“Dentro destes fenómenos meteorológicos que começam a ter cada vez mais frequência, temos de estar cada vez mais preparados para eles”, declarou.
“Já enfrentámos a pandemia, já lidámos com situações ligadas a conflitos internacionais, mas, este foi também um fenómeno extremo”, acrescentou Filipe Daniel.
Com o concelho ainda a atravessar dificuldades na gestão dos níveis de água da barragem e da influência das marés, o Município acionou rapidamente os seus meios de resposta. “Conseguimos fazer toda esta gestão para minimizar o máximo de riscos. Poucas horas depois da tempestade reunimos no complexo municipal logístico, ativámos o plano de emergência e organizámos o levantamento das situações mais urgentes”, explicou Filipe Daniel.
A prioridade recaiu sobre as pessoas mais vulneráveis como idosos, dependentes de oxigénio, utentes de IPSS e crianças. “Tivemos uma resposta pronta e organizada, com todos os dirigentes a saberem exatamente o que fazer. Algumas pessoas foram dispensadas para poderem apoiar familiares com necessidades especiais”, acrescentou.
No balanço das ocorrências, o município registou 64 quedas de árvores, algumas atingindo viaturas, estruturas imóveis e património. “Apesar da intensidade do vento, esperava mais danos e felizmente estava enganado. Com 46 anos, não me recordo de ter passado por algo desta intensidade em Óbidos”, confessou o autarca.
As equipas municipais, juntas de freguesia e bombeiros procederam ao desimpedimento rápido de vias e acessos a habitações, assegurando que ninguém ficasse isolado.
O concelho registou seis inundações. A barragem mantém as comportas abertas para garantir capacidade de resposta a novas precipitações. “Temos feito esta gestão em articulação com a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a Associação de Beneficiários do Plano de Rega das Baixas de Óbidos e a Proteção Civil, para criar uma almofada de segurança. As comportas abrem automaticamente aos 31,45 metros”, explicou Filipe Daniel.
Várias zonas do concelho permaneceram sem energia elétrica durante mais de 40 horas devido a danos nas linhas de alta tensão entre Peniche, Atouguia da Baleia e Óbidos.
“A E-Redes informou-nos de que os danos eram significativos e que a reparação demoraria mais de 24 horas”, indicou o autarca, assinalando que a informação foi partilhada através das redes sociais do município.
Para garantir o abastecimento de água e apoiar as Instituições Particulares de Solidariedade Social e equipamentos médicos, a autarquia distribuiu geradores próprios e alugados. “Estas áreas ficaram salvaguardadas. Conseguimos também encher depósitos de água com o apoio dos Bombeiros de Óbidos, e ainda dos Bombeiros de Bombarral, para que ninguém ficasse sem água para alimentação ou higiene”, descreveu.
Filipe Daniel garante que, apesar das dificuldades, o abastecimento “está minimizado”.










