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Mina obriga caldense a andar de muleta António Marques Lourenço está reformado há vários anos por invalidez, por ter sido atingido por uma mina quando cumpria serviço militar em Angola, como fuzileiro especial. 34 anos passados, recorda os tempos de guerra, nas colónias ultramarinas. Nascido em 1949, no Casal da Coita, na freguesia de Santa […]
Histórias da Guerra

Mina obriga caldense a andar de muleta António Marques Lourenço está reformado há vários anos por invalidez, por ter sido atingido por uma mina quando cumpria serviço militar em Angola, como fuzileiro especial. 34 anos passados, recorda os tempos de guerra, nas colónias ultramarinas. Nascido em 1949, no Casal da Coita, na freguesia de Santa Catarina, onde reside. Alistou-se a 9 de Janeiro de 1967 como voluntário na Marinha. Tinha 17 anos e começou como segundo grumete. Como fuzileiro foi para a Guiné-Bissau a 10 Maio de 1968. Estava integrado no Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 12 (DFE-12) e era o 142/67, com a alcunha de “O Barrote”. Fez duas comissões na Guiné e uma em Angola. “Conheci a Guiné de ponta a ponta. Fui primeiro-grumete e cheguei a marinheiro. Para além do DFE 12, estive no DFE 7, 4, 21 e 10, e na Companhia 6 dos Fuzileiros Navais”, relata. Foi render o ‘Escritas’, um escriturário fuzileiro que tinha sido morto com um tiro na cabeça a 13 de Dezembro de 1967, na região de Tombali, situada no Sul da Guiné. Tinha chegado há três dias e foi destacado para uma missão numa LDM (Lancha de Desembarque Média) no rio Mansoa, sob o comando do segundo-tenente Rebordão de Brito, o homem sempre escolhido para as tarefas mais difíceis e de maior responsabilidade, e braço direito de Alpoim Calvão, chefe das forças especiais portuguesas na Guiné. “A prioridade era garantir os abastecimentos nos quartéis às forças portuguesas terrestres e para tal era essencial controlar também os outros rios do Norte – Cacheu, Sambuiá e Armada. Da nossa capacidade dependia o êxito de inúmeras missões, a vida de muitos homens e a chegada ao destino de milhares de toneladas de material de guerra e de abastecimento”, sustenta. “Sabíamos que os rios eram vigiados por unidades especiais cuja única missão era destruir à ‘bazookada’ os barcos portugueses. O pessoal das lanchas era assim o mais sacrificado. A bordo iam 16 homens. Era de dia e o nosso objectivo era patrulhar o rio e descobrir as tropas do PAIGC”, conta. “A dado momento o comandante, que com o auxílio do binóculo procurava localizar o inimigo, ordenou que desembarcássemos. Começámos a “bater” a zona e encontrámos guerrilheiros do PAIGC a dirigirem-se para uma fonte. Saímos do caminho e esperámos escondidos pela sua chegada. Eram cinco homens, três deles armados e os outros dois carregavam bilhas para transportar a água”, descreve António Lourenço. “Disparámos e eles morreram, mas acabámos por ficar assustados quando chegámos ao pé deles e vimos o homem que estava à frente com uma farda – camuflado e botas – e uma G3 do Exército Português. De repente pensámos que tínhamos morto um dos nossos e estávamos lixados. Só que afinal era mesmo o inimigo e ficámos todos contentes porque a operação correu bem e porque apanhámos uma arma que era nossa, o que era importante”, lembra. Segundo o caldense, na sua primeira comissão havia um “saco azul” nos fuzileiros. “Era dado dinheiro por cada arma que recuperássemos. Ao fim de um ano o comandante oferecia um almoço e se sobrasse dinheiro ficava para cada um dos militares. Houve duas festas, onde se comeu e bebeu até dizer chega. Quando cheguei a Lisboa comprei um fato novo com esse dinheiro”, exclama. Mas nem tudo correu bem. António Lourenço recorda-se de uma emboscada que lhes fizeram no Verão de 1968 na mata de Trancoal, junto ao rio Cacheu. Andavam à procura do mítico comandante do PAIGC, Nino Vieira, para o matar. “Vínhamos a andar para a lancha e fomos atacados por um grupo que estava à nossa espera atrás de palmeiras. Tivemos um morto – o Pacheco – e sete feridos. Respondemos ao ataque mas não sei se houve feridos da parte do inimigo”, recorda. “Foi um helicóptero buscar os nossos feridos mais graves e o piloto não quis transportar o morto. Tivemos de levá-lo às costas ao longo de cinco quilómetros pelo meio de mata serrada até chegarmos ao rio onde estava a lancha”, lamenta António Lourenço. Segundo o ex-militar, “o nosso espírito não era de medo, mas havia camaradas que quando sabiam que havia uma operação, espetavam um garfo no joelho e iam para a enfermaria para escapar. Nós chamávamos-lhe cobardes, mas riamos deles. O comandante dava-lhes uma lição moral e ficavam no quartel”. Em Angola, entre 1972 e 1974, já como marinheiro, foi “um pouco mais calmo”, apesar de ter sido onde ficou ferido por causa de uma mina anti-carro. Antes disso passou por um episódio caricato, no quartel em Teixeira Pinto (Canchungo), onde a companhia de comandos tinha sob detenção quatro mulheres para interrogatório. De noite, uma secção onde estava integrado saiu do quartel e encontrou as mulheres soltas, acompanhadas pelos maridos guerrilheiros, que tinham ido libertá-las. “Eles tinham mudado de roupa para não serem reconhecidos – usavam calções e chinelos – e esconderam as armas. Fingindo que iam à enfermaria do quartel – que estava aberta à população – introduziram-se no interior e conseguiram resgatar as mulheres. Quando nos viram, reagiram e um oficial nosso levou uma facada na mão. Como estavam prontos a disparar tivemos de ser mais rápidos e matámos três deles. Ainda hoje não compreendo como conseguiram entrar facilmente no quartel. Podiam ter-nos mortos a todos”, manifesta António Lourenço. O caldense também podia ter morrido perto do final da comissão, em 1974, pouco antes do 25 de Abril. Uma mina destruiu o Unimog onde seguia, no Chilombo. O motorista, que tinha cinco comissões de serviço, faleceu, e António Lourenço ficou com o joelho direito ferido. Desde então anda sempre com muleta. Da guerra traz dois louvores que o vão marcar para o resto da vida, assinados pelo comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, brigadeiro António Sebastião de Spínola. O primeiro foi dado em 12 de Dezembro de 1968 pelo “desempenho de contra-penetração” nos corredores de Sanbuiá e Canja, pela forma “altamente eficiente”, como é dito, como realizaram a missão, que resultou em ter sido “sensivelmente afectada” a cadeia de reabastecimento do inimigo naquela área. O outro louvor foi a quatro fuzileiros do DFE 12. Para além de António Lourenço, foi entregue ao 1801/64 marinheiro António Ramos, ao 1449/64 marinheiro Manuel Navalha e ao 1687/65 primeiro-grumete José Joaquim Filipe. Deveu-se ao facto de a 11 de Janeiro de 1969 ter deflagrado um “violento incêndio” numa das casas da povoação de Telegra e os quatro terem salvo todos os haveres existentes na habitação e, segundo as chefias, terem tido uma “acção excepcional e digna” para evitar que o fogo destruísse as outras casas. “O comandante do DFE 12 entre 1967/1969 era Fernando Gomes Pedrosa, um extraordinário combatente. Francisco Marcelino era primeiro-sargento. Hélder Saramago, o quartel-mestre, Fernando Crispim, o telegrafista, Pedro Duarte, o imediato, Manuel Florindo, o enfermeiro. Recordo-me de todos eles. Do João Cabral – o “Açoreano”, do José Teixeira – o “Músculos”, do Manuel Silva – o “Minete”, do Manuel Matos – o “Ajax”, do Manuel Ramos – o “Porto”, entre tantos outros”, indica António Lourenço, que não perdi o rasto dos cerca de 70 camaradas do DFE 12. “Encontramo-nos todos os anos para um almoço, que é realizado habitualmente no primeiro sábado de Novembro, e mantemo-nos em contacto telefónico ao longo do ano”, revela- Pedreiro, profissão que teve antes mesmo de cumprir o serviço militar, está reformado há dez anos por invalidez. Nos tempos livres ocupa-se da sua horta, onde semeia batatas e planta couves. Casado, tem cinco filhos: três raparigas de 15, 26 e 30 anos, e dois rapazes de 21 e 34 anos. Tem três netos – duas raparigas de 3 e 8 anos, e um rapaz de 10 anos. Francisco Gomes

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