, em particular a parte da restauração e similares, que parece ser o mais penalizado, assim como as lojas de pronto-a-vestir, sapatarias, cabeleireiros e centros de estética”, revelou.

“Investiram em equipamentos e álcool em gel, estavam a funcionar com todas as medidas aconselhadas, não vejo um risco acentuado que justifique estas medidas. Pelo contrário, vejo a abertura de outros estabelecimentos em que o risco não é mais baixo do que uma loja onde estão duas pessoas lá dentro”, referiu.

Segundo este responsável, “estamos a pagar a fatura do Natal que fez aumentar de forma exponencial os casos de infetados no país e também nesta região”.

De acordo com o presidente da ACCCRO, a lei que determina as regras do novo confinamento “é muito confusa e penaliza sempre os mesmos”. No seu entender, para funcionar “deveria ser igual para todos para que se possa reduzir a mobilidade das pessoas e travar o ritmo de circulação do vírus”.

O responsável da ACCCRO criticou a forma como este confinamento está a funcionar, “na medida que as pessoas podem circular desde que tenham a justificação certa”.

Censurou também o facto de não haver apoio aos comerciantes e empresas “que não estão bem”. “Como é que vão pagar as rendas e outras despesas?”, questionou.

Luís Gomes diz que defende a saúde pública porque se estivermos doentes não “conseguimos produzir”. No entanto, considera que o sacrifício tem que “ser para todos para que se possa reduzir com mais rapidez o número de infetados”.

“Este tipo de confinamento está a tirar autoridade ao governo e acaba por haver desagrado”, apontou.

“Hoje recebemos a chamada de um associado a dizer que ia desistir porque já não aguentava mais com as despesas e que já não vai voltar a abrir”, contou.

“É uma situação muito complicada porque os empresários têm que planear os seus negócios. É preciso planear a equipa e as compras para depois poder vender e ninguém sabe quanto tempo isto vai durar”, declarou.

“Demasiadas exceções ao confinamento”

O JORNAL DAS CALDAS visitou na passada quinta-feira alguns estabelecimentos comerciais nas Caldas, no último dia de abertura antes do novo confinamento.

Ana Carreiro, responsável pelo BodyConcept – Ginásio da Estética nas Caldas, disse que concorda com o novo confinamento “em resposta ao aumento de casos que está muito complicado no país e região”. No entanto, considera que não “é no comércio local nomeadamente, na estética do BodyConcept, que as pessoas se vão contaminar”. “Investimos em equipamentos e estamos a cumprir a segurança exigida pela Direção Geral de Saúde e desde que estamos abertos depois do primeiro confinamento nenhuma das funcionárias que aqui trabalharam testaram positivo”, afirmou.

“Há imensas exceções no comércio, como oculistas, lojas que vendem produtos de estética, entre outros, que podem estar abertos”, apontou, não achando as medidas justas.

Sandra Martins, proprietária da loja Atrativa Moda XL, também considera que há neste novo confinamento “uma lista muito grande de exceções que leva as pessoas para a rua”. Diz que vive momentos de inquietação com dúvidas do que vai acontecer. “Fomos os primeiros a fechar e abrimos com regras quanto ao número de pessoas por metro quadrado, sistema de desinfeção e agora eu posso ir à missa com a igreja cheia de pessoas e não posso ter uma cliente na minha loja”, reclamou.

“Se há um novo confinamento geral, devido ao agravamento da pandemia de covid-19, então que feche tudo menos os espaços que vendem bens alimentares, para que consigamos ultrapassar este aumento de casos”, manifestou.

Vanusa Silva, da loja de roupa feminina Ecco, sustentou que cada um tem que ter consciência e “ficar em casa”, relatando que tem clientes que são médicas e que lhe relataram a situação caótica no hospital das Caldas. “Estão a trabalhar 15 horas por dia com aqueles fatos sem ver a família e nós nem imaginamos”, contou.

Não critica o governo e considera que quem tem culpa é a população que pensa que “isto só acontece aos outros”. “Os nossos governantes deixaram as pessoas livres na altura do natal e ano novo e deu a informação correta, só que houve abusos e maus comportamentos e agora nós, que temos toda a segurança necessária, é que pagamos a fatura”, declarou.

“Foi por falta de responsabilidade do cidadão que nós estamos no novo confinamento”, salientou, acrescentando que mesmo prejudicando o seu negócio considera que “todos têm que ficar em casa e que o problema está na mentalidade dos portugueses”.

“O novo confinamento é necessário porque os números que estamos a ter não vão diminuir enquanto não formos todos para casa”, disse Amélia Gouveia, uma das responsáveis da loja Mirene Formen, acrescentando que “é preciso é parar tudo, inclusive as escolas, e só deixar o indispensável aberto”.

Catarina Faustino, responsável pelo cabeleireiro Perfil – Hair & Body, recordou o investimento que fez quando abriu depois do primeiro confinamento, que lhe proporcionou “trabalhar com muita segurança”.

Sente-se “injustiçada e acha que há muitas exceções que têm menos segurança do que os cabeleireiros”.

Nos últimos dias antes do confinamento “as pessoas correram ao cabeleireiro”, revelou.

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