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Grupo suspeito de ligações à Máfia siciliana detido no Bombarral

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A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, deteve na passada quinta-feira, na aldeia do Carvalhal, no Bombarral, um indivíduo de nacionalidade italiana, que tinha pendente um mandado de detenção europeu por estar ligado à “máfia siciliana”. A “Operação Máfia do Oeste” materializou-se na realização de várias buscas domiciliárias em diversas localidades […]
Grupo suspeito de ligações à Máfia siciliana detido no Bombarral

A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, deteve na passada quinta-feira, na aldeia do Carvalhal, no Bombarral, um indivíduo de nacionalidade italiana, que tinha pendente um mandado de detenção europeu por estar ligado à “máfia siciliana”. A “Operação Máfia do Oeste” materializou-se na realização de várias buscas domiciliárias em diversas localidades da zona centro que culminou com a detenção de sete indivíduos de várias nacionalidades, presumíveis autores materiais de crimes de burla qualificada, furto e viciação de veículos, receptação, associação criminosa e branqueamento de capitais. Durante as diligências probatórias, que duraram cerca de quatro meses, procedeu-se a uma actuação concertada com as autoridades judiciárias que permitiram o esclarecimento da actividade criminosa em investigação. Foram apreendidos diversos veículos, vários computadores e pen’s, muita documentação comercial, carimbos sobre firmas clonadas para concretização dos desígnios criminosos e uma arma de fogo, entre outros materiais e documentos. Os arguidos, de 25, 28, 33, 41, 45, 47 e 50 anos, estão a ser apresentados às autoridades judiciárias competentes para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coacção adequadas. Giovanni Lore, 45 anos, procurado em Itália e Espanha por ser suspeito de liderar a Mafia siciliana, vivia há nove meses em Portugal, depois de ter fugido das autoridades espanholas da zona de Vigo, onde, em Agosto, 14 homens que supostamente trabalhavam para Giovanni foram detidos numa operação policial. Os investigadores da Polícia Judiciária de Leiria há quatro meses seguiam os seus passos e vigiavam a casa onde morava na aldeia do Carvalhal e também numa outra casa, no Cintrão, Bombarral, onde manteria uma relação amorosa com uma mulher brasileira. Foi detido na noite da passada quinta-feira na companhia de outros três italianos – também supostos mafiosos da siciliana Cosa Nostra – dois portugueses e a brasileira. São acusados de tráfico de droga, armas, negócios relacionados com a prostituição e branqueamento de capitais. Segundo as autoridades espanholas, o mafioso, através de uma empresa de importação de peixe em Vigo, na Galiza, terá “lavado” dois milhões e meio de euros. Sá Teixeira, coordenador da PJ de Leiria, deu um exemplo do que faziam: “Dedicavam-se à clonagem de empresas com créditos firmados no mercado, usurpando a sua identidade, tentavam fazer compras não as pagando”. A quantificação monetária dos crimes ainda está a ser feita, mas o valor que já havia sido contabilizado rondava o meio milhão de euros. Aparentando idoneidade e solidez financeira, o grupo negociava, sobretudo, em produtos alimentares, acordando formas de pagamento prolongadas. Depois, revendia os bens para o estrangeiro, obtendo lucros elevados, mas já não pagava aos fornecedores originais. A actividade já estaria a ser desenvolvida em anos anteriores em Espanha. Giovanni Lore é, ao que se sabe, o terceiro elemento com cargos de chefia na máfia italiana localizado em Portugal. O primeiro caso reportado pela PJ ocorreu no início da década de 1990. O chefe de uma família calabresa, que, anos antes, forjara a própria morte num acidente de aviação, vivia com identidade falsa em Cascais, onde dirigia uma empresa de pesca. Foi executado com dois tiros de revólver 38 na cabina telefónica onde semanalmente efectuava contactos com elementos que se lhe mantinham fiéis. Anos mais tarde, seria preso Mário Giovinni, outro chefe de uma família siciliana, tida como das mais violentas. Até ser extraditado, foram abortadas diversas tentativas de fuga das cadeias portuguesas por onde passou. Contudo, a PJ assegura que não detectou indícios de actividade mafiosa no país. O director nacional adjunto da Polícia Judiciária, Pedro do Carmo, garantiu que “não existe em Portugal uma estrutura organizada, hierarquizada, com regras muito estritas que tentem concretizar o seu desígnio criminoso com recurso à violência, como é o caso da máfia”. Aldeia surpreendida Na aldeia do Carvalhal poucos conheciam Giovanni Lore. Intitulava-se empresário na área dos congelados. Morava na Vivenda do Sossego, que apesar de se situar perto do centro da localidade, escapava das atenções da população, que não desconfiava de nada. Mas era ali que frequentemente entravam prostitutas de luxo, transportadas de táxi. O alegado membro da máfia siciliana recorria a um taxista do Bombarral para o transporte de prostitutas e de casais chegados ao aeroporto de Lisboa. Carlos Nogueira prestava-lhe serviços há nove meses e embora achasse estranho as movimentações na casa na aldeia do Carvalhal, não suspeitava do que os negócios do italiano envolviam. “Nunca tive razão para desconfiar, disseram-me que trabalhavam no sector dos congelados”, contou, sublinhando que na casa com o italiano “estavam sempre duas a quatro pessoas”. Em Fevereiro, foi chamado a um hotel do Bombarral, onde Giovanni Lore e outro italiano estavam alojados, para “descarregar coisas para a casa do Carvalhal”. “No dia a seguir já tinha um serviço para ir levar a Lisboa duas moças. Vi logo o estilo delas, como estavam vestidas, e a partir daí fiz centenas de transportes, basicamente prostitutas, uma ou duas de cada vez”, revelou. Carlos Nogueira conquistou a confiança de Giovanni Lore e ia buscar ou levar as prostitutas a casas de alterne de luxo em Lisboa e a casas particulares em vários pontos do país, desde Santarém ao Algarve. “Nos últimos quatro dias desta semana fui 14 vezes a Lisboa”, relatou. “Dava-me 1500 euros de serviços por mês. No princípio pagava-me em dinheiro, mas nos últimos tempos em cheque”, indicou o taxista, que chegou a ir buscar cheques endereçados ao italiano. A dada altura passou a entrar na vivenda do Carvalhal. “Era um corrupio de italianos que via a entrar e a sair. O grupo seria mais de 50 pessoas. A casa tinha três quartos e estava a ser equipada com computadores e ar condicionado. Os portões de entrada eram eléctricos e havia sistema de vídeo-vigilância”, descreveu. O taxista recordou que “quando fiz anos até fui lá a casa oferecer-lhes bolos, como pessoa amiga e de boa fé”. Apesar de tudo, queixa-se de ter ficado sem receber 3500 euros, com a detenção do italiano. Carlos Nogueira terá sido quem mais privou os suspeitos. A população da aldeia do Carvalhal não tem tanto para contar. “Via carros e pessoas mas passavam despercebidos, nem se notavam movimentos estranhos”, comentou Elvira Nazaré. Conceição Rocha, moradora na localidade, esteve para lhes vender uma casa. “Falavam italiano e brasileiro e estavam muito preocupados com uma porta para a casa de banho, porque a principal pessoa interessada era gorda”. O negócio não se concretizou, mas há cerca de um mês terá sido feita uma proposta de aquisição da “Vivenda do Sossego”, que Giovanni Lore tinha alugado a um emigrante na Inglaterra. “Queriam comprar a casa onde estavam a morar e a própria casa do emigrante, mas a família não estava interessada”, revelou Conceição Rocha. Giovanni Lore deslocou-se em Fevereiro à Junta de Freguesia do Carvalhal para pedir o atestado de residência. “Foi acompanhado de duas testemunhas portuguesas residentes no concelho”, divulgou uma fonte da autarquia. Era na vila do Bombarral que Giovanni Lore fazia compras. Nos últimos meses foi cliente assíduo de um café, onde fazia “grandes despesas, sobretudo em bebidas alcoólicas”. Segundo a proprietária do estabelecimento, Sónia Fernandes, fazia-se rodear de “outros italianos, que não eram sempre os mesmos, e de mulheres que se via serem acompanhantes de luxo”. Os arguidos, detidos na zona do Bombarral e Torres Novas, estão a ser ouvidos pelo juiz de instrução do Tribunal de Leiria. A mulher brasileira, que é apontada como namorada do alegado membro da máfia siciliana, saiu como testemunha. Encontra-se ilegal no país, pelo que foi ouvida pelo juiz de instrução criminal para memória futura e recebeu ordem de expulsão do país. Os dois arguidos portugueses vão aguardar em liberdade pela conclusão do interrogatório. Francisco Gomes

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