Quo Vadis…Caldas?

23 de Fevereiro de 2026

Com base nos orçamentos municipais para o ano de 2026, importa fazer uma análise comparativa relativamente à capacidade de investimento dos municípios, neste caso, de Caldas da Rainha.

 

Com base nos orçamentos municipais para o ano de 2026, importa fazer uma análise comparativa relativamente à capacidade de investimento dos municípios, neste caso, de Caldas da Rainha.

Os orçamentos dependem dos impostos gerados pela dinâmica económica e se essa dinâmica existe e é maior, o orçamento é superior, se ela é menor, ele é inferior. Para que possamos fazer essa comparação de forma realista e conclusiva, o número “milagroso” a considerar é o orçamento municipal “per capita”. Para que o objetivo seja mais realista, justo e credível, tomamos como termos de comparação municípios da mesma região. Neste caso, considerámos os vinte e dois municípios que compõem as Comunidades Intermunicipais do Oeste e de Leiria, região onde está inserido o concelho de Caldas da Rainha e ainda o confinante município de Rio Maior e a realidade deixa-nos no mínimo apreensivos, ou mesmo alarmados. Temos orçamentos para 2026 que nos esclarecem sobre a falta de capacidade de investimento municipal, razão pela qual Caldas da Rainha fica cada vez mais para trás, enquanto outros avançam.

Os vizinhos de Alcobaça têm cerca de 1.300,00€ de orçamento “per capita”, Pombal, por acaso com o mesmo número de munícipes que Caldas da Rainha, tem cerca de 1.380,00€, mas podemos comparar também com a Marinha Grande com 1.400,00€, ou Torres Vedras, com valor praticamente igual, mas se formos à Batalha, ou a Porto de Mós, este valor sobe para mais de 1.700,00€ e os nossos confinantes de Rio Maior, têm a “módica” quantia de 2.000,00€ e agora a péssima notícia, é que Caldas da Rainha se queda pelos irrisórios 970,00€, sendo o orçamento “per capita” mais baixo de toda a região e isto não é de agora, porque se fosse estávamos nós bem, vem sendo assim desde há décadas e a diferença é cada vez maior, porque Caldas perdeu a capacidade de outros tempos. Menos 35% de orçamento, considerando os mais aproximados, é muito dinheiro e muito atraso. E qual é a diferença?

Todos eles são concelhos bastante mais “industrializados” do que Caldas, o elementar em estratégias de desenvolvimento territorial, é que o investimento privado alavanca o investimento público, é o primeiro que dinamiza a economia, cria emprego e gera recursos e por sua vez impostos, para “sustentar” o orçamento municipal e capacitar o investimento público do município. E do investimento privado, o turismo atrai pessoas, sim, pois claro, mas é a indústria que atrai e factor fundamental, fixa pessoas e oferece rendimentos superiores e este é o problema.

Desde a queda da indústria cerâmica em que Caldas alicerçava a sua dinâmica económica e da extinção do termalismo (o turismo caldense), o concelho perdeu a sua importância estratégica e a capacidade política para influenciar, sendo atualmente um gigante de pés de barro, que vive orgulhosamente de memórias e águas passadas sem capacidade de se desenvolver, não se percebeu a necessidade de procurar investimentos alternativos e essa devia ser a principal tarefa e preocupação de um município, captar investimento. Desde há décadas que não existe uma estratégia de desenvolvimento, porque a visão tem sido sistematicamente curta, mandato após mandato. Quando repetidamente ouvimos dizer que Caldas da Rainha “é um concelho de comércio e serviços”, não existe ideia mais errada e empobrecedora, o comércio e os serviços, servem o mercado que existe, o comércio não é alavanca, é, sim, alavancado e basta ver a conhecida “rua das montras” e envolvente, onde ainda resistem algumas lojas de qualidade, sabe-se lá com que sacrifício, misturadas com cada vez mais “lojas dos trezentos”, chamemos-lhes assim de forma simpática, incomparável com a mesma rua de há 30 / 40 anos, essa sim a rainha do comércio da região.

E vemos algo a mudar ou com perspetivas de inverter esta catástrofe anunciada? Pois não vemos. Os orçamentos municipais há muitos anos que ignoram ostensivamente uma estratégia de captação de investimento, enquanto outros, apesar de muito mais avançados do que nós, percebem o óbvio e investem ainda mais. Por exemplo, Alcobaça, ali ao lado, continua a investir em 2026, dois milhões no alargamento da zona industrial de Pataias e duzentos mil euros para projetos de expansão das zonas industriais do Casal da Areia e da ALEB – Benedita, apesar da sua recente construção percebe-se a necessidade do alargamento, pensando o futuro. Por outro lado, em Rio Maior, está prevista a expansão dos parques industriais já existentes e como resultado das políticas de atração, foi anunciado um investimento privado de trinta e dois milhões de euros. Em Pombal, faz-se igualmente a expansão da zona industrial.

Os territórios desenvolvem-se a partir da indústria e do turismo e sejamos realistas, Caldas não tem um nem outro.

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