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Alcobaça marcou o arranque do projeto “Sabores do Oeste”

Marlene Sousa
16 de Fevereiro, 2016
A Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO) iniciou na passada sexta-feira a sua digressão pelos sabores do Oeste. O almoço temático dedicado à gastronomia e cultura de Alcobaça marcou o arranque do projeto. A cozinha de Alcobaça é variada, saborosa, rica e muito característica.
António Pereira, da Quinta dos Capuchos, Daniel Pinto, diretor da EHTO, Inês Silva, vereadora da Câmara de Alcobaça, Daniel Subtil, produtor de porco malhado, e Susana Costa, da Maçã de Alcobaça

A cultura gastronómica dos doze municípios da região Oestevão estar em destaque ao longo de doze sextas-feiras no restaurante da EHTO, através do projeto “Sabores do Oeste”. A iniciativa é realizada pelos formadores e alunos das turmas de 2.º ano de “Cozinha e Pastelaria”, “Restauração e Bebidas” e “Operações Turísticas e Hoteleiras”, que estão a desenvolver diversos temas da gastronomia e vinhos de todos os municípios do Oeste, concretizados através da realização de um almoço por concelho. A iniciativa tem por objetivo desenvolver junto dos alunos o gosto e interesse pela descoberta da origem dos produtos alimentares, aliada à promoção dos produtos endógenos da região Oeste.

O projeto conta com o apoio institucional da Comunidade Intermunicipal do Oeste, das câmaras municipais dos doze concelhos, da Leader Oeste e de várias empresas e produtores que oferecem os seus produtos para a realização da refeição.

Para Daniel Pinto, diretor da escola, “é um projeto em que nós acreditamos, que faz todo o sentido apostar, porque mais importante do que conhecer as gastronomias do mundo, como já fizemos com o nosso projeto “Sabores do Mundo”, os alunos agora têm a oportunidade de conhecer melhor as iguarias da região Oeste e também os produtos que têm caído no esquecimento, como por exemplo o porco malhado de Alcobaça”.

O responsável disse que a iniciativa também tem como objetivo a inovação. “Porque não a escola ajudar os produtores e agentes a transformar os produtos em ementas inovadoras”, sublinhou, Daniel Pinto, destacando também a vertente cultural em que para este almoço convidaram um artesão de Coz, em Alcobaça, que apresentou cestas de vime. De acordo com Daniel Pinto, a gastronomia é “entendida como um elemento fundamental do património cultural de qualquer região”.

Para a criação da ementa, a EHTO questiona a cada município qual são os produtos que gostariam de ter e a partir das sugestões os alunos e formadores da escola criam o menu.

O chefe de cozinha e formador, Luís Tarenta, que acompanha os alunos nos almoços temáticos, manifestou que a intenção desta iniciativa é aperfeiçoar os ensinamentos dos alunos, proporcionando uma volta à região Oeste na gastronomia. “O projeto iniciou no primeiro semestre, onde os alunos iniciaram uma investigação sobre os municípios do Oeste e a partir dessa pesquisa enviaram a cada Câmara uma proposta e sugestões dos produtos a utilizar na ementa, para que tenham mais conhecimentos sobre a cultura gastronómica do país”, relatou.

Na sequência do projeto “Sabores do Oeste” será no final lançado um livro com todas as receitas que foram servidas ao longo das doze semanas.

Porco Malhado de Alcobaça em destaque no almoço temático

No hall da entrada para o restaurante de aplicação estava uma decoração alusiva ao artesanato de Alcobaça.

O primeiro prato do menu de Alcobaça, servido como entrada, foi a “sopa de legumes”, com a horta da localidade. Depois seguiu-se o “frango na púcara”, um prato típico da culinária da cidade de Alcobaça, onde foi criado na década de 1960, possivelmente inspirado na cozinha ancestral da região. Tal como o nome sugere, é preparado numa panela de barro denominada púcara. Em Alcobaça, é possível adquirir essas panelas, específicas para este prato.

Na carne foi servido “Cachaço de Porco Malhado de Alcobaça” assado a baixa temperatura, com puré de batata doce e maçã de Alcobaça grelhada.

Para a sobremesa foi servido um doce típico de Alcobaça – “Cornucópia com Texturas de Maçã de Alcobaça”. Recorde-se que anualmente decorre a Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais, um evento que permite Alcobaça apresentar a sua doçaria.

Para acompanhar esta refeição, foi servido o vinho Monte Capucho Branco 2014 e Memória Tinto e Branco reserva, da Quinta dos Capuchos de Alcobaça, que tem sido galardoada com vários prémios.

Neste almoço foi também apresentado o licor de ginja de Alcobaça, produzido nesta região desde 1930.

Em representação do Município de Alcobaça esteve presente a vereadora da cultura, Inês Silva, que destacou a iniciativa, revelando que “valoriza a nossa gastronomia e os nossos produtos”, o que demonstra o “o orgulho que é ser alcobacense”.

Inês Silva elogiou a refeição e a qualidade dos produtos, que “estavam excelentes”. O porco malhado foi uma proposta da Câmara. Segundo a autarca, é uma raça suína autóctone que está a ser “revitalizada por vários produtores na região, porque é uma carne muito saborosa”.

O presidente da Junta da Freguesia do Vimeiro, Daniel Subtil, que é também produtor de porco malhado, disse que era uma raça em via de extinção e agora existem já em Alcobaça sete produtores com 180 reprodutores identificadao. Adiantou ainda que é uma carne diferente, “mais saborosa, porque acumula a gordura e não a torna tão seca”.

Presentes neste estiveram também Susana Costa, representante da Maçã de Alcobaça, e António Gomes Pereira, responsável pela Quinta dos Capuchos.

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