O ano arranca com uma nova equipa de coordenação, liderada por Lília Silva, com Filomena Cota e Antónia Pinto como vice-coordenadoras. Assumem esta responsabilidade com sentido de missão e espírito solidário, garantindo ao JORNAL DAS CALDAS que o compromisso se mantém com o apoio a quem mais precisa e a evitar que dezenas de toneladas de alimentos acabem no lixo.
Em função desde o dia 14 de janeiro a nova coordenação disse que o objetivo passa essencialmente por dar continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo da última década, mas também por reforçar a sustentabilidade da operação. Entre as principais prioridades está a angariação de mais mecenas (particulares ou empresas) que possam apoiar financeiramente a instituição, assim como o aumento do número de voluntários.
As responsáveis sublinham que as despesas fixas continuam a ser um desafio. “Os custos com eletricidade, água, combustível e seguros das carrinhas representam um peso significativo, agravado pelo aumento generalizado dos preços. A renda do espaço é assegurada pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha, mas todas as restantes despesas são suportadas pela organização”, revelou, a nova coordenadora que veio substituir Carla Jorge que esteve à frente desta organização vários anos.
O apelo é sobretudo para o apoio “monetário, essencial para garantir o funcionamento diário da Refood”. A organização passa recibo e há benefícios fiscais (majoração de 25% ou 30% conforme seja particular ou empresa).
Ainda assim, as coordenadoras não escondem a ambição de crescer e chegar a mais pessoas, numa altura em que a procura tem aumentado de forma consistente.
Atualmente, a Refood Caldas da Rainha apoia cerca de 195 pessoas, distribuídas por vários dias da semana, de acordo com horários e turnos previamente definidos. Cada beneficiário recebe apoio uma a três vezes por semana, conforme a sua situação específica. Trabalha de segunda a sexta-feira com quatro turnos e cinco rotas, ao sábado com um turno e duas rotas e ao domingo também com um turno e três rotas.
Para além deste apoio regular, às segundas-feiras, entre as 19h00 e as 20h00, são distribuídos cabazes de emergência. Só numa das últimas segundas-feiras foram apoiadas 53 famílias, num apoio pontual destinado a situações urgentes e que envolve pessoas que não fazem parte do grupo fixo de beneficiários.
De acordo com a coordenadora, o perfil dos beneficiários tem vindo a diversificar-se, embora, a maioria seja atualmente composta por cidadãos portugueses (31). Apoiam pessoas de seis nacionalidades, refletindo uma realidade social cada vez mais heterogénea no concelho.
“Em muitos dos agregados apoiados, pelo menos um e por vezes ambos trabalham, mas os rendimentos não são suficientes para fazer face ao aumento do custo de vida. A responsável sublinha que esta situação não está relacionada com épocas específicas do ano, como o período de natal tratando-se antes de uma necessidade constante e transversal”, explicou, Lília Silva.
“Precisamos mecenas para continuar”
Relativamente aos cabazes de emergência, a coordenadora explica que as pessoas que recorrem a este apoio podem iniciar, desde logo, o processo de inscrição. No momento em que recebem o cabaz, preenchem uma ficha de pré-seleção, que é posteriormente analisada por uma equipa. As situações consideradas mais urgentes são chamadas para entrevista e, mediante a disponibilidade existente, integradas no apoio regular.
Apesar de não recusarem ajuda a ninguém, a capacidade de integração é limitada. As pessoas que não conseguem entrar de imediato mantêm-se a receber cabazes de emergência, semanal ou quinzenalmente, enquanto aguardam vaga. Existe, por isso, uma lista de espera significativa. Só no ano passado foram registadas 825 inscrições, tendo sido possível integrar 38 famílias.
Para este ano, a ambição passa por aumentar esse número, embora a coordenadora reconheça que tal não depende apenas da vontade da equipa. A integração de novos beneficiários está diretamente ligada à capacidade operacional da Refood, nomeadamente ao número de voluntários disponíveis.
Atualmente, a Refood Caldas da Rainha conta com 191 voluntários, um número que consideram fundamental reforçar para continuar a responder a uma procura que não dá sinais de abrandar. Dos voluntários 156 são portugueses e 35 estrangeiros, de 11 nacionalidades. A média de idades é de 54 anos, sendo que o voluntário mais novo tem 11 anos e o mais velho 84 anos.
A coordenadora deixa um apelo direto à comunidade, sublinhando que a Refood Caldas da Rainha precisa de mais voluntários. A maior dificuldade prende-se com a angariação de pessoas disponíveis para fazer a recolha de alimentos após o almoço e o jantar.
A coordenadora explica que, além das tarefas de coordenação, continua a participar ativamente nos turnos de distribuição à quarta-feira e nas recolhas de segunda-feira, juntamente com outros voluntários. “Enquanto alguns colegas circulam pela cidade a recolher alimentos, outros asseguram a organização dos produtos no centro operacional, garantindo que tudo chega aos beneficiários em boas condições”, afirmou.
O reforço da equipa é essencial para integrar novos beneficiários e alargar o apoio a mais famílias, numa altura em que a “procura continua elevada e os recursos humanos são determinantes para manter o funcionamento diário da organização”.
Para além do apoio alimentar, a Refood acaba por desempenhar também um papel emocional importante na vida de quem a procura. A coordenadora reconhece que, muitas vezes, há espaço para conversas e desabafos, sobretudo durante as entrevistas realizadas pela equipa responsável pelos beneficiários. “Há vidas que nos custam um bocadinho”, admite, sublinhando que esse contacto mais próximo pode ser exigente, mas faz parte da missão.
Segundo a responsável o processo de integração de novos beneficiários é “rigoroso e implica uma análise cuidadosa de cada situação”. “Nas entrevistas, é pedida documentação que comprove rendimentos e despesas, sendo feita uma avaliação com base nos critérios da pensão social. Ainda assim, a equipa procura manter sensibilidade e flexibilidade porque não é por vinte euros a mais ou a menos que alguém deixa de ser ajudado”, salientou.
Apesar desta proximidade, admite que existem conversas difíceis e decisões que “custam um bocadinho”. No entanto, reitera que o compromisso da Refood é garantir que ninguém fica para trás e que todos os que procuram apoio encontram, no mínimo, compreensão e uma resposta possível.
De acordo com o relatório de impacto, divulgado pela organização, em 2025 a Refood Caldas da Rainha distribuiu 83.379 refeições completas por famílias carenciadas em que 128 toneladas de alimentos não foram desperdiçadas. Foram entregues aos 194 beneficiários 28.390 pães e bolos e 37.994 sopas e pratos cozinhados. Têm 20 fontes de alimentos, a sua maioria são supermercados, mas também restaurantes, pastelarias, escolas, empresas e uma central fruteira. Trabalham também com cinco associações da região. Têm ainda 21 parceiros.
Dos 195 beneficiários 90 são homens, e 105 são mulheres e 59 crianças. Na sua maioria, o cabeça de casal é empregado (35), mas há também quem esteja em situação de desemprego (22), reformados (7) e estudantes (2).









