“Hospital do Oeste, nascer, apanhar o comboio e esperar”

10 de Janeiro de 2026

Artigo 166.º do Orçamento do Estado 2026. Aquele momento mágico em que se decide que a saúde em Portugal vai finalmente ganhar realidade, em versão touring mix, distribuída por concelhos como quem entrega folhetos na feira.

 

No ponto b) lá está ele, escrito com toda a solenidade e esperança de quem olha para o futuro com um sorriso. Aquele mesmo sorriso de quem não sabe se vai ser brindado ou apenas brindado com papelinho.

“Construção do hospital de proximidade do Seixal, do hospital central do Algarve, do hospital do Oeste, do hospital de Barcelos e da nova maternidade de Coimbra.”

Em português simples. Há hospital do Oeste, tal e qual como vinham a pedir as gentes desta banda. Tudo muito bonito. Só que, como em todos os casamentos felizes, há sempre aquele momento em que se pergunta:
“Mas quando é que começa mesmo a obra?”
E a resposta, clássica portuguesa:
“Depende… do calendário das plantas… dos votos partidários… e se o café da esquina já teve luz hoje.”

A esperança não acaba aqui. Porque se o hospital do Oeste dá ânimo, o Artigo 211.º chega para animar os transportes e tornar tudo mais moderno:

“Eletrificação e modernização da linha do Oeste. Em 2026, o Governo assegura o financiamento necessário para a conclusão da eletrificação e modernização da linha do Oeste em toda a sua extensão, garantindo a interligação deste eixo ferroviário com a linha do Norte e com a linha de alta velocidade, com centros intermodais e eixos de transporte público rodoviário na região Centro e Norte do distrito de Leiria, além da modernização e reforço do material circulante ferroviário.”

Ou seja. O Oeste vai ter hospital e comboio moderno. Quem diria! Agora dá para nascer no hospital do Oeste, apanhar o comboio eletrificado e ainda chegar a Coimbra ou Lisboa, caso a maternidade local esteja fechada. Não precisam de gás, nem de ambulâncias do INEM. O plano é simples. Levam o carrinho do bebé até à estação, compram bilhete e partem para a aventura. É o turismo neonatal versão portuguesa: parto + comboio + pais com mapa da rede ferroviária.

E, claro, apesar de todos estes artigos, ainda falta o decreto orçamental que vai dizer o quê, quando e quem de todas estas obras e projetos começa primeiro e quando. Porque prometer é fácil. Organizar e mostrar quem mexe a pá é outra história. Enquanto o papel não é assinado, sobra espaço para piadas, comentários e suspiros de quem já começa a duvidar que as máquinas de obra alguma vez vão mexer.

Viva o Artigo 166.º e o 211.º! É bonito ver o papel prometer hospitais e linhas eletrificadas. Ainda mais bonito seria ver as máquinas a trabalhar e os comboios a passar. Um hospital no papel, uma linha de comboio prometida e um decreto que ainda falta. Prometem muito, mas deixam saudade se não vierem completos.

E para os que sempre disseram: “o Oeste precisa disto”, aqui fica a rima final, bem ao estilo da rubrica:

Hospital do Oeste, comboio do Oeste, que venham com urgência, partos, consultas e viagens confortáveis, e muitos cafés nas estações para animar as esperas!

Quando a saga dos decretos, das obras e dos comboios continuar a ser uma lição de paciência, política e humor negro, o bebé do Oeste ainda vai viajar em primeira classe antes de ver um médico.

Até para a semana.

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