David Oliveira imagina futuro apocalíptico no livro “O humano que descobriu toda a verdade”

21 de Fevereiro de 2026

A visão de um futuro sombrio, marcado por uma 3.ª Guerra Mundial, pela necessidade de usar máscaras de oxigénio devido à atividade vulcânica extrema e pela construção de bases na Lua e na órbita terrestre, serve de ponto de partida para “O humano que descobriu toda a verdade”, o livro de David Oliveira, natural de Caldas da Rainha.

A obra foi escrita em 2019, quando o autor cumpria um programa de recuperação num centro para toxicodependentes em Coimbra, e apresenta-se como uma viagem entre o passado e o futuro, num planeta à beira do colapso onde a humanidade procura outros mundos habitáveis e novas espécies.

A sinopse, carregada de dramatismo, reflete o tom misterioso cheio de incógnita que o escritor quis colocar no livro. “É uma descoberta que a gente faz ao passado e vai relembrar o que é que se poderá viver no futuro”, explica o autor, sublinhando que a obra “não dá para explicar”, pois “só lendo o livro é que se consegue viver o que é que se está a passar”.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, David Oliveira sublinha que “O Humano que descobriu toda a verdade” é apenas o início de um projeto literário mais amplo. O autor garante já estar a trabalhar em duas novas obras, que pretende publicar em breve. “O Humano que venceu toda a verdade” e “O Humano que morreu por toda a verdade”. Segundo afirma, o segundo volume está “quase pronto” e deverá ser editado ainda este ano na mesma gráfica das Caldas da Rainha onde produziu os primeiros 600 exemplares do livro de estreia.

O escritor, de 48 anos, vive atualmente numa carrinha dos pais estacionada no Bairro dos Arneiros, realidade que descreve sem dramatismo. “É a minha vida”, resume. Enfrentando a toxicodependência há vários anos, admite que tem vivido grande parte da sua vida na rua. Para garantir as refeições diárias, recorre à cantina solidária de Joaquim Sá, onde almoça e janta. “Ajuda bastante”, reconhece.

Segundo o autor do livro, a escrita acompanha-o desde cedo, embora não se considere um bom aluno de português. “Nunca tive boas notas”, admite. Explica que só mais tarde percebeu que tinha “capacidade para fazer escrita inteligente”, algo que o motivou a escrever cada vez mais. As ilustrações do livro também foram desenhadas por ele.

Hoje, orgulha-se de ter conseguido publicar o seu primeiro livro em que vendeu os primeiros 500 exemplares a 20 euros e os últimos 100 a 10 euros e vê a literatura como a marca que quer deixar no futuro. “Quero deixar algo à cidade”, afirma.

Ligado ao mar e aos desportos de prancha, como o bodyboard e o surf, David Oliveira diz continuar a viajar sempre que pode. Já viveu em Andorra com os pais, trabalhou esporadicamente em Espanha e desloca-se “de carro, camião ou avião”, conforme a oportunidade.

Regressou recentemente ao centro de recuperação do Sobral Cid, em Coimbra, onde diz continuar o processo de tratamento. Lá vai ficar internado durante um ano, tal como já acontecera anteriormente. Confia que esta nova etapa o vai ajudar a consolidar a recuperação e a concluir os próximos livros. “É lá que quero terminar o segundo”, afirma.

Enquanto aguarda a nova edição e prepara a continuação da trilogia, diz sentir o apoio de muitos caldenses. “As pessoas gostam do livro e dizem que é uma experiência nova”, garante.

Entre dificuldades, recaídas e projetos literários, David Oliveira acredita que a escrita continua a ser o “seu caminho” e gostava que “lessem o meu livro e pudessem ver a minha visão em termos de futuro próximo”.

 

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