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Histórias do Termalismo

3. Rede de Cidades Termais

Jorge Mangorrinha
15 de Março, 2021
A origem da atual rede de cidades termais remonta a estudos enquadrados pelo programa comunitário Cultura 2000 e a posteriores encontros preparatórios realizados em Ourense, no âmbito das primeiras edições da Termatalia, uma feira especializada no tema, que já corre mundo e em que tive a honra de participar enquanto vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha (2002-2005).

Partindo da Declaração Termal de Ourense (2003), dois anos depois, a 2 de outubro de 2005 (já no final do meu mandato autárquico), o texto subscrito pelos representantes das cidades termais de Reykjavik (Islândia), Montegrotto (Itália), Caldas da Rainha (Portugal), Dax (França), Cajamarca (Perú), Villas Termales de España e ainda Ourense, cidade anfitriã, no âmbito do II Encontro de Cidades Termais Termatalia 2005, reconhece, em cada uma delas, um importante património natural e cultural.

A existência de um tecido urbano, que manifesta a presença do recurso termal, na sua forma física e presença social, motivaria a aposta de todos estes municípios num desenvolvimento económico sustentável, partindo desses recursos. Designadamente:

– Apostar na pesquisa em todos os campos, como fonte de conhecimento dos seus recursos e das suas aplicações.

– Planear estrategicamente, como mecanismo necessário para a valorização dos diversos recursos associados à hidroterapia.

– Comunicar, como objetivo conjunto de consciencialização, desenvolvimento e promoção dos seus recursos no mundo.

O compromisso destas cidades foi a criação de uma Rede de Cidades Termais, comprometendo-se a um novo encontro em Montegrotto (Itália) em 2006, e nas Caldas da Rainha (Portugal), em 2007, alargando o convite às participantes anteriores do Encontro de Cidades Termais de 2003, ou seja, Spa (Bélgica), Bath (Reino Unido) e Budapeste (Hungria).

No núcleo central desta iniciativa, mantiveram-se o galego Mario Crecente (Ourense) e o britânico Paul Simons (Bath). O trabalho que foi feito nos dois anos seguintes levou à fundação de uma associação, mas com um enfoque no património associado às termas de cidades europeias, a EHTTA – European Historic Thermal Towns Association, em Bruxelas, por seis cidades, Acqui Terme (Itália), Bath (Reino Unido), Ourense (Espanha), Salsomaggiore Terme (Itália), Spa (Bélgica) e Vichy (França), curiosamente sem algumas das cidades anteriormente referidas, nomeadamente as Caldas da Rainha. A EHTTA foi estabelecida como uma associação sem fins lucrativos, com base na necessidade de encorajar a proteção e valorização do património termal, artístico e cultural em toda a Europa. As redes, como sistemas lineares e zonais de diálogo e partilha, são como a pele dos nossos Pavilhões do Parque, pelas linhas que contornam as pedras dos paramentos exteriores.

Pela meritória participação do vereador Hugo Oliveira, Caldas da Rainha passou a estar presente, de novo, numa rede que evoluiria para um conjunto apreciável de cidades. Em 2010, foi certificada pelo Conselho da Europa, como Rota Cultural Europeia, no sentido de:

– Reforçar a cooperação entre as cidades termais europeias a nível transnacional, promovendo o intercâmbio de experiências e boas práticas entre administrações e/ou agentes locais culturais, sociais ou económicos.

– Promover a rede a nível europeu, em estreita colaboração com instituições europeias e com o apoio de programas comunitários, para sensibilizar para a especificidade das estâncias termais e as necessidades da sua preservação.

– Reforçar e salvaguardar o património arquitetónico e artístico, promovendo a sua integração dentro das políticas de desenvolvimento de cidades, movendo-se para o seu desenvolvimento económico sustentável.

– Incentivar, promover e desenvolver pesquisas, análises, estudos e estatísticas no âmbito do setor termal, incidindo prioritariamente na história e no património artístico, culturais e jurídicos a ele associados.

– Desenvolver um produto turístico europeu comercializado a nível internacional, que possa gerar benefícios económicos para as cidades termais.

Repito o que já escrevi noutras circunstâncias, as cidades termais são sistemas, nos quais o património é fundamental. Elas têm sido, também, cenários inspiradores para escritores e artistas:

– O lago romântico de Enghien-les-Bains cativou a imaginação de grandes escritores como Alexandre Dumas, George Sand e Jean-Jacques Rousseau.

– Dostoievski descobriu a febre do jogo durante a sua visita a Wiesbaden e ao seu famoso casino. A sua paixão por jogos de roleta foi a inspiração para “O Jogador”, ambientado na cidade de Roulettenburg, um disfarce literário do verdadeiro Wiesbaden.

– Os escritores Gustave Flaubert e Guy de Maupassant, por exemplo, cativaram-se com o olhar dos Pirenéus, as montanhas selvagens que cercam a cidade termal de Luchon.

– Jane Austen viveu em Bath no início do século XIX. O modo de vida no período Regency e a magnífica arquitetura georgiana da cidade são brilhantemente evocados nos seus romances.

– O livro de visitas de Montecatini inclui compositores como Verdi e Puccini, que aí escreveram parte de “La Bohème”. Nas décadas de 50 e 60, a cidade era um símbolo da “dolce vita” italiana, popular entre celebridades como Grace Kelly, Audrey Hepburn e Christian Dior.

E nas Caldas houve quem dela já se inspirasse, em todos os tempos históricos, como se lê na obra “Caldas da Rainha: Património das águas” (2005), em especial no texto do meu saudoso amigo Paulo Ferreira Borges: “A reunião das águas: Uma topografia literária das termas das Caldas da Rainha”. – “É espantosa a tendência do português para a promiscuidade! Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água-vai, conta-lhe a vida.” (Miguel Torga). É a vida de um aquista, digo eu, num lugar idealizado para a saúde, onde a convivialidade faz parte integrante da terapia.

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