A competição decorreu em Bruxelas, na Bélgica.
JORNAL DAS CALDAS: Caldas ganhou, mas tinha como concorrência duas cidades muito maiores. Quais foram as caraterísticas que levaram a ser vitoriosa?
Vitor Marques: O que parecia ser desigual era o facto de estarmos num grupo de 50 a 250 mil habitantes, enquanto que a cidade tem 30 mil, mas o concelho de facto tem 55 mil, parecia algo desigual.
Mas eu penso que acabámos também por ter alguma vantagem nesta desigualdade. O facto da oferta comercial que temos ser muito concentrada, ter uma qualidade e uma performance que foram evidenciadas pela Sara na apresentação.
Com mais de 50% de comércio e de serviços que pesam naquilo que é a nossa economia. E, portanto, que é muito díspar do que o que se passa nos outros concorrentes. Não que eles não tenham uma boa oferta. Não que eles não tenham uma boa proposta, que tinham também boas propostas. Mas, de facto, a nossa proposta é diferenciadora e acabou por ser reconhecida também pelo júri dessa forma. Vem, no fundo, validar o epíteto que as Caldas já têm de cidade de comércio.
Nós falámos tantas vezes que somos capital do comércio tradicional. O que está certo é que, realmente, Caldas é uma cidade essencialmente comercial. Que tem apresentado novas propostas e tem conseguido fazer a consolidação do seu comércio.
Aquilo que temos é mesmo diferenciador. Pela qualidade, pela diversidade e pela quantidade.
Aquilo que temos é muito bom no panorama nacional e internacional também.
Mas nós ambicionamos mais. E este também é um aspeto bastante importante. E estas oportunidades que, quer o Município, quer as associações que se juntaram neste projeto, mas também dos próprios comerciantes, que vão dando vida a outros projetos, tudo isto faz com que nós sintamos vontade de continuar a capitalizar aquilo que nos diferencia pela qualidade, que é o comércio tradicional.
É capital europeia do pequeno retalho. E isso é fantástico.
JORNAL DAS CALDAS: Aqui juntou-se o comércio também com o turismo e a cultura…
Vitor Marques: Sim, porque essa é uma das caraterísticas. Quando falamos em comércio, é um ato de compra e de venda.
O nosso comércio é muito mais que isso. É um ato que tem uma personalidade muito própria no atendimento e na resposta, em que há um capricho muito grande, por exemplo, no vitrinismo, em que as nossas montras são de muita qualidade, que estão sempre a inovar.
A cultura faz com que seja o dinamizador do próprio comércio. Na área da saúde, o termalismo traz mais capacitação para o nosso comércio, e depois tudo aquilo que oferecemos noutras áreas.
JORNAL DAS CALDAS: O que é que se pode esperar e aproveitar com este título para catapultar?
Vitor Marques: O que podemos mudar é concretizar aquilo que hoje viemos aqui apresentar. E, portanto, tem aqui um conjunto de projetos, âncora, que vão fazer com que sejam diferentes e que foram reconhecidos por quem decidiu. E eu acho que é isso que vai fazer a diferença, seja desde logo o próprio bairro comercial digital e da forma como está desenhado.
Porque vai haver muitos bairros comerciais digitais no nosso país, mas este vão ver que é diferenciador e vamos capitalizar pela diferença.
Nós vimos aqui alguns Municípios que até tinham já um plano mais avançado que Caldas da Rainha, porque já tinham até alguns projetos implementados na área digital. No entanto, provavelmente também o júri viu aqui uma oportunidade para Caldas da Rinha chegar a um patamar ainda maior. O júri, no final, antes da entrega dos prémios, fez questão de dizer isso. Que o que estava a ser classificado eram as propostas para o futuro.
É certo que havia cidades com uma história e com uma dimensão brutal nas ofertas comerciais que tinham. E que nós também, sinceramente, a nossa dimensão também temos. Mas aquilo que eles estiveram a valorizar era aquilo que nós queríamos fazer daqui para a frente, em cima do que temos.
JORNAL DAS CALDAS: E esta proposta de futuro da Câmara é a médio/longo prazo ou é a curto/médio prazo?
Vitor Marques: Não, este é um caminho que tem de se caminhar todos os dias. É algo que nunca está feito. Temos de ter esta consciência.
Nunca está feito. Mesmo estas propostas que temos a fazer, a curto-médio prazo, devemos ter a sensibilidade para ir monitorizando e percebendo que elas devem ser alteradas e avaliadas, porque o comércio é tudo muito rápido hoje. Vejam a diferença que o comércio tem, o que isto evoluiu.
Acabada a candidatura, haverá a necessidade e a responsabilidade do Município continuar a investir neste projeto, porque ele não pode acabar aqui.
Alimenta-se ele próprio com o trabalho dos comerciantes, mas tem de ter alguma orientação da Câmara, das associações, e, portanto, vai continuar a ser um investimento que tem de ser feito e tem de ter um gestor. E isso há-de custar algum dinheiro, mas é fundamental. E com ou sem apoio, o Município vai ter de apostar como um investimento no nosso concelho.










