Q

Previsão do tempo

15° C
  • Monday 13° C
  • Tuesday 13° C
  • Wednesday 13° C
15° C
  • Monday 13° C
  • Tuesday 13° C
  • Wednesday 13° C
15° C
  • Monday 13° C
  • Tuesday 13° C
  • Wednesday 13° C

Politicamente incorrecto

Francisco Martins da Silva

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Os arautos do politicamente correcto promovem o eufemismo, o engano e a ilusão, querendo tornar estimável o que é negativo. Dourar a pílula é o seu desígnio.

Um cego não deixa de o ser por lhe chamarem “invisual”. Também uma mentira é sempre uma mentira, apesar de lhe chamarem “inverdade”. E uma traição é mesmo uma traição, não há eufemismo que lhe valha. As coisas são como são. A realidade é tautológica, complicar é opção nossa.

Na vergonhosa sessão da Assembleia da República de 10 de Maio, a direita, a mando do primeiro-ministro e dos comentadores, traiu os professores. Todo o país assistiu. Grande parte do país, a parte que é hipócrita e ingrata para quem a ensina a ler, a escrever e a pensar, gostou do que viu, pois premiou o PS do primeiro-ministro nas eleições europeias, logo a seguir.

Em Portugal, só os partidos à esquerda do PS apoiam os professores. Dito de modo menos simplista, só BE, PCP e PEV fazem um jogo político favorável aos professores. Não há eufemismo para esta bizarra situação. Mas sempre podemos dizer “infelizmente é assim”. Infelizmente para o país, para a credibilidade da maioria dos nossos políticos e da nossa democracia.

Antes do espectáculo pusilânime de 10 de Maio na AR, um organismo do Estado, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, vulgo UTAO, que fundamenta as decisões do Ministério das Finanças com relatórios, estudos e estatísticas, informou que a calendarização ao longo de cinco ou sete anos da contagem integral do tempo de serviço dos professores e de todas as carreiras da função pública não poria em causa as contas públicas, pois, dada a avançada média de idades destas classes profissionais, poucos seriam abrangidos pela totalidade da contagem, além de que os efeitos dessa contagem iriam aumentar os 42% do vencimento que nunca chegam a sair dos cofres do Estado. E, acima de tudo, cumprir-se-ia a lei — o tempo de serviço é para ser contado, sem eufemismo.

Mas os partidos à direita do PS preferiram aplacar o desagrado dos comentadores e ceder à ameaça do primeiro-ministro, desprezando os professores. Pelo seu lado, o PS, que desde os governos Sócrates e da inconcebível ministra Lurdes Rodrigues criou um problema com os professores, tendo, nesta legislatura, uma oportunidade de ouro para o resolver, não só optou por não o sanar como ainda o aprofundou. O PS é hoje o partido que mais prejudicou os professores. E assim pretende continuar, pois as suas propostas para a Educação na próxima legislatura são tornar irrelevante o Estatuto da Carreira Docente e acabar com o concurso nacional de colocação de professores. O PS quer que os professores passem a ser escolhidos pelos directores das escolas ou pelos presidentes das câmaras municipais aderentes à municipalização do ensino…

No próximo dia 6 de Outubro, a opção eleitoral dos professores e dos seus familiares directos, igualmente prejudicados e ofendidos, é simples: o voto útil às suas carreiras e ao seu futuro e das suas famílias. As ideologias não são religiões nem os partidos políticos são clubes de futebol. Vota-se no que nos serve. Para os professores, não é tempo de fidelidades ideológicas inúteis.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Últimas

Artigos Relacionados

Arneirense com várias medalhas em pista coberta

A equipa feminina do Arneirense é campeã distrital e a masculina é vice-campeã distrital em sub18 pista coberta, após a última jornada do campeonato, que decorreu na passada quarta-feira e na qual a Escola de Atletismo do clube das Caldas da Rainha esteve presente com dez atletas.

arneirense

Nove escolas caldenses recebem Bandeira Verde Eco-Escolas

Nove escolas do concelho das Caldas da Rainha receberam o Galardão Eco-Escolas, pelo trabalho realizado ao longo do ano letivo 2020/2021 no âmbito da educação ambiental para a desenvolvimento sustentável.

bandeira

O Trump francês

Éric Zemmour é filho de judeus franceses argelinos, designa-se judeu berbere, tem um nome afrancesado — azemmur significa azeitona em cabila, a língua berbere da Argélia — e defende que os imigrantes devem afrancesar os nomes dos filhos. Acha inconcebível que um neto de imigrantes continue a chamar-se Mohammed. Diplomado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris (vulgo Sciences Po), jornalista, político, escritor, ensaísta, polemista, cronista…