Comerciantes da Praça da República pedem reforço policial após onda de assaltos

15 de Janeiro de 2026

Vários comerciantes com estabelecimentos na zona envolvente da Praça da República, conhecida como Praça da Fruta, queixam-se de uma sucessão de assaltos ocorridos nos meses de dezembro e janeiro e apelam a uma maior presença policial no centro da cidade.

Daniel Vieira, que trabalha no Quiosque da Praça, afirma que vai levar o tema da insegurança à próxima reunião ordinária da Assembleia Municipal, alertando para a situação que se vive naquela zona. “Considero que a cidade está completamente insegura. As pessoas já nem se sentem seguras a circular no centro”, manifesta.

Segundo revelou, nos últimos dois meses registaram-se inúmeros assaltos a espaços comerciais situados em pleno coração da cidade, muitos deles com recurso à quebra de vitrinas. “Nunca vi, num espaço de tempo tão curto, tantos assaltos na cidade. Partem vitrinas para roubar”, sublinha.

Entre os estabelecimentos afetados estão a Loja dos Indianos, a Queijaria Dona Quitéria, de onde foram furtados quatro presuntos de pata preta, a loja Joaquim Batista, a garrafeira, a loja chinesa Hiperfamília e o Café do Parque.

Daniel Vieira destaca a forma como os assaltos são cometidos. “Os indivíduos atuam sem qualquer problema. Aparecem nas câmaras de vigilância, chegam a olhar para elas e continuam, com toda a serenidade, como se nada fosse”, refere.

A situação é de tal forma recorrente que, segundo indicou, até as vidrarias da zona têm dificuldade em dar resposta a tantas vitrinas partidas.

Para tentar minimizar os prejuízos, alguns comerciantes têm recorrido a soluções improvisadas, como madeira a tapar as vitrinas ou um plástico.

O funcionário do quiosque relata ainda um episódio ocorrido no dia 29 de dezembro, em plena luz do dia, que, segundo diz, reflete o clima de insegurança vivido na zona. “Por volta das 15h00, estava sozinho no quiosque quando um indivíduo português entrou à força”, conta. “Ele teve um conflito com outros indivíduos e, para se proteger, barricou-se cá dentro. Abriu a porta e entrou sem autorização”, explica.

“Começou a chamar-nos nomes e a ofender-nos. Eu pedi-lhe para sair, com receio de que as pessoas que o perseguiam viessem destruir o quiosque, mas ele recusou-se”, relata. Entretanto, chegou ao local um familiar da proprietária do espaço, que ajudou a controlar a situação. “Tivemos de o retirar à força para a rua”, acrescenta.

Segundo Daniel Vieira, a polícia só chegou após várias chamadas. “Chamámos a PSP cinco vezes. Uma testemunha que estava na rua ligou também, portanto, foram seis chamadas no total. Só depois da sexta chamada é que a polícia apareceu”, garante, referindo que a resposta demorou cerca de meia hora. “Acabaram por vir três carros-patrulha”, diz.

O comerciante destaca ainda o comportamento do indivíduo após a chegada das autoridades. “Mesmo com a polícia presente, continuou a insultar os agentes, o que demonstra o sentimento de total impunidade”, lamenta.

Daniel Vieira sublinha que tentou resolver a situação de forma pacífica. “Eu disse-lhe que chamava a polícia, mas que tinha de ficar cá fora à espera, porque aqui dentro era perigoso. Se os outros viessem com ferros, partiam o quiosque todo e destruíam os produtos”, conclui.

A responsável pelo Quiosque da Praça, a empresária Rosário Delgado, também manifestou ao JORNAL DAS CALDAS a sua preocupação com a situação, apontando para um elevado sentimento de impunidade. “As pessoas que andam a assaltar já foram identificadas e passam aqui com a maior calma. São conhecidas por toda a gente”, afirma.

Segundo Rosário Delgado, a maioria dos suspeitos é de nacionalidade portuguesa. “Não vamos dizer que são estrangeiros. A maioria são portugueses. Há apenas uma mulher que atua, que penso ser estrangeira”, esclarece, sublinhando a gravidade da situação: “Estamos a falar de cerca de 30 assaltos num espaço de um mês. Isto é muito grave”

A empresária acrescenta que os autores dos crimes demonstram um grande à-vontade. “Passeiam pela rua, são presentes a tribunal e depois voltam a estar cá fora. O grande problema é que não se vê polícia na rua”, critica.

 

Smash Café assaltado três vezes num mês

 

Ana Marques, responsável pelo Smash Café, situado no Parque D. Carlos I, na zona superior ao Clube de Ténis, relata ter sido alvo de vários assaltos num curto espaço de tempo, entre dezembro e o início de janeiro. “Fomos assaltados três vezes”, afirma.

O primeiro episódio ocorreu a 17 de dezembro. “Levaram bebidas alcoólicas, limparam praticamente tudo”, conta. Devido à época natalícia e ao aumento da afluência ao espaço, a responsável voltou a repor o stock, mas a situação repetiu-se. “No dia 31 de dezembro voltaram a roubar as garrafas”, refere.

O mais recente assalto aconteceu já no dia 3 de janeiro. “No domingo, quando abrimos apercebemo-nos de que tinham roubado a aparelhagem”, relata. Segundo Ana Marques, que tem vídeos dos assaltantes, os suspeitos são “um casal, um rapaz e uma rapariga”.

“O que a polícia me disse é que eles roubam e depois vendem a um indivíduo que, num só mês, esteve ligado a 28 roubos”, afirma.

Para Ana Marques, a situação tem de ser tornada pública. “Isto tem de ser divulgado. Tem de haver mais polícia”, defende, referindo a importância de reforçar os meios de segurança.

A responsável pelo Smash Café sublinha ainda que a criminalidade não pode ser associada a uma única nacionalidade. “Não é só estrangeiro, é geral”.

Por fim, considera que a questão da Polícia Municipal em Caldas da Rainha deve ser reavaliada. “Sei que a proposta chumbou, mas acho que tem de ser revista”, conclui.

 

Queijaria Dona Quitéria roubada

 

No dia 19 de dezembro, a Queijaria Dona Quitéria, localizada junto à Praça da República, foi também alvo de um assalto. Segundo o responsável pelo estabelecimento, Júlio Baridó, o crime ocorreu durante a noite. “Foi por volta da meia-noite. Partiram a vitrine lateral. Ainda estamos à espera que venham colocar o vidro, mas nesse próprio dia colocámos uma grade para proteger o espaço”, explica.

Do interior da loja foram furtados apenas alguns produtos específicos. “Não roubaram todos os presuntos, apenas os de porco preto. Deve ter sido alguém que conhece bem a qualidade do produto”, refere, lamentando o clima de insegurança vivido na zona. “Tem sido horrível. Devia haver mais polícia nas ruas”, defende.

 

Casal apanhado a roubar Joaquim Baptista, Lda.

 

Também a loja de ferragens e ferramentas Joaquim Baptista, Lda, situada na Praça da Fruta, foi vítima de um assalto. O proprietário do estabelecimento relatou o sucedido ao JORNAL DAS CALDAS, mas pediu para não ser identificado.

“Foi na madrugada do dia 6 de janeiro. Partiram o vidro, roubaram os trocos que estavam na caixa registadora e um computador portátil”, contou. No entanto, neste caso, a rápida intervenção policial permitiu a detenção dos suspeitos. “Por acaso, a polícia estava a passar na zona e apanhou os indivíduos em flagrante. A detenção foi feita no momento em que o casal estava a assaltar o estabelecimento”, explicou.

Segundo o comerciante, o computador portátil foi recuperado e o espaço já voltou a ter a montra reparada.

 

Onda de roubos atinge comerciantes indianos

 

Vários espaços geridos por comerciantes de nacionalidade indiana também foram alvo de assaltos. Lucky, empregado da mercearia Asian Daily Food Store, junto ao tabuleiro da Praça da Fruta, ainda mantém madeira a tapar o local onde a vitrine foi partida na semana passada. “Levaram garrafas de whisky, tabaco, cerca de 400 euros da caixa registadora e também botijas de gás que vendemos. Já é a quinta vez que este estabelecimento é assaltado”, contou.

Após falar com Lucky, o JORNAL DAS CALDAS foi encaminhado para outros proprietários de estabelecimentos da comunidade indiana, como o restaurante Goa Delicious, na Rua do Sacramento, que também foi assaltado no dia 8 de janeiro. No local ainda era visível o vandalismo, com papéis espalhados pelo chão e o vidro partido. Segundo o responsável pelo espaço, LovePreet, “de madrugada partiram o vidro, roubaram garrafas de whisky e vinho e levaram a caixa registadora, com mais de 150 euros lá dentro”.

Outro caso aconteceu no dia 26 de dezembro, no Kasthamandap Supermercado, na Rua Heróis da Grande Guerra. De acordo com o responsável, Mukesh Pandey, “partiram o vidro, mas como era duplo não tiveram tempo e não conseguiram roubar nada”.

 

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