Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, o casal explica que a apicultura é, para eles, mais um passatempo do que uma atividade profissional. “Somos apicultores tradicionais. Cada um tem um emprego. Eu sou mais artesã, faço velas e sabonetes com mel, e o meu marido é técnico de manutenção em Monte Redondo. Mas ambos temos um grande gosto por esta arte”, revelou Patrícia Pedrosa.
A tempestade deixou marcas profundas. “O nosso telhado, que tinha sido renovado há um ano e meio, foi danificado. Felizmente, já está remediado, mas ainda precisamos de um empreiteiro para concluir os trabalhos. Quanto às colmeias, várias foram destruídas pelo vento e pela queda de árvores”, explicou a artesã.
Na sua casa já têm água, mas eletricidade ainda não.
A destruição das colmeias representa um grande desafio, não só financeiro, mas também para a sobrevivência das abelhas. “Num ano normal, nesta altura, já teríamos retirado o mel de eucalipto. As abelhas consumiram quase todas as reservas que tinham. Por isso, estamos a suplementá-las com açúcar para que tenham energia suficiente, mas não se produz mel com açúcar. É apenas uma forma de manter as colmeias vivas até que possam voltar a produzir”, esclareceu.
“Quanto ao nosso mel de eucalipto, este ano, não sabemos quanto vamos conseguir produzir porque os estragos foram muitos. No ano passado, conseguimos produzir cerca de 200 kg de mel de eucalipto. Este ano, devido aos estragos e à escassez de reservas, prevemos apenas 10 a 20 kg. É muito pouco, mas o mais importante é garantir que as abelhas sobrevivem. É uma fase difícil, mas estamos gratos pelo apoio da Associação MVC das Caldas da Rainha, que nos tem ajudado com o fornecimento de açúcar e orientação”, acrescentou o apicultor.
A tempestade foi uma experiência assustadora para toda a família. “Foi a terceira tempestade que vivemos, mas esta foi a pior. Pensava que a casa ia ser arrancada. Estivemos três horas em alerta máximo, com ventos violentos, chuva intensa e árvores a cair sobre as colmeias. Foi aterrador”, contou Patrícia Pedrosa, acrescentando que “o nosso quarto era no primeiro piso. Tivemos de descer para o rés-do-chão para não ouvir as telhas a cair”.
“Eu não sou de ter medo, sou muito aventureiro, mas nas catástrofes que têm ocorrido naquela localidade tive medo duas vezes, em 2017, nos incêndios, onde andei a apagar fogos e ajudar. É aterrorizante, e desta vez foi estar em casa e ter a sensação de que as paredes iam cair”, contou Mário Fernandes.
“Ver as abelhas em perigo foi especialmente difícil, porque cada colmeia é como uma incubadora, e elas precisam de energia constante para sobreviver. Quando cheguei lá, vi árvores caídas sobre colmeias, e algumas ficaram completamente esmagadas”, acrescentou o apicultor.
Apesar dos desafios, o casal mantém a paixão pela apicultura e pelo artesanato onde criaram a marca Hive. Para além do mel, Patrícia Pedrosa produz velas, sabonetes e bálsamos, todos feitos com cera de abelha. “Vamos continuar sempre. A produção de mel, as velas, tudo faz parte do nosso projeto e da nossa paixão. Mesmo com esta tempestade, não desistimos”, salientou.
Os interessados podem visitar a mercearia Zen durante esta semana para adquirir os produtos e apoiar os apicultores afetados pela tempestade Kristin, contribuindo para a recuperação de uma arte tradicional e de uma atividade que combina paixão, natureza e sustentabilidade.










