A parceria foi apresentada na tarde de 6 de fevereiro, numa conferência de imprensa realizada nas instalações do serviço de fisioterapia, no Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira. Em causa está a continuidade de um serviço com forte impacto social, mas que, nos últimos anos, se tornou financeiramente deficitário.
Segundo Paulo Ribeiro, presidente do conselho de administração do Montepio Rainha Dona Leonor, a análise financeira realizada ao longo de 2024 levou a instituição a ponderar a cessação da prestação direta do serviço convencionado com o SNS. “O modelo existente não era financeiramente sustentável nem compatível com os objetivos de equilíbrio e responsabilidade da instituição”, explicou, acrescentando que a manutenção do serviço nos moldes anteriores colocaria em risco “não apenas este serviço, mas o próprio ecossistema do Montepio”.
O encerramento da fisioterapia convencionada chegou a ser um cenário real, mas teria consequências significativas para a região. “Caldas da Rainha e os concelhos vizinhos ficariam sem qualquer prestador de fisioterapia com convenção pública”, sublinhou Paulo Ribeiro, lembrando que se trata de uma área já marcada pela escassez de resposta.
A solução encontrada passou por uma parceria com a Gestos Coesos, entidade especializada na gestão e operação de serviços de fisioterapia, com experiência junto de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), associações mutualistas e Misericórdias em várias zonas do país. No novo modelo, a convenção com o SNS mantém-se integralmente na esfera do Montepio, assim como os trabalhadores e a identidade institucional, sendo que a Gestos Coesos assume apenas a gestão operacional do serviço, com foco na eficiência, organização de equipas e otimização de processos.
Atualmente, o serviço atende entre 80 e 100 utentes por dia, número que deverá aumentar para cerca de 150 a 200 nesta primeira fase. Numa etapa posterior, já associada à futura unidade de saúde em projeto, a meta passa por chegar aos 400 utentes diários. De acordo com Pedro Albuquerque, fisioterapeuta da Gestos Coesos, este crescimento é essencial para garantir a sustentabilidade do serviço. “Quanto maior for o projeto, mais sustentável ele se torna”, afirmou, referindo que existem “entre 40 a 50 mil pessoas na região sem acesso a fisioterapia pelo SNS”.
O crescimento da atividade deverá refletir-se também no reforço das equipas. Segundo Pedro Albuquerque, o objetivo é que, num prazo de dois a três anos, o número de profissionais possa triplicar, abrangendo fisioterapeutas, médicos, auxiliares e pessoal administrativo.
Questionado sobre o impacto financeiro, Paulo Ribeiro confirmou que o serviço apresentava “um défice anual de dezenas de milhares de euros”, resultante da discrepância entre os custos reais e as comparticipações do Estado, que não são revistas há várias décadas. Em 2024, cerca de 70% dos utentes eram do SNS, percentagem que desceu em 2025, na sequência da redução da capacidade de resposta antes da entrada em vigor da parceria.
A diretora clínica do Montepio Rainha Dona Leonor, Mafalda Santos, destacou a importância de preservar o cariz social da instituição e de garantir resposta numa área particularmente deficitária. “Esta parceria permite continuar a cuidar da população, assegurando qualidade clínica e continuidade assistencial”, referiu.
A parceria agora formalizada insere-se numa estratégia mais ampla do Montepio para o futuro Centro Clínico & Living Lab. Nesse projeto, a Gestos Coesos está prevista como parceira na área da reabilitação e fisioterapia, enquanto a Affidea assegura a componente de imagiologia e diagnóstico, em espaços autónomos.










