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Alguma sátira política e bastante folia no corso carnavalesco das Caldas

Mariana Martinho (texto) Eduardo Vitorino (fotos)
26 de Fevereiro, 2020
Durante três dias, a Avenida 1º de Maio e a Praça 25 de Abril voltaram a encher-se de cor e muita animação, proporcionada pelos mais de 1200 foliões e pela irreverência dos 20 carros alegóricos, quatro grupos musicais e um grupo de dança. Como já é habitual, o trapalhão e satírico carnaval das Caldas, inspirado na temática de Bordalo Pinheiro, não poupou mordacidade à política nacional e local, apesar deste ano o principal alvo de crítica terem sido “os buracos muito maus na terra dos pirilaus”, passando ainda pela “esquecida lagoa” e a “espera da Linha do Oeste”.

Durante os três dias, sábado à noite, domingo e terça-feira à tarde, milhares de figurantes desfilaram, distribuindo folia misturada com os ritmos brasileiros pela avenida, num espetáculo colorido. Como é habitual, o corso carnavalesco iniciou-se junto à estação e percorreu três vezes a Avenida 1º de Maio e Praça 25 de abril, animando os presentes. No carro alegórico da ACDR Arneirense podia ler-se “Amor vamos passear? Nesta cidade esburacada nem pensar”. Nele vinham a Maria Paciência e o Zé Povinho, que este ano foram encarnados por mãe e filho, Céu Ribeiro e Cláudio Silva. Atrás seguiam os restantes carros alegóricos. Uns satirizando os políticos e o governo português, com frases como ”Com a ministra temida a saúde está desprotegida”, ou então, “Zé Povinho tá doente, precisa ser tratado nos hospitais, não atendem mandem-no ao privado”, e outros com temas mais locais como “nas próximas eleições quando fores votar tens de pensar em alguém que os buracos mande tapar”, ou então, “Haja paciência, o povo paga, paga, paga mas às Caldas não chega nada”. Outra das figuras bem conhecidas num dos carros alegóricos foi o cabeçudo que parecia mesmo o antigo treinador do Sporting Clube de Portugal, Jorge Jesus, acompanhado de alguns recados como “Aladino e a sua lamparina fizeram uma história mágica. Ó génio Jorge Jesus vê se nos ajuda nesta comédia trágica”. Também não faltaram temas relacionados com os famosos super heróis, a vespa asiática, o caso de Tancos e ainda com a reciclagem “por um mundo mais verde”. Presente no desfile esteve o presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, que mostrou-se “muito satisfeito com o trabalho apresentado pelas coletividades”, apesar de que no próximo ano “vamos tentar valorizar um pouco mais os carros alegóricos”. “Acho que podemos melhorar dando mais assistência técnica e materiais às coletividades”, explicou o autarca. Relativamente às temáticas, nomeadamente locais, como a Lagoa de Óbidos e a Linha do Oeste, Tinta Ferreira sublinhou que é “algo que subscrevo inteiramente”. No que diz respeito às dragagens da lagoa, o edil disse que “é prometido há vários anos, mas que nada acontece”. Já sobre a Linha do Oeste, Tinta Ferreira frisou em tom de brincadeira que “não só é a mais lenta do país como o comboio que temos é ligeiramente mais rápido do que no tempo do rei D.Carlos. Portanto não é aceitável essa realidade na ligação das Caldas à capital”. Também houve “algumas brincadeiras a propósito do estado das obras, que estamos a fazer ao nível da reabilitação urbana”, aceitou o autarca. Este ano e à semelhança do ano passado, o valor monetário atribuído ao Carnaval das Caldas rondou um “pouco mais de 90 mil euros”, mas no próximo ano “podemos aumentar com o objetivo de melhorar um pouco mais a qualidade”.

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