António José Seguro consegue resultado histórico e volta a festejar nas Caldas da Rainha

10 de Fevereiro de 2026

António José Seguro, que vai continuar a residir nas Caldas da Rainha depois de eleito, venceu a segunda volta das eleições presidenciais com um resultado histórico (3.443.273 votos), ultrapassando até o resultado de Mário Soares na sua reeleição em 1991.

O próprio António José Seguro mostrou-se surpreendido pelo resultado tão expressivo que obteve.

Nas Caldas da Rainha também venceu com uma larga maioria de 72,69 % (19.163 votos, mais sete mil do que na primeira volta).

Mais uma vez, o candidato escolheu o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, a poucos metros da sua casa, para acompanhar a noite eleitoral.

No CCC estiveram centenas de apoiantes, ainda mais do que há três semanas, com algumas figuras mais conhecidas como João Soares, filho de Mário Soares, que disse ao JORNAL DAS CALDAS estar muito satisfeito com o resultado destas eleições, ao mesmo tempo que recordava a sua relação com a família de Margarida Maldonado Freitas, esposa do vencedor.

No seu discurso de vitória, António José Seguro começou por enviar os sentimentos às famílias das 15 vítimas mortais resultantes das várias tempestades que têm assolado o país, saudando a forma como os portugueses têm enfrentando condições tão adversas.

O Presidente da República eleito disse que não vai aceitar “burocracias que impeçam a chegada dos apoios a quem já perdeu tanto ou mesmo tudo”.

Por outro lado, recusou que a solidariedade heróica dos cidadãos sirva de biombo para as eventuais falhas do Estado e anunciou que irá visitar as zonas afetadas para garantir a entrega dos apoios prometidos pelo governo.

“A solidariedade dos portugueses foi heróica, mas a solidariedade dos portugueses não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado”, afirmou.

 

Presidente eleito garante ser para todos os portugueses

 

António José Seguro realçou a sua independência política, embora não vá entregar o seu cartão de militante do Partido Socialista, prometendo uma magistratura livre de influências externas e focada exclusivamente no serviço aos cidadãos

Para provar isso, afirmou que a maioria que o elegeu “extingue-se nesta noite”, despindo o fato de candidato para vestir a pele de árbitro nacional e estendendo a mão ao adversário e aos abstencionistas.

Ao evocar a sua biografia como o “menino de uma pequena vila do interior”, nascido em Penamcor, pretendeu sublinhar que visa ligar o Portugal profundo às elites de Lisboa.

O novo Presidente destacou que, nos próximos três anos, não haverá eleições em Portugal e entende que é imperativo que os políticos não desperdicem este tempo, apelando a um ciclo de estabilidade e reformas “que não deixe nenhum cidadão para trás”.

António José Seguro assegurou “uma cooperação leal, mas vigilante” com o governo para resolver os problemas na saúde, habitação e pobreza, entre outros temas estruturantes.

Por fim, reforçou o seu compromisso em ser o representante de todos os portugueses, repetindo mesmo a forma do falecido Papa Francisco. “Vou ser o presidente de todos, todos, todos os portugueses”, disse, ao som de aplausos.

Também assumiu uma rutura evidente com o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que “não falarei por tudo e por nada”, para assim dar mais consequência e autoridade às suas palavras.

Nas respostas às perguntas dos jornalistas, para o qual pediu várias vezes o respeito de quem estava na sala (evitando o ruído de alguns apoiantes perante o que era questionado), garantiu que iria fazer tudo para a estabilidade política do país. “Não será por mim que esta legislatura será interrompida”, afirmou, acrescentando que não vai deixar que o debate público “entre na lama”.

 

Votou e foi tomar o pequeno-almoço à Praça da Fruta

 

O dia de António José Seguro ainda como candidato tinha começado a meio da manhã. Eram cerca das 10h20 quando chegou, acompanhado da sua mulher.

Entre o portão da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro e a mesa de voto número dois demorou alguns minutos, porque parou várias vezes para cumprimentar apoiantes, conhecidos e amigos.

Os jornalistas, operadores de câmara e fotógrafos já o esperavam na sala da mesa de voto. Se há três semanas já eram muitos, este domingo quase que duplicaram e incluíram vários da imprensa internacional. Nessa manhã começou a adivinhar-se a confusão que tantos jornalistas iriam gerar, sempre que o candidato se deslocava.

Ainda antes de entrar foi abordado por um jornalista da CNN Portugal, Nuno de Sousa Moreira, e lamentou “a situação horrível pelo qual temos passado”, evocando as vítimas mortais.

Depois de depositar o seu boletim de voto, António José Seguro respondeu às perguntas dos jornalistas no átrio da escola, voltando a lamentar as vítimas do mau tempo e apelando aos portugueses para irem votar “aproveitando esta ‘janela’ de bom tempo”.

Depois destas declarações, o casal seguiu a pé até à Praça da Fruta e foi tomar o pequeno-almoço ao café Citrus.

 

Jornalistas à porta de casa

 

À noite, vários jornalistas juntaram-se à porta da casa da família, ao lado da sede do JORNAL DAS CALDAS, e esperaram à chuva até que este saísse para acompanhar a noite eleitoral no CCC.

Visível era também algum aparato policial, com vários elementos da PSP distribuídos pela rua. Aliás, ao optar por ficar a residir na rua Leonel Sotto Mayor, o presidente eleito fará desta uma das artérias mais seguras do país.

Com uma massa compacta de jornalistas e repórteres de imagem à sua porta, nem sequer os seus seguranças conseguiram que a sua deslocação de poucos metros até ao CCC fosse facilitada.

Logo à saída da sua casa afirmou à comunicação social que “o povo português é o melhor povo do mundo”, elogiando a participação nesta votação. “Os portugueses têm uma responsabilidade cívica enorme e um apego aos valores da nossa democracia”, comentou.

Embora tenha pedido aos jornalistas para esperarem pelas declarações que faria mais tarde, muitos insistiram e houve vários profissionais a empurrarem-se uns contra os outros para conseguirem mais algumas palavras, enquanto outros fotografavam e filmavam.

António José Seguro até mostrou estar preocupado com a saúde dos jornalistas que estavam à chuva, enquanto tentava dirigir-se ao centro cultural a passo lento por não o deixarem avançar mais rapidamente.

A certa altura, um dos seguranças que tentava controlar a situação deu um ligeiro empurrão a um fotógrafo, mas António José Seguro parou de imediato e disse “assim não”. O “circo” acabou por se intensificar à porta do CCC, com mais jornalistas a juntarem-se. Por fim, o candidato conseguiu descer até às salas multiusos, onde estava o seu “quartel-general”.

A confusão voltaria a acontecer cerca de duas horas depois, com a chegada do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que desta vez, ao contrário de há três semanas, esteve nas Caldas da Rainha para “dar um abraço a um amigo antigo”.

A noite poderia ter sido mais curta, mas só depois do final do jogo Benfica-Alverca é que André Ventura reagiu às eleições e António José Seguro subiu ao palco do CCC para fazer o seu discurso.

O presidente estava mesmo a “jogar em casa” e o grande auditório do CCC quase não aguentava tanta gente no seu interior.

Fora dos holofotes mediáticos durante vários anos, António José Seguro tornou a cidade em que habita numa espécie de segunda capital do país.

A sua esposa, a empresária farmacêutica Margarida Maldonado Freitas, quer continuar a trabalhar como até aqui e só acompanhará o novo presidente em alguns atos oficiais. “Eu sei que contarei com a Margarida sempre que as exigências do Estado assim o exigirem, mas ela é uma mulher com vida própria e eu respeito muito isso”, salientou.

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