As tempestades que nos assolaram desde 28 de janeiro, aliadas às chuvas persistentes deste inverno, deixaram marcas profundas no território e na consciência coletiva. Portugal dificilmente será o mesmo a região Oeste e Caldas Rainha, em particular, também não. Os sinais são claros, teremos de repensar procedimentos, rever critérios e encarar com seriedade o ordenamento do território.
É precisamente neste contexto que se impõe uma decisão estratégica para o futuro da região, a localização do Novo Hospital do Oeste.
Os autarcas das Caldas da Rainha e de Óbidos, bem como todos os responsáveis políticos da região, têm a obrigação de exigir ao Governo que não repita erros do passado. A escolha da localização não pode ignorar critérios técnicos, económicos, demográficos e de segurança.
As Câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos disponibilizam terrenos situados numa zona relativamente plana, a cerca de 45 metros acima do nível do mar, delimitada pela Linha do Oeste (caminho de ferro), pela Estrada Nacional 8, pela zona da Matel e pelo nó rodoviário da A8, com ligação à A15. Trata-se de uma área com excelentes acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, condições topográficas favoráveis e infraestruturas já consolidadas.
Quando se comparam localizações, não podemos ignorar fatores determinantes:
Condições dos terrenos e envolvente, que influenciam diretamente o custo da obra, podendo representar diferenças de milhões de euros;
Custos de infraestruturas e acessos viários, já existentes nas Caldas e Óbidos;
Número de habitantes na área de influência, claramente superior nesta localização;
Oferta de transportes municipais e intermunicipais, já instalada;
Rede de serviços, comércio e ensino, que reforça a centralidade urbana;
Custos de deslocação dos profissionais de saúde, muitos dos quais já residem ou trabalham nas Caldas e em Óbidos;
Dimensão turística sazonal, muito significativa nestes dois concelhos e praticamente inexistente noutras alternativas.
No caso do Bombarral, o terreno apontado situa-se numa zona de colinas, próximo de uma linha de água, com maiores distâncias ao nó da A8 e à linha férrea, implicando custos acrescidos e desafios técnicos adicionais.
Mas há também um fator identitário que não pode ser ignorado.
Foi nas Caldas da Rainha que nasceu o primeiro hospital termal do mundo, o Hospital Termal Rainha D. Leonor. Foi aqui que se consolidou o Hospital Distrital. Esta cidade nasceu, cresceu e estruturou grande parte da sua atividade económica e social em torno da saúde.
A vocação das Caldas da Rainha para a prestação de cuidados de saúde não é circunstancial, é histórica, estrutural e estratégica para toda a região Oeste.
Este é o momento de decidir com visão de futuro, responsabilidade financeira e respeito pela história e pela realidade demográfica. Não se trata de rivalidades territoriais, mas de racionalidade, eficiência e segurança.
Se aprendermos verdadeiramente com as adversidades recentes, talvez possamos confirmar que, afinal, há males que vêm por bem.
Juntos, vamos conseguir.










