Evento dedicado ao cavalo lusitano não se vai realizar este ano

20 de Fevereiro de 2026

A décima terceira edição do Oeste Lusitano, evento que se destina a divulgar o cavalo lusitano, não se vai realizar este ano, na sequência dos danos provocados pelas recentes tempestades no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, local onde decorreu durante as doze vezes que teve lugar.

 

A Associação de Criadores do Puro Sangue Lusitano do Oeste (ACPSLO) diz ser “com profunda tristeza” que informa que a iniciativa, previsto para os dias 1, 2 e 3 de maio, não se vai concretizar.

“Depois de doze edições consecutivas no Parque D. Carlos I, espaço que ajudámos a afirmar como palco maior da tradição equestre na cidade, fomos informados pelo Município de Caldas da Rainha de que, na sequência dos danos provocados pelas recentes tempestades, não estão reunidas as condições de segurança para acolher o evento na data prevista”, refere a ACPSLO, que é organizadora do evento em conjunto com o Município das Caldas da Rainha.

A associação acrescenta que “ao longo das últimas semanas procurámos, com sentido construtivo, todas as alternativas possíveis. Reunimos, apresentámos soluções, propusemos nova localização e sugerimos o adiamento para o primeiro fim de semana do mês de agosto, ou outro período em que o Parque poderia já estar em condições de receber novamente o Oeste Lusitano”. Contudo, “nenhuma dessas possibilidades mereceu viabilidade por parte do Município”.

A ACPSLO, que tem sede na Escola Primária do Zambujal, na freguesia de Alvorninha, não esconde a “frustração”.

“O Oeste Lusitano não é apenas um evento no calendário. É um projeto construído com visão, risco e resiliência. Nasceu quando poucos acreditavam, recordamos bem a primeira edição, em 2010, realizada num contexto desafiante e num parque que ainda não era o que é hoje. Sabemos o quanto lutámos para reerguer e devolver o Parque D. Carlos I à comunidade, contribuímos de forma consistente para a dinamização económica local, para a projeção mediática da cidade e para a valorização do Parque enquanto espaço nobre de grandes eventos. Ao longo dos anos, crescemos com a cidade, atraímos milhares de visitantes, projetámos o nome de Caldas da Rainha a nível nacional e consolidámos um encontro que honra o Cavalo Lusitano, a cultura equestre, tauromáquica e o território Oeste”, manifesta.

“Construímos reputação, criámos expectativa, formámos público. E é difícil não sentir que todo esse percurso feito com dedicação, investimento e compromisso poderia ter merecido outra solução”, sustenta a associação, que, ainda assim garante manter “o respeito institucional e a consciência de que as decisões tomadas assentam em responsabilidades próprias da gestão pública”.

“A nossa mágoa não é de confronto. É de quem sente que um projeto que tanto deu à cidade poderia ter encontrado outro desfecho este ano”, vinca, deixando uma palavra de “gratidão e de compromisso a todos os criadores, cavaleiros, expositores, comerciantes, parceiros e ao público fiel que faz do Oeste Lusitano um momento único”. “A tradição que nos une é maior do que um ano de ausência”, sublinha.

Considerando que o Oeste Lusitano é “património vivo desta comunidade”, a ACPSLO assegura que a continuará a trabalhar para que o evento “regresse com a dignidade e a dimensão que sempre o caraterizaram”. E promete: “Aquilo que é construído com paixão, consistência e identidade não se apaga. Voltaremos”.

O evento de 2026 iria incluir uma homenagem ao cavaleiro caldense Marco José pelos trinta anos de alternativa, desfile equestre, largadas noturnas, exposição agropecuária, concurso hípico, modelo e andamentos, espetáculos, coudelarias e gastronomia.

 

Câmara quer tirar evento do Parque

 

No início do primeiro mandato do executivo municipal liderado por Vitor Marques foi anunciado que a Câmara pretendia deslocalizar o evento para diminuir a pressão sobre o Parque e dinamizar outros locais, mas o Oeste Lusitano permaneceu no espaço verde de excelência da cidade.

A ideia não deixada de lado pela autarquia, que reuniu com a ACPSLO para criar um espaço próprio para o certame, com infraestruturas que permaneçam durante o ano, nomeadamente um picadeiro e outras alocadas aos cavalos, e que permitam a realização de diversos eventos relacionados.

O protelamento da construção do hotel da Visabeira, previsto para os Pavilhões do Parque, mas que ainda não arrancou, permitiu adiar a mudança. Aliás, a edificação da unidade hoteleira deverá ter implicações em outros eventos no Parque, motivando reajustamentos e limitações.

Um espaço municipal junto à zona das Águas Santas foi apontado como local possível para a transferência, mas não se chegou a um consenso.

Em relação ao Parque D. Carlos I, que reabriu portas no passado dia 18, ainda que de forma parcial, depois da destruição causada pelos temporais, apresenta atualmente perímetros de segurança definidos no local, evitando a aproximação de zonas com resíduos (troncos e ramos pendurados, caídos ou partidos), uma vez que estes “podem encontrar-se instáveis ou mesmo em risco de queda”, indica a Câmara.

“O Parque foi profundamente afetado pela passagem das intempéries, pelo que será necessário tempo e espaço para recuperar as áreas atingidas e gerir os resíduos resultantes da catástrofe”, explica o Município das Caldas da Rainha, que em conjunto com a União das Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório está a “trabalhar para proteger e valorizar o Parque”.

Em relação a outros eventos que habitualmente se realizam no Parque ainda não foi transmitido se serão todos cancelados ou quais poderão ter condições para terem lugar. Apenas os Bailes do Casino, no Céu de Vidro, no âmbito do carnaval, que estavam agendados para 14 e 16 de fevereiro, não se concretizaram. A Feira de Velharias, ao segundo domingo de cada mês, das 09h00 às 17h00, passa para a zona do mercado semanal no Campo da Feira.

 

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