“Foi ali que, durante muito tempo, guardámos equipamentos, materiais de limpeza, redes recolhidas do mar, logística para ações no terreno e tudo o que nos permite continuar a proteger o oceano. Esse espaço deixou de existir e acabámos por perder o nosso atrelado, a impressora 3D e muito mais materiais essenciais para a nossa missão”, relatou a organização, que pediu ajuda: “Se alguém souber de um espaço para alugar, preferencialmente a um valor acessível, agradecemos profundamente que nos contacte. Sem um armazém, o nosso trabalho fica seriamente comprometido. A reconstrução vai exigir recursos que não estavam previstos: novo espaço, equipamentos, materiais e custos logísticos, além do valor a repor sobre todos os materiais perdidos. Qualquer contributo, por mais pequeno que seja, faz a diferença e ajuda-nos a voltar ao terreno o mais rapidamente possível”.
“A freguesia de Serra D’El-Rei foi a mais massacrada do concelho”, apontou Jorge Amador, presidente da Junta. À falta de luz e comunicações juntaram-se as muitas árvores caídas na estrada e outras estruturas destruídas.
O Padel Rey sofreu estragos avultados nas suas instalações e anunciou que foi obrigado a encerrar o clube desportivo por tempo indeterminado.
Mas todas as outras freguesias registaram ocorrências. Na cidade, foram deslocadas 40 pessoas de um acampamento, que foram encaminhadas para a Casa Municipal da Juventude, onde ficaram a pernoitar por uma questão de precaução.
Quedas de árvores, danos em infraestruturas, com especial incidência em coberturas, interrupções de vias rodoviárias e cortes no fornecimento de eletricidade, foram as principais incidências.
Filipe Sales, presidente da Câmara de Peniche, revelou que “ventos de 150km/h levaram telhados, deixaram danos em várias infraestruturas, derrubaram árvores. Tivemos a EN114 interditada e ainda algumas estradas municipais”.
O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, visitou alguns dos locais mais atingidos.
O Grupo Desportivo de Peniche sofreu danos no seu estádio, ficando com coberturas danificadas, bancadas afetadas, vedações destruídas e equipamentos que inutilizados.
Foi determinada pelo Município de Peniche a interdição temporária do parque de merendas do pinhal municipal e da circulação nos caminhos florestais da zona, por existirem condições de elevado risco físico para os utentes, decorrentes da instabilidade das árvores, da iminência de queda de ramos e da presença de árvores caídas e de material lenhoso, que comprometem gravemente a segurança.
Por sua vez, a Capitania do Porto de Peniche alertou para que se reforce a amarração e se mantenha uma vigilância apertada das embarcações atracadas e fundeadas. Deve-se evitar passeios junto ao mar ou em zonas expostas à agitação marítima, evitando ser surpreendido por uma onda ou queda de arriba.
Areia invadiu ruas na Nazaré
O Município da Nazaré ativou logo o Plano de Emergência Municipal de Proteção Civil, face aos danos materiais registados em equipamentos municipais e em propriedade privada.
Por motivos de segurança, foram temporariamente encerrados vários serviços e equipamentos públicos.
Devido à falha de eletricidade, registaram-se condicionamentos no abastecimento de água.
Os pavilhões municipais e sede da Biblioteca de Instrução e Recreio, na freguesia de Valado dos Frades, foram disponibilizados para banhos. Os Bombeiros Voluntários da Nazaré enviaram um camião-cisterna para Famalicão, destinado ao abastecimento de água não potável à população.
A Biblioteca Municipal garantiu acesso gratuito à rede ‘wifi’ e condições para carregar telemóveis e outros equipamentos.
Bailes de carnaval foram cancelados, assim como algumas festas, e foi determinada a redução do horário de funcionamento dos bares do concelho até às 00h00, medida que vigorará até ao fim da situação de calamidade.
Foram igualmente suspensas todas as atividades turístico-marítimas e de lazer e mar por razões de segurança, por se manterem condições meteorológicas severas.
Uma pessoa cuja residência ficou sem condições de habitabilidade foi para casa de familiares.
A areia da praia invadiu várias ruas da vila, levando a que voluntários se juntassem aos funcionários da Câmara para ações de limpeza. Destroços das vias foram também retirados nas freguesias de Famalicão e Valado dos Frades.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, visitaram alguns dos locais do concelho da Nazaré mais fustigados.










