A visita ficou marcada por uma forte adesão popular, sobretudo de jovens, muitos dos quais se aproximaram para manifestar identificação com o candidato e com as suas ideias políticas. Um jovem caldense, com cerca de 20 anos, após tirar uma fotografia com João Cotrim de Figueiredo, afirmou que nunca se tinha “identificado tanto com um candidato” e que nunca tinha votado “com tanta convicção” como aquela com que tencionava fazer no dia 18 de janeiro.
Também várias mulheres mais velhas se aproximaram para cumprimentar o candidato, trocando beijos e abraços. Uma delas confidenciou, entre risos, que o marido iria votar no Chega, mas que o seu voto seria em João Cotrim de Figueiredo.
O candidato chegou pouco depois das 10h00 à Pastelaria Venezia, no centro da cidade, onde foi de imediato abordado por jovens que lhe pediram autógrafos no livro “Porque sou Liberal”.
Seguiu depois pelas Rua das Montras em direção à Praça da Fruta. Demonstrou curiosidade pelos produtos locais, colocando questões a alguns produtores, e acabou por gastar cinco euros em Maçã Bravo de Esmolfe, que foi comendo ao longo da arruada.
O percurso foi feito a passo lento, devido às constantes solicitações para cumprimentos, fotografias e gravação de vídeos. Numa das bancas, a produtora Cristina Henriques partilhou, em tom de brincadeira, um antigo trocadilho sobre as tangerinas, conhecidas como “alcoviteiras”, explicando que “antigamente, quando os vizinhos não iam à nossa tangerina, isso não passava despercebido”.
Na Praça da Fruta, João Cotrim de Figueiredo conversou ainda com um ex-combatente, que relatou o sofrimento vivido na Guiné e manifestou descontentamento com o que considera ser o abandono por parte do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Apesar do ambiente maioritariamente positivo, houve também espaço para alguma discordância. Um vendedor mostrou-se mais agreste, afirmando que fazia falta “um Ventura ou um Trump para pôr as coisas em ordem”.
Durante a arruada, João Cotrim de Figueiredo cruzou-se na Praça da Fruta com Jorge Pinto, também candidato presidencial, apoiado pelo Livre. Os dois trocaram cumprimentos e algumas palavras, num momento breve e cordial.
No final da visita à Praça da Fruta, o candidato respondeu às questões colocadas pelos jornalistas. Questionado sobre o crescimento da campanha e se os resultados positivos das sondagens lhe têm dado maior confiança para intensificar as ações de rua, o candidato sublinhou que a sua estratégia não depende de dados conjunturais. “Como devem imaginar, a agenda da minha campanha está definida muito antes de serem conhecidas as sondagens. Já estava tudo previsto e é natural que, nos últimos dias, haja mais ações de rua, o que acaba por gerar maior mobilização”, afirmou.
Sobre como se conquista o eleitor indeciso, João Cotrim de Figueiredo afirmou que “a primeira missão é perceber, em poucos segundos, que tipo de pessoa temos à nossa frente”, explicou. “Tenho argumentos para diferentes perfis de eleitores, desde os mais racionais aos menos racionais, e consigo adaptar rapidamente o meu discurso para gerar confiança, naturalidade e conforto na escolha da minha candidatura. Isso dá-me imenso prazer”, referiu.
Cotrim revela critérios para o Hospital do Oeste
O candidato presidencial respondeu depois às perguntas dos jornalistas locais, centradas na realidade das Caldas e da região Oeste. Questionado sobre os principais problemas identificados no contacto com a população caldense, destacou questões que diz ouvir recorrentemente desde que entrou na vida política. “Há dois temas que surgem sempre que é a indefinição em torno da localização do Hospital do Oeste, que continua por resolver, e a eletrificação da Linha do Oeste, uma obra que começou há anos e que parece não ter fim”, apontou.
Para além disso, mencionou problemas sociais transversais, como as dificuldades sentidas por ex-combatentes, pessoas com problemas de saúde ou de habitação, sublinhando que essas situações “não são muito diferentes nas Caldas do que noutras zonas do país”. Ainda assim, considerou que as infraestruturas da região do Oeste assumem um caráter mais específico. “Por razões que nem sempre são claras, estas infraestruturas têm sido alvo de um constante “pingue-pongue”, seja por divergências autárquicas, seja por falta de prioridade, como aconteceu no plano ferroviário nacional”, criticou.
Confrontado com o facto de a sua campanha dar especial destaque à área da saúde e se tinha conhecimento da realidade local, João Cotrim de Figueiredo reconheceu que o tema do Hospital do Oeste surge sistematicamente em diferentes atos eleitorais. “É um processo que se arrasta há anos. O hospital chegou a ter dotação orçamental, mas nunca teve uma localização definida, e o processo de decisão tornou-se algo que considero verdadeiramente rocambolesco”, afirmou.
“O Presidente da República não pode pegar num mapa e numa caneta e decidir onde fica o hospital, mas pode e deve lembrar os responsáveis políticos de que a saúde no Oeste tem problemas sérios de capacidade de resposta, em grande parte porque esta decisão continua por tomar”, frisou.
Defendeu que é necessário revisitar de forma objetiva os critérios para a escolha da localização, tendo em conta fatores como a mobilidade dos profissionais de saúde, a capacidade de resposta às populações abrangidas e a evolução demográfica dos vários concelhos da região. “Qualquer solução vai sempre desagradar a alguém. O hospital não pode estar em três sítios ao mesmo tempo. As localidades que não forem escolhidas ficarão naturalmente descontentes, mas o mais importante é que a população do Oeste, no seu conjunto, passe finalmente a ter uma resposta”, afirmou.
Sobre um eventual papel mais interventivo do Presidente da República neste processo, João Cotrim de Figueiredo defendeu uma atuação pedagógica e de mediação. “Relembrar, sim, mas não no sentido de censurar ou fazer críticas gratuitas. Trata-se de perceber o que é necessário para ajudar, explicar às pessoas que a decisão não é contra ninguém, mas a favor da região Oeste”, salientou.
Questionado se tem uma opinião formada sobre a localização do futuro Hospital do Oeste, confirmou que sim, mas optou por não a revelar.










