O Município de Óbidos apresentou no dia 13 de fevereiro, na Biblioteca da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, todos os detalhes da edição 2026, sob o tema “Arte”.
Durante a conferência de imprensa de lançamento do festival, que este ano conta com um investimento de 450 mil euros, foram revelados os destaques que irão celebrar a expressão artística em toda a sua essência, explorando as formas, texturas, cores e emoções que marcam a História da Arte, reinterpretadas através do chocolate.
Na apresentação, a artista plástica Maria Manuel criou ao vivo uma pintura em pasta de chocolate inspirada em símbolos de Óbidos.
O festival traz assim um museu inteiramente em chocolate, composto por 12 peças, algumas que foram admiradas na apresentação, como o majestoso dragão e as joias da coroa, criando um ambiente totalmente imersivo, onde a arte é celebrada em cada detalhe de chocolate.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Ricardo Duque, destacou que a escolha da Sociedade Nacional de Belas-Artes para apresentar o festival simboliza “a centralidade da arte e da cultura na vida coletiva”, sublinhando que Óbidos assumiu a cultura como eixo estruturante do seu desenvolvimento.
Ricardo Duque afirmou que o Festival Internacional de Chocolate de Óbidos “é um projeto cultural, criativo e económico que transforma o chocolate em matéria artística e experiência sensorial”.
O autarca evocou ainda a longa relação de Óbidos com a criação artística, da música à pintura, das artes cénicas à contemporaneidade, defendendo que o concelho “é um palco vivo onde linguagens diferentes se encontram e se reforçam mutuamente”. Sublinhou que, tal como o “Fólio ou o Festival de Ópera, também o Festival do Chocolate segue esta visão de democratização cultural, aproximando a criação artística de todos os públicos”.
Ao refletir sobre o impacto económico e identitário dos eventos de Óbidos, lembrou que iniciativas simples como beber ginja em copo de chocolate se tornaram “marcas reconhecidas mundialmente”. Por isso, garantiu que o festival “forma públicos, estimula vocações e cria experiências com significado”, reforçando em 2026 a ambição de “colocar o chocolate ao nível de qualquer linguagem criativa, capaz de dialogar com a escultura, a arquitetura, a pintura, a música e a literatura”.
Novidades
O presidente do Conselho de Administração da Óbidos Criativa, Pedro Rodrigues, destacou a importância dos parceiros, chefs e entidades presentes, frisando que o festival “se constrói graças a uma rede ampla de artistas, instituições formativas, marcas, hotelaria e restauração”.
Pedro Rodrigues apresentou os principais eixos da edição de 2026, reforçando o caráter imersivo do evento. Referiu ainda os palcos de demonstração e concursos, que acolhe sete competições e oferece “oportunidades reais para jovens estudantes e novos profissionais”.
O responsável anunciou também espaços dedicados a chocolatiers e institutos formativos, workshops em parceria com a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste e a participação de instituições internacionais. Entre as novidades, destacou a presença de uma delegação da Costa do Marfim, que trará gastronomia, dança, música e workshops, reforçando a dimensão institucional e intercultural do evento. Estará também presente uma mostra do Equador, trazida pela Paccari, patente na exposição sensorial do Ecossistema Cacau.
A programação inclui ainda áreas temáticas como o palco Ritmos Rádio Comercial, onde música e dança não vão faltar. Haverá um espaço de fado em parceria com a Casa da Mariquinhas, que convida os visitantes a descobrir e degustar cocktails inovadores feitos com chocolate. O vinho, a literatura e a música estarão presentes na Enoteca com Joaquim Arnaud.
Entre outras experiências, os visitantes poderão também brincar e provar o chocolate em ateliers ou oficinas, em que cada um é convidado a mostrar a sua criatividade na arte, inspirados em grandes artistas como Gaudí ou Miró. A técnica da fotografia fará uso dos taninos de chocolate para mostrar como revelar imagens fotográficas, numa técnica invulgar baseada na cianotipia.
A dança e a arte performativa também estarão patentes no evento, entre atuações no Palco Ritmos e performances de arte de rua que se desenvolvem pelo recinto.
Uma viagem completa pelo mundo do cacau exige ainda uma paragem obrigatória para conhecer as marcas e os chocolatiers presentes no evento, apreciar as montras do Mercado de Chocolate, e conhecer os talentos emergentes dos Institutos Formativos.
“Evento de referência internacional”
Segundo Pedro Rodrigues, o festival afirma-se pela diversidade e pela articulação entre cultura, gastronomia e formação. “O festival faz-se não só pela produção, mas por todos os parceiros que acrescentam valor a Óbidos”.
O chef Francisco Siopa, executive pastry chef no Penha Longa Resort e curador do Festival de Chocolate desde 2002, vincou que o evento aprofunda a ligação entre chocolate e criação artística, sublinhando que “criar com chocolate exige técnica e conhecimento profundo da matéria-prima, os mesmos pilares das artes plásticas, da música ou da arquitetura”.
Destacou ainda que o Festival de Óbidos “continua a ser para famílias, mas é hoje também um evento de referência internacional”, reunindo chefs, chocolatiers, artistas, estudantes e marcas num ambiente onde o chocolate é discutido “como cultura e linguagem”.
Francisco Siopa anunciou demonstrações de chefs de restaurantes distinguidos pelo Guia Michelin, e a presença da Chocolate Academy de Bruxelas, a par da Callebaut Chocolate Academy, como parceiras formativas desta edição. Reforçou também a ambição pedagógica do festival, defendendo que “sem conhecimento não há futuro”.
“Não queremos impressionar pelo tamanho, mas pela qualidade, coerência e impacto cultural”, assegurou.
Presente na conferência de imprensa, João Paulo Queiroz, presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes, entidade que tem como missão “acolher a cultura”, aplaudiu a iniciativa, e enalteceu Óbidos, local de onde nascem iniciativas “sempre muito diferenciadas a nível cultural”.
A sessão de lançamento do festival terminou com um momento de degustação apresentado pelo restaurante Kabuki Lisboa, premiado com uma estrela Michelin, acompanhado pelos vinhos de assinatura Joaquim Arnaud.









