Na cerimónia, que reuniu autarcas, representantes de instituições de ensino, empresários e parceiros locais, o diretor do Agrupamento, Jorge Pina, destacou que os novos centros constituem “um marco de grande relevância” e reforçam a capacidade formativa da escola, promovendo “inovação e qualificação avançada, alinhadas com as exigências do mercado de trabalho e com os desafios de um mundo cada vez mais digitalizado”.
O responsável sublinhou ainda que estes CTEs vão além da criação de novos espaços físicos, traduzindo “uma visão de futuro” e um compromisso com a modernização da escola pública.
Enalteceu também o trabalho das equipas envolvidas nas candidaturas e na execução dos projetos, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “Se a candidatura é o sonho, a execução é o “braço armado” que o torna real”, declarou, destacando o “trabalho hercúleo de quem geriu os cadernos de encargos, a logística dos procedimentos, a aquisição de equipamentos e o rigoroso controlo financeiro”.
A vereadora da Educação da Câmara das Caldas destacou que os CTEs são “um desígnio nacional oportuno e bem-executado”, sublinhando que Caldas da Rainha foi “feliz na atribuição destes projetos desde a primeira fase”. Conceição Henriques apontou o forte envolvimento do Município e a importância dos Centros para a qualificação dos jovens e para o desenvolvimento económico local.
Defendeu que o ensino tecnológico é hoje “indiscutível”, mas alertou para a necessidade de formar alunos com uma visão mais ampla. “Não basta serem tecnicamente competentes, é essencial que compreendam a sociedade e saibam enfrentar problemas reais, para os quais não existe uma resposta pré-definida”, salientou.
A autarca reforçou que a escola deve preparar os jovens para um futuro exigente e em constante mudança e concluiu afirmando que “os CTEs são mais um tijolo no edifício extraordinário da educação no concelho”, agradecendo o trabalho das equipas envolvidas.
Após os discursos, os convidados foram divididos em dois grupos e participaram numa visita guiada ao CTE Industrial e ao CTE Informático, acompanhados pelos respetivos coordenadores, ficando a conhecer os equipamentos, os espaços de aprendizagem e as valências tecnológicas ao dispor dos alunos.
CTE Industrial
Apesar da inauguração ter sido agora, o CTE Industrial já está em funcionamento com o novo equipamento. Está já a proporcionar aos 120 alunos dos três cursos profissionais de Técnico de Mecatrónica Automóvel, Técnico de Eletrotecnia e Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores o desenvolvimento de competências técnicas especializadas, entre outras, nas áreas da Mobilidade Elétrica, Robótica Industrial e Automação e Controlo”, referiu o coordenador do CTE Industrial, Henrique Fidalgo.
O responsável apresentou à comunicação social os principais equipamentos agora disponíveis, sublinhando que o centro está equipado “com tecnologia de topo, igual ou melhor da que existe atualmente na indústria”. Explicou que foram adquiridos dois veículos, um “híbrido e um elétrico bem como módulos, baterias e simuladores que permitem aos alunos trabalhar com sistemas automóveis modernos”.
Na área da automação, destacou a aposta robusta na robótica. “Temos robôs de topo de gama, alguns nem disponíveis ainda na própria indústria da região”, contou. Segundo o coordenador, esta tecnologia permite preparar os “alunos para lidar tanto com equipamentos mais antigos como com os mais avançados”.
Entre as novas valências, salientou ainda a célula de automação que reproduz “uma verdadeira linha de produção”, equipada com controladores, sensores e tapetes industriais, e que dá aos alunos a possibilidade de treinar em contexto altamente realista.
O centro dispõe ainda de impressoras 3D de maior dimensão e precisão, além de equipamento de soldadura e dessoldadura.
CTE de Informática
O coordenador do CTE de Informática, Miguel Carradas, explicou que o centro serve atualmente 155 alunos dos cursos de Programação, Técnico de Sistemas Informáticos e Técnico de Audiovisuais, prevendo-se um ajustamento futuro da oferta educativa com a atualização dos currículos nacionais. Sublinhou que a instalação dos novos equipamentos implicou uma reorganização profunda do edifício. “Tivemos de retirar material antigo, reforçar quadros elétricos e adaptar salas, porque o aumento de potência e de equipamentos exige outra infraestrutura”, explicou.
Destacou os scanners 3D, sistemas hápticos, câmaras de captação 360º e equipamentos 6K e 8K, bem como servidores dedicados. “Temos um servidor de rendering que permite aos alunos enviar os seus projetos sem interromper as máquinas das salas, garantindo continuidade das aulas”, referiu.
O centro encontra-se também equipado para trabalhar com software SAP, Cisco e Primavera, abrangendo redes, bases de dados e áreas criativas e multimédia.
Miguel Carradas salientou que, apesar de existirem dois CTEs distintos, o projeto foi pensado de forma integrada. “Os professores de uma área podem utilizar os recursos da outra e vice-versa, porque faz sentido que a capacitação docente não seja feita em ilhas, mas sim em rede partilhando recursos e competências”, referiu. “É essencial que a atualização das formações acompanhe a modernização dos equipamentos que implementámos”, acrescentou.
Sobre a existência de outros CTEs no concelho e um eventual aumento de concorrência, o coordenador defendeu uma visão colaborativa. “Podemos competir ou podemos trabalhar em rede. O que faz verdadeiramente sentido é criar sinergias e afirmar um cluster de ensino forte nestas áreas”, afirmou. Revelou que a preparação dos cursos foi feita em articulação com o Instituto Politécnico de Leiria e com empresas locais, garantindo alinhamento com as necessidades reais do mercado e do ensino superior.









