Pedro Abrunhosa deixa CCC lotado e doa receita para apoiar instituições nas Caldas

17 de Fevereiro de 2026

Pedro Abrunhosa foi o protagonista de uma noite em que a música, o amor e a emoção se reencontraram no Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha. No sábado, Dia dos Namorados, o artista subiu ao palco para dois concertos intimistas que esgotaram e reuniram mais de 1.300 pessoas no Grande Auditório, criando uma atmosfera de forte ligação com o público e momentos de grande intensidade artística.

Um dos momentos mais marcantes da noite ocorreu quando, durante uma canção acompanhada no ecrã por imagens das destruições causadas pela tempestade Kristin, o músico anunciou que a receita de um dos espetáculos será doada a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho das Caldas. No total, serão entregues 19.100 euros, dos quais 3.820 euros correspondem à comparticipação do CCC. “Quem doa esta verba toda são os técnicos, os músicos, é uma iniciativa de todos”, sublinhou Pedro Abrunhosa.

O músico sublinhou a importância de valores como paz, amor, liberdade e tolerância, lembrando também regiões do mundo marcadas por conflitos, como Gaza, Sudão, Ucrânia e Rússia. Referiu ainda as comunidades atingidas pela tempestade, como Marinha Grande, Leiria e Figueira da Foz.

Pedro Abrunhosa descreveu a música como “um lugar” de criação e de salvação, destacando momentos pessoais fortes, como a canção “Leva-me P’ra Casa”, inspirada na perda da filha de um amigo.

Recordou também a emigração portuguesa para Alemanha, França, Estados Unidos e Canadá, defendendo que Portugal deve hoje acolher quem procura melhores oportunidades.

A acompanhar o artista estiveram ainda as cantoras Patrícia Antunes e Patrícia Silveira nos coros, contribuindo para a atmosfera intensa e emotiva que marcou toda a noite.

 

Cantor destaca escolha de Seguro em manter residência nas Caldas 

 

Após o concerto no CCC, Pedro Abrunhosa falou com a imprensa local, começando por destacar o papel fundamental da comunicação social regional. O músico afirmou que “há instituições que são um garante de que a informação é útil e verdadeira, e são os jornais”. Para Pedro Abrunhosa, as redes sociais “não são um veículo de informação”, pois a informação só é verdadeira “quando é filtrada por quem presenciou, testemunhou e tem os dados”. Por isso, considerou que a imprensa local é “um pilar da democracia” e “uma bênção”, sobretudo para “contrariar aquilo que muitas vezes os boateiros criam sobre um local”.

Sobre o regresso às Caldas, o artista sublinhou o carinho que sempre recebeu no concelho. Recordou que cantou na cidade há 31 anos. “É maravilhoso estar aqui. Isto é o centro do mundo de repente. Sempre foi um privilégio tocar nas Caldas. Duas sessões esgotadas com esta rapidez mostram a grande afinidade entre mim e este público”, afirmou.

A propósito da eleição de António José Seguro para Presidente da República, candidato que apoiou publicamente, Pedro Abrunhosa destacou o facto de Seguro “querer continuar a viver nas Caldas da Rainha, o que é maravilhoso para o país”. Para o artista, esta opção representa “um princípio de descentralização” e a oportunidade de Portugal olhar para realidades que não se esgotam na visão lisboeta. “A pequena corte de Lisboa acha que o país começa e acaba ali, termina em Alverca. E acima e abaixo não existe”, afirmou. “Parabéns ao presidente de todos os que vivem aqui, que é também o meu”, acrescentou.

Quando questionado sobre o ponto atual da sua carreira, Pedro Abrunhosa garantiu que ainda sente que “falta fazer tudo”. Considera natural que o passado sirva para celebrar, mas reforça que o que o move é sempre “o que ainda não foi feito”.

Sobre o gesto de doar a receita de um dos concertos para apoiar instituições das Caldas da Rainha, o músico classificou a ação como uma obrigação moral. “Não é solidariedade, é uma obrigação. Não me passaria pela cabeça vir aqui sem fazer isso”, contou.

Pedro Abrunhosa deixou uma reflexão crítica sobre a forma como o país tem desvalorizado o papel do Estado, sobretudo perante situações de catástrofe. O músico apontou a incoerência de quem “se queixa que há Estado a mais”, lembrando que serviços essenciais como o SNS, as Forças de Segurança e os Bombeiros “são Estado” e garantem proteção pública.

Afirmou que, apesar das críticas frequentes ao alegado peso do Estado, “quando faltam meios, lembram-se que o Estado já não está lá”, sublinhando que muitos desses recursos desapareceram devido às privatizações. “Privatizaram a REN, a EDP, os CTT, tudo aquilo que fazia falta nesta altura como rede comunitária, desapareceu”, afirmou. “Depois vêm dizer que o Estado não acudiu”, frisou.

O músico classificou essa posição como “neoliberalismo totalmente demagógico”. Reconheceu que “o Governo respondeu terrivelmente”, mas reforçou que “o Estado não é o Governo”. Como exemplo positivo, destacou a atuação de Ana Abrunhosa em Coimbra, onde, disse, “com poucos meios, reagiu”.

O músico concluiu que, para o Estado poder responder em momentos críticos, “tem de ter meios”, defendendo assim um reforço das estruturas públicas e da capacidade de intervenção nacional em situações de emergência.

Quanto ao conteúdo político das suas canções, o artista explicou que não “transmite mensagens partidárias, mas sim mensagens de vida em sociedade, esperança e luz”.

Considera preocupante a “erosão dos espaços públicos de debate, como cafés e locais de encontro, especialmente nas grandes cidades, onde o turismo alterou profundamente o quotidiano”.

Por isso valoriza os concertos e eventos culturais como espaços privilegiados de convivência democrática. “Aqui está gente de todos os partidos e de todas as condições. Celebrar juntos é cumprir a democracia”, salientou.

Sobre como trazer luz a um mundo que considera cada vez mais agressivo, Pedro Abrunhosa defendeu o reforço das instituições democráticas. “Reforçar a democracia, a imprensa, o jornalismo, a justiça, os bombeiros, a proteção civil”, enumerou. E terminou com um aviso sobre o Parlamento. “Não pode ser uma chincalheira. Isso desacredita a democracia. A democracia constrói-se com distinção e dignidade”, afirmou.

O responsável pelo grupo Amigos pela Paz de Rio Maior, António Fróis Rafael, entregou a distinção de Embaixador da Paz a Pedro Abrunhosa, justificando-a com o constante compromisso do artista com mensagens de paz nos seus concertos e canções.

 

ERPI recebem a verba doada

 

O Município das Caldas da Rainha informou que Pedro Abrunhosa e o CCC, em articulação com o Município, decidiram doar a receita de um dos dois concertos às IPSS do concelho que dispõem de respostas na área das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI). Na sequência das intempéries ocorridas nas últimas semanas, a Câmara verificou que, em caso de corte no fornecimento de energia elétrica, as ERPI do concelho não têm capacidade de resposta.

Esta é uma situação de vulnerabilidade que muito preocupa o Município e que levou à decisão de criar um plano de apoio financeiro a estas instituições, através de fundos municipais. O montante doado pelo cantor e pelo CCC destinar-se-á a suportar a parte não financiada pelo Município relativamente à aquisição de equipamentos que permitam suprir falhas de energia em situações de emergência, por parte das IPSS.

 

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