É normal que todos os anos, na passagem de ano, se pense em mudança. O JORNAL DAS CALDAS falou com dez cidadãos da zona das Caldas da Rainha, entre os 22 e os 72 anos, para conhecer projetos pessoais e profissionais e ficar a saber o que quer ver de diferente no mundo e na região oeste em 2026. Para o mundo vê-se muita vontade de paz, numa época repleta de guerra, e para as Caldas da Rainha, as propostas são diversificadas, tal como os projetos pessoais e profissionais.

 

Questões

1 – Que mudanças espera que o Ano Novo traga para o mundo?

2 – Tem algum projeto pessoal ou profissional que queira concretizar este ano?

3 – O que gostaria de ver mudado nas Caldas da Rainha (ou na região) este ano?

 

Clara Horta, 57 anos, técnica auxiliar de saúde

1 – Espero que este ano traga mais paz. É algo que considero quase impossível, porque nós vemos guerras por todo o lado, mas não podemos deixar de esperar por isso.

Em Portugal gostava que, nas áreas da saúde e da educação, este ano trouxesse pelo menos mais profissionais e mais responsabilidade, para começarmos a ver melhorias significativas no país.

2 – Curiosamente, recentemente, já fui a duas entrevistas de emprego e gostava de ver outras coisas, mantendo-me na área da saúde [Clara Horta é técnica auxiliar de saúde no Hospital das Caldas da Rainha]. Sou licenciada e gostava de aproveitar a licenciatura para explorar outras coisas. Tenho vários objetivos e não sei se os vou concretizar ou não, mas estou a trabalhar para eles.

3 – Há um projeto muito interessante do qual ouvi falar que adorava que fosse para a frente, que é uma associação de apoio às vítimas de violência doméstica local. Nós não temos completa noção da dimensão que esse problema tem aqui nas Caldas, mas, tal como no resto do país, temos muitos casos de violência doméstica, infelizmente.

 

Guilherme Rodrigues, 27 anos, trabalha em marketing digital

1 – Gostava que este ano o mundo tivesse menos guerras, que a União Europeia voltasse a recuperar o seu poder financeiro global e que Portugal conseguisse ter um governo não corrupto.

2 – A nível pessoal, tenho o objetivo de atingir independência financeira a 100%. A nível profissional quero ter o meu primeiro “cargo a sério”, no sentido de ser um dos três ou quatro líderes de uma empresa.

3 – Eu acho que Caldas tem quase tudo. Temos desporto, temos lojas e comércio, cultura, história e tudo mais que se pode pedir de uma cidade do nosso tamanho. A única coisa que sinto que está a faltar, já desde que me lembro, é a vida noturna, tanto para jovens como para adultos. Sei que existem espaços como o Bowling, a Toca [Toca da Onça] e o Spacy, mas não dão solução à quantidade de caldenses que querem sair à noite. Sei que isto é uma queixa de muita gente da minha idade e até mais velha.

 

Steven Edward, 72 anos, reformado

1 – A minha principal aspiração para o mundo é que se torne mais calmo…parece-me que estamos a viver numa era muito turbulenta e distorcida. Quando penso no meu próprio passado, quando estava a crescer nos anos sessenta, o mundo estava muito mais calmo, apesar de já existir a ameaça nuclear.

2 – O meu objetivo principal para este ano, é aprender a falar melhor português. Tenho ido a uma aula por semana e já aprendi outras línguas no passado, mas a verdade é que é mais fácil quando somos mais jovens. Para além disso existem algumas burocracias, relacionadas com a minha mudança para Portugal, que gostava de ver resolvidas. Estou cá há cerca de um ano e pelo final deste ano, gostava mesmo de ter tudo resolvido.

3 – Gosto muito das Caldas da Rainha, é uma cidade de tamanho médio e tem tudo o que um residente pode precisar. Não há muito que mudaria em relação à cidade, talvez apenas algumas estradas que parecem confusas, mas isso pode ser só o meu estatuto de estrangeiro a falar, tendo em conta que nós conduzimos de maneira diferente. Gosto muito da tranquilidade e do quão amigáveis e prestáveis as pessoas são.

 

Carolina Couto, 22 anos, estudante em mestrado

1 – Para o mundo inteiro o meu desejo era que as guerras parassem, especialmente as guerras políticas. Em Portugal, gostava que elegêssemos um bom Presidente da República, que não fosse populista.

2 – Eu tenho enviado currículo para imensos estágios e trabalhos em que tenho interesse e gostava muito que um desses fosse aceite para um estágio com propensão para se tornar num trabalho, ou então logo num trabalho. Também gostava de acabar o meu primeiro ano curricular do mestrado com uma média elevada para ter mais facilidade a aceder ao mercado de trabalho em que quero entrar, que é o de controlo de gestão.

Quero ainda sair de casa dos meus pais este ano e comprar o meu próprio carro, que é algo que já está em processo.

3 – Devia haver mais espaços para os miúdos brincarem e irmos passear em família. Acho que também faltam mais salas de estudo ou espaços para os estudantes. A Biblioteca Municipal é uma das poucas soluções, mas fecha cedo. Até porque há muitos estudantes, nas alturas de exames, por exemplo, que gostam de ficar a estudar até mais tarde e faz falta um sítio onde nos sentíssemos bem, com fichas e com luz, que proporcionasse uma boa noite de estudos.

 

Ana Oliveira, 58 anos, cabeleireira

1 – Sabemos que é difícil, mas para o mundo queria principalmente paz.

2 – Sinceramente, a nível profissional sinto-me feliz onde estou, o meu próximo passo é mesmo a reforma. A única coisa que tenho planeada a nível pessoal é só mesmo viajar. Eu queria fazer mais viagens, mas só posso fazer uma e já tenho um destino em mente.

3 – Nas Caldas da Rainha gostava que mudasse um bocado a mentalidade das pessoas. Gostava que fossem mais humanas e menos intrometidas, porque acho que ainda temos muito uma mentalidade de aldeia quando a cidade está a crescer. A cidade em si, desde que cheguei, em 2013, melhorou bastante, pelo menos a nível de comércio e habitação. É uma cidade simpática, no sentido em que temos basicamente tudo o que precisamos, como hospital e centro de saúde que, apesar de terem as suas falhas, acabam por ser falhas que se veem no país inteiro.

 

Luís Jesus, 51 anos, empregado de escritório em apoio administrativo

1 – Principalmente o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, gostava mesmo que esse conflito acabasse e já no início de 2026.

2 – Quero voltar a ter aulas de guitarra e começar a tocar com mais consistência. Já não toco guitarra consistentemente há cerca de quinze ou vinte anos. Este ano também queria realizar uma viagem ao continente asiático com a minha mulher, que seria uma viagem de sonho para nós. Ainda não temos um país decidido definitivamente, mas temos já alguns na lista.

3 – Principalmente, gostava de ver a questão do hospital concluída, perceber se vem para as Caldas ou não, pelo menos. E gostava de ver mais investimento na Praça da Fruta, com estruturas que dessem melhores condições a quem vende e a quem compra, mas principalmente aos vendedores, porque imagino que no inverno seja um bocado duro. Sinto que a Praça merece esse investimento, que tem tido pouco ou quase nenhum.

 

Camila Matiauda, 36 anos, empresária e gestora

1 – O que eu acho muito importante é a consciencialização da mudança da mentalidade das pessoas. Eu trabalho na área da nutrição, e se a pessoa não tiver a mente alinhada para uma alteração de hábito, ela nunca vai conseguir obter resultados.

2 – Eu tenho, em conjunto com o meu marido, um centro de bem-estar e uma academia de artes marciais. Este ano queremo-nos focar no projeto Move 360, em que fazemos um processo de coaching em todas as áreas da vida, inclusive até na parte do Jiu-jitsu, treino, alimentação e no mindset das pessoas com quem trabalhamos.

3 – O que eu sinto muita falta nas Caldas da Rainha é o comércio na parte da restauração noturna. Às vezes saio tarde de um treino e sinto que não tenho bem sítio onde ir jantar. Antigamente via-se também mais movimento nas zonas dos bares à noite. Até na Foz do Arelho chegam as dezanove horas e está tudo fechado. Este movimento também ia trazer mais turistas e ia acabar a ajudar no comércio local.

 

Cátia Mergulhão, 25 anos, estudante em mestrado

1 – Honestamente, pelo que vemos, isto parece que vai de mau a pior, mas a minha esperança é que exista uma maior união e paz. Lá está, acho muito ambicioso, mas quero um mundo unido e pacífico.

2 – Quero acabar o mestrado, começar a exercer na minha área [educação], talvez começar também a dar aulas de explicações em casa, com a esperança de mais tarde abrir um espaço específico para isso.

3 – Gostava que existissem mais sítios de lazer e mais diferenciados para todas as idades. Precisamos também de mais espaços para sair à noite, nas Caldas ainda existem muitos jovens que têm de optar em ir para longe para se divertirem. Também sinto que temos falta de espaços de estudo para os estudantes. Noutras cidades existem salas que ficam abertas noites inteiras e sinto que isso está em falta aqui nas Caldas.

 

Manuel Bandeira Duarte, 27 anos, artista e designer

1 – Pessoalmente, gostaria que o mundo mudasse a favor da bondade, do respeito, da compreensão e da paz. Quatro elementos que completam um circuito evolutivo. Gostaria, também, que tudo se tornasse mais justo, mais fiável e seguro, permitindo-nos atingir um patamar de estabilidade que a muito desejamos.

2 – Este ano gostaria de ver crescer uma fórmula diferente de se vivenciar a “Ode à Primavera” na cidade, valorizando os locais, as suas habilidades e criatividades. A Ágora – Associação Ambiental está, de momento, a construir a sua agenda anual, esperando alcançar novos objetivos e apresentar atividades distintas e que resultem na presença de diversos interessados e voluntários. Pessoalmente e profissionalmente espero que 2026 seja um ano de desafios, estando disponível para abraçar projetos novos e distintos, podendo enlaçar a arte, a cultura e a tradição.

3 – Gostaria que, nas Caldas da Rainha, o ambiente social e político se tornasse mais empático e compreensivo. Creio que este pormenor acabaria por transportar, para os cidadãos locais, um clima estável e fiável. Culturalmente, gostaria que as Caldas continuasse a evoluir, abrangendo múltiplos e variados eventos, destacando a nossa essência e o nosso foco. Gostaria, também, que Caldas da Rainha permanecesse de portas abertas para acolher as ideias dos criadores e dos comerciantes, apoiando-os com respeito, valor e dedicação.

 

Joana Bravo, 44 anos, artesã

1 – Acho que o mundo precisa essencialmente de paz, apesar de não acreditar que a vamos alcançar este ano.

2 – A nível pessoal não tenho propriamente nenhum projeto planeado, nesse sentido deixo a vida acontecer. Em relação a projetos profissionais, gostava muito de ter uma exposição mesmo só minha em 2026.

3 – Para as Caldas da Rainha, em 2026, gostava que a Câmara Municipal apoiasse mais as artes. Isto no sentido de criar mais iniciativas ligadas às artes, aos artistas e aos artesãos, claro.

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