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FALU – Festival Artístico de Linguagens Urbanas nas paredes da cidade

Mariana Martinho

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Depois de Nuno Viegas e Akacorleone, chegou a vez do artista caldense, e autor da pintura gigante “Lost Queen”, que ocupa uma das paredes dos Silos, Daniel Eime, fazer uma das seis intervenções de grande escala, que estão a ser realizadas nas Caldas da Rainha, no âmbito da primeira edição do FALU - Festival Artístico de Linguagens Urbanas. Esta iniciativa, que decorre até ao dia 15 outubro e que trará ainda mais dois artistas nacionais à cidade, pretende ser “uma possibilidade promissora para a região Oeste”.
Coube ao artista Nuno Viegas a responsabilidade da primeira intervenção do FALU na fachada de um prédio na Praça 5 de Outubro (foto FALU)

Numa parceria entre a Câmara Municipal e a Associação Riscas Vadias, o FALU surge na sequência da nomeação de Caldas da Rainha a Cidade Criativa da Unesco, em 2019.

Com início há cerca de duas semanas, o FALU apresenta-se como um evento de arte pública, que pretende difundir essa área num contexto amplo e comunitário, que sensibilize a região para estéticas diferentes e de maior diversidade. “A linguagem urbana surge assim através da ligação do artista com o meio envolvente, uma cidade caraterística e versátil, onde o mote de criação se multiplica a cada esquina”, explicou a presidente da Associação Riscas Vadias, Carla Tavares, adiantando que o evento também vai permitir colocar em intervenção um leque variado de artistas nacionais que, dentro da sua liberdade criativa, se possam interligar com a cidade, transmitindo essa mesma experiência nos seus projetos.

Nesse sentido, o evento cujo nome trata-se de um jogo de palavras que facilmente se associa às Caldas da Rainha, mas que ao mesmo tempo tem múltiplos significados, traduz-se numa “primeira investida com boas ambições, certo da potencialidade dos artistas enquanto elemento de sucesso na divulgação do conteúdo criativo e cultural da cidade”, e por isso, “estamos certos do seu sucesso e dos grandes benefícios que trará ao concelho”.

O evento também “encontra a sua pertinência nas Caldas da Rainha, nas suas caraterísticas, especificidades e singularidades, no seu peso e abrangência, não apenas enquanto território físico e municipal, mas essencialmente como terra de gentes sonhadoras, criativas, empreendedoras e trabalhadoras”.

Para Carla Tavares, “mais que um evento artístico, o FALU pretende ser uma possibilidade promissora para a região Oeste”, cujos objetivos principais passam pela afirmação da cidade num novo cenário de turismo artístico/cultural de âmbito nacional e internacional, com o reconhecimento desta como ponto de visita obrigatório no tour de arte pública urbana, dialogando com os roteiros já existentes, como é o caso da Rota Bordaliana.

Numa edição dedicada exclusivamente a artistas portugueses, o FALU também será uma oportunidade para a difusão do conhecimento sobre o fenómeno da arte urbana junto da comunidade, bem como para uma reflexão sobre a função e importância da mesma, nas esferas da educação e inclusão social.

A iniciativa contará no total com quatro intervenções murais, uma parede do concurso Open Call e uma pós intervenção, sendo todas com tema livre, mas “sempre procurando respeitar as referências identitárias da cidade”. “Cada um dos artistas passa cerca de uma semana na cidade a fazer a sua obra”, explicou a responsável, adiantando que as duas primeiras intervenções já podem ser apreciadas.

A primeira, que está patente na fachada de um prédio na Praça 5 de Outubro, coube ao artista algarvio Nuno Viegas, e a segunda, que está na fachada do bloco 4, na Rua Augusto Gil (junto à biblioteca) ao ilustrador e designer gráfico AkaCorleone.

Além destes artistas, o FALU também vai contar com a presença do ilustrador Add Fuel (rua Capitão Filipe de Sousa), do artista plástico lisboeta Bordalo II (sitio ainda a ser divulgado), e o caldense Daniel Eime, a quem cabe ainda a curadoria do festival.

Conhecido pelos seus murais de grande escala e pelo uso de ‘stencils’ bastante detalhados, Daniel Eime será o terceiro artista responsável por uma das seis intervenções do FALU, que desta vez será na rua Coronel Soeiro de Brito, entre o Terminal Rodoviário e o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, e com início no dia 29 de junho.

A sexta e última parede foi “entregue” às mãos e criatividade dos artistas locais, “C.Marie & Egrito”, tendo sido os vencedores do concurso “Open Call”, que recebeu 28 propostas. Essa intervenção está agendada para entre 10 a 15 de julho, na rua José Pedro Ferreira.

Neste momento, a organização faz um “balanço bastante positivo do festival, em que as opiniões locais têm excedido as suas expetativas”, por isso “estamos abertos a continuar no próximo ano a divulgar o que de melhor se faz no mundo na arte urbana”.

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