Dirigido ao público infantil, “Uma Outra Forma” é um espetáculo de dança inclusivo que procura descomplicar a cegueira e dar a conhecer o sistema Braille, recorrendo à dança contemporânea e à interação direta com os espectadores. A performance parte da história de duas amigas e da evocação da figura de Louis Braille, mostrando como é possível “ver” através do toque e dos outros sentidos.
A peça é uma co-criação e co-interpretação das bailarinas Joana Gomes e Maria Inês Costa, com dramaturgia de Rosinda Costa.
Em cena, Joana Gomes, bailarina cega, vai dormir a casa da sua amiga Maria Inês Costa, dando início a uma viagem marcada pela dança, pelo jogo com letras e palavras e pela partilha com o público, demonstrando que, mesmo sem visão, é possível aceder ao mundo de múltiplas formas.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, as bailarinas explicaram que se trata de uma performance interativa que “descomplica a cegueira e permite que o público esclareça as suas dúvidas, criando um espaço aberto onde os mais novos podem aprender e compreender o que é Braille”.
As artistas sublinham que muitas crianças contactam diariamente com o Braille sem conhecerem a sua função. “Veem os pontinhos nos elevadores ou nas caixas dos medicamentos, mas muitas vezes não percebem porque é que aquilo está lá”, referem, acrescentando que, no final das sessões, surgem “muitas perguntas, não só sobre o Braille, mas também sobre a cegueira em si, um tema que ainda é um pouco tabu”.
A dança contemporânea assume-se como a principal ferramenta do projeto. “Era importante fazê-lo de uma forma artística. O objetivo é juntar a arte e a educação numa mesma experiência”, explicam.
O espetáculo presta ainda homenagem ao contributo de Louis Braille para a vida das pessoas com deficiência visual, apelando à curiosidade dos mais jovens e incentivando a construção de uma sociedade mais inclusiva.
Também ao JORNAL DAS CALDAS, Ana Rita Barata, diretora artística da Vo’Arte, explicou que este é um projeto de criação da CiM – Companhia de Dança, uma companhia profissional sediada em Lisboa que integra pessoas com e sem deficiência. “É uma companhia com 18 anos de trabalho no terreno, tanto na criação como na formação”, salientou.
Segundo Ana Rita Barata, o espetáculo nasce em grande parte da experiência de Joana Gomes enquanto artista cega em contexto educativo. “A partir do trabalho em sala de aula, fomos percebendo a falta de noção que ainda existe sobre a deficiência, não só a visual, mas também outras questões de acessibilidade”, concluiu.
O espetáculo, pertinente na abordagem ao tema, foi mais uma vez ao “encontro das crianças, fora do espaço habitual do CCC, promovendo aos alunos o contacto direto com a arte”.







