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Olhar JSD

Este “ser” invisível

Ana Clara, vogal da JSD Caldas da Rainha e membro do núcleo JSD Alvorninha
3 de Outubro, 2020
Estamos a atravessar tempos delicados, tempos estes que levaram a muitas mudanças na nossa sociedade.
Ana Clara, vogal da JSD Caldas da Rainha e membro do núcleo JSD Alvorninha

Nunca iriamos pensar que, em pleno século XXI, o mundo fosse todo parar e que a nossa vida fosse mudar do dia para a noite, devido a esse tal “ser” invisível. Esse “ser” que já tem várias designações de todas as formas e feitios e que é capaz de deixar um vasto rasto de destruição.

Quando isto tudo começou a acontecer e fomos todos privados de ter a nossa vida normal, de sair à rua sem medos e de deixar de poder estar com os que mais gostamos foi para nós a coisa mais difícil que nos podia ter acontecido.

Como será que ficaram os nossos idosos?

Sou animadora sociocultural e durante a quarentena vi o impacto que a Covid-19 teve na vida dos nossos idosos. Os nossos idosos que estão em lares e em centros de dia tiveram uma mudança radical nas suas vidas.

Os que frequentavam os centros de dia deixaram de ter aquela companhia diária e aquela atenção especial, ficando mais isolados e sozinhos, salvaguardando aqueles idosos que têm a facilidade de ter os seus familiares em casa e que de certa forma conseguem ter apoio emocional e físico.

No apoio ao domicílio, que para alguns idosos eram as únicas companhias que tinham mesmo que por pouco tempo que fosse, viam sempre um sorriso, um abraço ou até mesmo um aperto de mão. Agora está fora de questão.

Nos nossos lares, o facto de não poderem ver as suas famílias, não poderem abraçar e não poderem sair ao fim de semana como alguns utentes podiam fazer, tudo isto fez com que se isolassem, ficassem mais tristes e depressivos e fez também com que algumas doenças como o Alzheimer progredissem, devido à falta de acompanhamento específico e especial.

As regras e restrições que tanto foram implementadas, as regras novas que todos os dias chegam às instituições, fazem com que todos os dias eles tenham que processar informações novas, não sendo fácil de se habituarem a esta nova realidade.

Por mais guerras e por mais doenças que tenham atravessado, nunca se está à espera que apareça mais outra e tão invisível como aquela que se está a atravessar agora.

A nossa função todos os dias é tornar o dia deles diferente e abstrair as atenções deles, por muito difícil que se torne, porque todos os dias ouvimos de hora a hora falar deste vírus, mas tentamos contornar estes obstáculos da melhor maneira para que estas ausências não sejam tão duras.

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