Designado em português como EuroSul, este acordo une a União Europeia à 6ª maior economia do mundo e a uma população de 270 milhões de pessoas, tornando possível a maior zona de comércio livre, com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB superior a 22 biliões de dólares, cerca de um quinto do PIB mundial.
Numa altura em que Trump usa as tarifas como chantagem e intimidação nas relações internacionais, acordos como o EuroSul reflectem uma política de confiança, estabilidade e previsibilidade, assente no Estado de direito, que permitirá a eliminação de 91% das tarifas nas exportações da UE, poupando-se 4 mil milhões de euros por ano, enquanto no Mercosul se verificará a extinção de 92% das taxas nas vendas para a UE. A complementaridade entre os blocos é evidente. A UE precisa de reforçar e diversificar as relações comerciais e o Mercosul quer ampliar a integração internacional através do acesso a tecnologia e investimento directo estrangeiro.
A UE prevê um aumento de cerca de 30% nas transações comerciais entre os dois lados deste novo espaço económico integrado. Para Portugal, não será demais destacar o grande potencial do acesso a um mercado de 270 milhões de consumidores, dos quais 210 milhões falam português. Os quatro países do Mercosul representam hoje apenas 1,3% das exportações portuguesas. Para os nossos empresários, há muito terreno a conquistar neste novo imenso mercado.
Depois do EuroSul, foi assinado um acordo com a Índia, em 27 de Janeiro, ligando a UE a um mercado fortemente proteccionista de quase 1500 milhões de pessoas. Esta gigantesca parceria representa um quarto do PIB mundial. Também se perspectiva idêntica negociação com a Austrália, Emirados Árabes Unidos e México. Só assim, a par da criação de um sistema federal de defesa, a UE contrariará a perda de importância geoestratégica em relação às grandes potências mundiais.
Mas a ligação ao Mercosul é controversa na Europa. Países como a Áustria, França, Hungria, Irlanda ou Polónia opuseram-se. Um grupo de 145 eurodeputados, em 750, defendeu que o Tribunal de Justiça da UE deve emitir parecer sobre alguns aspectos do acordo, nomeadamente a conformidade com legislação da UE, antes da aprovação e ratificação pelos Parlamentos dos Estados-membros. Há preocupações em vários mercados vulneráveis, da carne ao açúcar e ao arroz, por causa das diferenças nos padrões sanitários e nas condições de trabalho.
Em todo o caso, as ratificações não têm de acontecer ao mesmo tempo, e o EuroSul pode ir entrando em vigor a várias velocidades. Junho é apontado como o mês limite para as ratificações estarem concluídas.
Escrevo segundo a anterior grafia.








