Humana suspende recolha de roupa nas Caldas

18 de Fevereiro de 2026

A associação Humana deixou de assegurar a recolha e o tratamento de têxtil usado nas Caldas da Rainha, tendo recolhido os 13 contentores que existiam no concelho.

Em causa está a recente alteração legislativa europeia que torna obrigatória a recolha de têxtil usado pelos municípios, exigindo assim uma mudança na forma como os operadores são selecionados e remunerados para a prestação deste serviço.

Em comunicado, a associação alerta para o risco de colapso iminente do setor caso não seja encontrado um novo modelo de atuação compatível com a recente legislação europeia.

Para além das Caldas da Rainha, a decisão afeta os concelhos de Santarém, Entroncamento, Almeirim, Moita, Évora e Estremoz.

Só em 2025, a Humana recolheu 49.880 quilos de têxtil usado nas Caldas da Rainha. “Um volume que reflete a adesão da população à deposição seletiva e o impacto ambiental positivo do serviço prestado no concelho”, refere Sónia Almeida, promotora nacional da organização.

A responsável diz que apesar do compromisso assumido ao longo dos anos e da colaboração mantida com o Município, o agravamento dos custos operacionais, em particular os associados à distância logística, tornou inviável a continuidade da operação nas condições atuais.

Até agora, a recolha era assegurada através do pagamento, por parte dos operadores, de taxas de ocupação do espaço público ou contrapartidas financeiras às autarquias.

Com o novo enquadramento legal, este modelo deixou de ser considerado adequado pela Humana, que defende que não pode continuar a suportar custos para assegurar um serviço que passou a ser uma responsabilidade municipal.

“É insustentável continuarmos a pagar para ter um equipamento que responde a uma necessidade municipal obrigatória. Se o serviço público que entidades como a Humana representam não for reconhecido de forma justa, corremos o risco de o setor colapsar e de não existirem alternativas, o que seria desolador do ponto de vista ambiental”, defende Sónia Almeida.

A responsável sublinha que a organização está disponível para retomar negociações com os municípios e, caso existam condições justas e sustentáveis, voltar a instalar os contentores. “Quando falamos de têxtil usado, a sustentabilidade não pode ser apenas simbólica. Com a proliferação da fast fashion, a queda do valor de mercado dos materiais e o aumento contínuo dos custos operacionais, torna-se impossível continuar sem um modelo equilibrado”, conclui.

Em 2023, a Humana recuperou 3.919 toneladas de têxtil usado em 25 concelhos, com uma taxa global de reutilização de cerca de 61%.

Após a retirada de 256 equipamentos a nível nacional, a entidade passa a gerir 826 contentores em todo o país.

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