A grande surpresa do dia foi a atuação da cantora Rosinha, acompanhada por duas das suas bailarinas, conquistando os presentes logo na primeira canção. Em palco, a artista brindou o público com o seu caraterístico humor “malandro”, proporcionando momentos de grande animação e muitas gargalhadas.
A festa contou também com a participação especial do Coro do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, num momento intergeracional que juntou vozes de crianças e seniores, enchendo a sala de emoção e partilha.
A tarde foi ainda marcada pela presença de técnicos, animadores, da equipa de Coesão Social da autarquia, do executivo municipal e de várias entidades locais, reunidos para celebrar duas décadas de um programa que “combate o isolamento e promove o envelhecimento ativo, a inclusão e o bem-estar da população sénior”.
No final, foi cortado um grande bolo de aniversário, acompanhado pelo tradicional cântico de parabéns a um projeto criado em 2005, com o objetivo de articular respostas sociais adequadas à população idosa e reformada do concelho de Óbidos.
Atualmente, o Programa Melhor Idade conta com mais de uma dezena de Centros de Convívio em funcionamento, promovendo a qualidade de vida dos utentes através de atividades que respondem às suas necessidades e interesses, nomeadamente refeições, ações ocupacionais, convívios, passeios e iniciativas que reforçam o contacto com a comunidade local. Foi ainda exibido um filme dos 20 anos com testemunhos de utentes que viram a sua vida melhorar desde que estão nos centros.
Antes do momento do bolo, a vereadora responsável pelo pelouro da Ação Social, Soraia Saramago, ofereceu um brinde aos animadores e restantes técnicos que acompanham diariamente os seniores. É um casaco tipo sweat com o logótipo renovado do Programa Melhor Idade. O objetivo é melhorar a imagem do projeto, torná-lo mais apelativo e reforçar a sua capacidade de atrair novos utentes.
Também todos os seniores receberam um brinde, um guarda-chuva com a identidade do programa, como forma de celebração da sua participação no projeto.
Apesar da forte tempestade Kristin que atingiu o concelho, o presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel, fez questão de marcar presença no almoço comemorativo, mas não permaneceu durante toda a celebração.
Filipe Daniel sublinhou que, apesar das circunstâncias, considerou essencial estar junto dos utentes “para deixar uma palavra de solidariedade e de reconhecimento a um programa municipal que é, em si mesmo, uma obra”. Realçou que o Programa Melhor Idade representa “uma grande conquista”, por combater o isolamento, apoiar a população sénior e promover laços que “não se medem em relatórios, mas no contacto humano e na confiança” construída ao longo de duas décadas.
O presidente destacou ainda que o Município continua empenhado em reforçar as respostas sociais, educativas e de proteção civil, sobretudo para os mais vulneráveis, garantindo que a autarquia está preparada para atuar em situações de emergência como a tempestade que afetou o concelho. Enalteceu o trabalho conjunto das equipas municipais, forças de segurança, proteção civil e voluntários, essenciais para uma atuação rápida e eficaz.
No contexto do aniversário do programa, Filipe Daniel agradeceu o empenho dos técnicos, animadores e equipas que diariamente acompanham os seniores, reconhecendo o esforço para adaptar atividades e respostas às suas necessidades. Sublinhou também que o Programa Melhor Idade entra agora “numa nova fase”, mantendo o legado das últimas duas décadas, mas projetando novas ações para o futuro.
“Ninguém deixa de aprender por causa da idade”
A vereadora disse que ao longo de duas décadas foram criados 13 centros de convívio, dos quais 11 permanecem em funcionamento, muitos em antigas escolas primárias reabilitadas, devolvendo vida e memória às freguesias.
A autarca destacou ainda a dimensão humana do programa, referindo que, anualmente, participam entre 190 e 230 utentes e que mais de 500 pessoas já passaram pelos centros. “Encontrámos quatro utentes que estão connosco desde 2005, um sinal claro de pertença, confiança e continuidade”, sublinhou.
Soraia Saramago enumerou algumas das atividades promovidas pelo programa como os 100 convívios temáticos, 600 passeios culturais, visitas a museus, teatros, estádios, praias e locais históricos, cursos de informática, oficinas de artes plásticas e bordados, programas de alfabetização e iniciativas de saúde e mobilidade. “O Programa Melhor Idade recriou tradições populares, devolveu vida às comunidades e mostrou que envelhecer pode ser vivido com atividade, autonomia, alegria e dignidade”, destacou.
Para ilustrar o impacto do projeto, a vereadora citou palavras de alguns utentes: “Se não estivesse aqui, estava sentado no muro da igreja”, “A vida não me deixou ir à escola, agora vem a escola até mim” e “Isto é como uma segunda casa”, lembrando que o programa é, acima de tudo, “sobre pessoas”.
Soraia Saramago deixou uma mensagem pessoal aos utentes ,sublinhando que “ninguém deixa de aprender por causa da idade, e o cérebro, o corpo e o coração precisam de estímulo, cuidado e afeto em todas as fases da vida”.
“Este é, efetivamente, um programa que tem resistido ao longo do tempo, mas também tem mudado e evoluído. As necessidades que identificamos justificam uma adaptação do programa, com respostas diferenciadoras e holísticas que integrem cultura, desporto e saúde, estimulando os utentes a continuar a frequentar os centros de convívio”, explicou Soraia Saramago, reforçando que a inovação será a chave para o futuro.
A vereadora salientou ainda a importância de criar respostas individualizadas para cada perfil de utente, promovendo a autonomia, a estimulação cognitiva e a participação ativa de todos: “Queremos dar uma resposta diferenciadora, atrair mais pessoas para o programa, que se sintam em casa, como numa família, e que se sintam motivadas a vir diariamente aos centros”.
“Temos que inovar, dar respostas integradas que envolvam a identidade de Óbidos, as famílias e a comunidade, promovendo o envelhecimento ativo e momentos de socialização que são fundamentais para todos os seniores, incluindo aqueles com maior dependência ou doenças neurodegenerativas”, disse.









