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Profissionais de saúde tentam travar aumento de suicídios na região

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A equipa de prevenção do suicídio do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), com o apoio do Município de Caldas da Rainha, assinalou o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio no passado sábado.
Catarina Jesus (psiquiatra), Fátima Silva (enfermeira) e Susana Esteves (psicóloga)

A equipa de prevenção do suicídio do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), com o apoio do Município de Caldas da Rainha, assinalou o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio no passado sábado.

Na ação referente ao setembro Amarelo, mês de aviso ao suicídio, as profissionais do CHO distribuíram pelas pessoas que circulavam pela Rua das Montras laços amarelos e um panfleto com informação importante sobre os sinais de alarme.

De acordo com Catarina Jesus, médica especialista em psiquiatria e coordenadora do grupo de trabalho para a prevenção do suicídio do serviço de Psiquiatria do CHO, “regra geral cada pessoa que se suicida faz um pedido de ajuda antes”. Desta forma, “estar atento e perceber quais são os sinais pode ser muito importante para ajudar alguém, estando disponível para ouvir e, acima de tudo, fazer com que chegue à ajuda profissional o mais depressa possível”.

A psiquiatra recordou que em 2017 na área geográfica de atuação do CHO (Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Torres Vedras, Alcobaça e Mafra) a taxa padronizada de suicídio foi de 16,5 por 100.000 habitantes, enquanto a taxa nacional bruta de suicídio foi de 10,2 (por 100.000 habitantes).  

Uma vez que não existem dados de 2021 nem 2022, a profissional de saúde destacou que em 2020 a taxa de suicídio a nível nacional foi de 9,1 e na região Oeste foi de 10,6. No entanto, o objetivo da equipa de prevenção do suicídio do CHO é “taxa zero”.

A psiquiatra salientou que a faixa etária dos 65 anos é um grupo de “risco muito relevante devido ao isolamento social crescente, a reforma, a sensação de perda de propósito, a incapacidade funcional e sensação de falta de apoio e, por fim, não menos importante, a presença de depressão que nesta idade pode manifestar-se como queixas físicas, dificultando a sua identificação e tratamento adequado”.

“Consumo de álcool é um fator de risco”

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, a psiquiatra relatou que o “consumo de álcool é um fator de risco de comportamento suicidário”. “As pessoas que bebem habitualmente demais, e, particularmente, as que alteraram o seu consumo passando a beber mais recentemente, são pessoas com risco aumentado de se suicidarem”, explicou, acrescentando que “o alcoolismo é uma doença e existem equipas especializadas de tratamento de comportamentos aditivos no Oeste, nomeadamente nas Caldas da Rainha, em Peniche e em Torres Vedras”. “As pessoas podem procurar ajuda dirigindo-se diretamente a essas estruturas”, adiantou.

Segundo a profissional de saúde, os homens morrem mais por suicídio do que as mulheres, incluindo na região Oeste. “Independentemente do género, todos têm direito a saúde mental e ninguém é menos válido ou menos pessoa porque está diagnosticado com depressão. Não o pensamos em relação à diabetes ou à hipertensão, porque é que as doenças mentais hão-de ser menos doenças?”, questionou.

Catarina Jesus considera que as intervenções de tipo psicológico são muito “relevantes, tanto em situações ligeiras como graves”.

A psiquiatra revelou que é possível identificar o “diagnóstico de uma doença mental em praticamente todas as pessoas que se suicidam (90-95%)”. “As doenças mentais são associadas a incapacidade muito marcada: as pessoas deixam de ser capazes de fazer o que estavam habituadas, do ponto de vista social, no trabalho, na família e chegam mesmo a deixar de cuidar de si próprias.

O tratamento adequado, passe por medicação, psicologia ou combinação de ambos, “tenciona que a pessoa volte a sentir-se normal e bem”.

De acordo com a profissional, existe ainda o receio de que “o médico deixe o doente zombie” ou “pior do que antes”, mas a decisão sobre o tratamento “pode e deve ser partilhada com o doente, de modo a que perceba os efeitos esperados com a intervenção que inicia”.

“Continuar o tratamento é relevante pois as pessoas nem sempre reagem da mesma forma ao mesmo tratamento e existem tempos mínimos que as pessoas devem cumprir o tratamento para evitar que voltem a ficar doentes. Nem toda a gente se sente bem com a mesma medicação e a supervisão regular do médico permite a adaptação do tratamento”, apontou.

Importante é igualmente reduzir o estigma da doença mental. Pode “desenvolver-se em relação a doenças mentais, que são por sua vez associadas a vários estereótipos, nomeadamente de perigo, imprevisibilidade ou incompetência, que por sua vez geram emoções como medo e raiva e que conduzem a alterações de atitudes e comportamentos como desvalorização, discriminação e rejeição social”, sustentou.

“Trata-se de um fenómeno que afeta a procura de cuidados médicos assim como a manutenção de um tratamento adequado com potenciais consequências para a evolução das doenças mentais, nomeadamente nas mais graves”, adiantou.

Segundo a psiquiatra, “as intervenções que mostram melhores resultados são as que incluem educação e as intervenções multifacetadas”.

“Nas Caldas há um elevado índice de tentativas de suicídio e auto-dano”

A Comemoração do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, virada para a comunidade, foi feita com o intuito de aumentar a visibilidade do tema, normalizar a problemática (para que deixe de ser um tema tabu), aumentar a literacia da população e diminuir o estigma.

Para além da banquinha de informação onde estiveram no sábado de manhã, realizaram ao fim da tarde uma caminhada de luto pelas pessoas que faleceram por suicídio.

No dia da comemoração foi também divulgado, nas redes sociais do CHO e da Câmara Municipal, um vídeo de sensibilização onde os participantes “são figuras de conhecimento público das Caldas e será fácil que a população local conheça pelo menos uma ou duas delas”, revelou a psiquiatra.

A equipa de prevenção do suicídio do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do CHO é composta por uma médica (psiquiatra), duas psicólogas e dois enfermeiros.

O presidente da Câmara das Caldas, Vitor Marques, disse que o município se associou à ação porque é uma “problemática onde na nossa região há um índice muito grande de suicídio”. Revelou que o município vai contratar mais dois psicólogos.

“No nosso concelho percebemos que há uma grande fragilidade em termos de saúde mental, portanto urge a consciencialização das pessoas para a problemática e a melhor forma de prevenir é mesmo dar conta dos sinais de alerta”, disse a Sara Oliveira, psicóloga e adjunta do presidente da autarquia. 

Segundo esta psicóloga, a estratégia municipal de saúde terá em conta as questões da saúde mental, que “são muito prementes no concelho”. Revela ainda que nas Caldas há um elevado índice de tentativas de suicídio e auto-dano, transversal a todas as idades.

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