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Cidade-dormitório

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Apesar da autopromoção constante, nos meios de comunicação - por parte do executivo da Câmara Municipal - Caldas da Rainha continua a ser uma singela localidade perto de Óbidos, com pouca atratividade cultural e nenhuma graça estética.

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Apesar da autopromoção constante, nos meios de comunicação – por parte do executivo da Câmara Municipal – Caldas da Rainha continua a ser uma singela localidade perto de Óbidos, com pouca atratividade cultural e nenhuma graça estética.

O concelho não possui um rosto, uma marca que o defina. Parece, inclusive, que os autarcas não conseguem decidir-se sobre qual o caminho a seguir nesse quesito. Caldas da Rainha é uma cidade com que fisionomia? Qual o seu selo distintivo? O que pode atrair turistas? O que a pode tornar apetecível para grandes investimentos?

Uma das ações urgentes a realizar é a do resgate da sua história e da sua identidade, todavia, o pelouro indicado para isso, o da Cultura, é apenas um cabide de emprego e uma vitrina de pavoneamento. Não existe uma estratégia, por parte desse organismo, para evidenciar a crónica caldense, os seus feitos, os seus heróis, as suas instituições, etc.

Não há, igualmente, um programa de revitalização urbana, que tenha como objetivo a recuperação e a preservação de todo o centro histórico, efetuando uma bem elaborada prospeção de propriedades e estudos de incentivo para a reabilitação do património degradado e/ou devoluto.

O desperdício do dinheiro público é outro dos problemas recorrentes nas Caldas da Rainha, um dos exemplos mais recentes é o do gasto com os novos bancos da praça da fruta (Praça da República). Considero abusivo o investimento efetuado (11.2 mil euros), quando o concelho possui um organismo (Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha) que poderia, com valores muito inferiores, criar um modelo atrativo. Afinal, o burgo é ou não uma cidade criativa?

Contratar o escritório do arquiteto Álvaro Siza Vieira para elaborar bancos de jardim (neste caso, para uma praça) cheira-me a snobismo bacoco, que deve ter saído da “cabecinha pensadora e pouco esclarecida” de alguém que dorme sentado num certo pelouro.

Já que esse arquiteto foi para aqui chamado e que a Câmara das Caldas da Rainha é mãos-largas no quesito “ajustes diretos”, fica aqui a dica: contratem-no para executar o traçado do futuro Arquivo Histórico Municipal. Antes que a documentação rara e importante do concelho seja comida por insetos bibliófagos, por estar acondicionada como se fosse papel velho.

Um antigo ditado medieval alemão diz-nos que “o ar da cidade liberta”, principalmente se tivéssemos diante de nós uma cidade moderna, com respeito total pela sua história, pela sua memória, e com vitalidade social, política e económica. Nas Caldas da Rainha não há nada disso. Para piorar, as infraestruturas são simplórias e maltratadas (basta ver o que o executivo camarário faz com o Parque D. Carlos I), o concelho não possui um plano paisagístico, o investimento em energia sustentável é inexistente, etc.

O executivo da Câmara Municipal tem a seu favor o facto de que o caldense tem memória muito curta, um reduzido conhecimento da história da sua terra (e/ou da sua gesta familiar) e confunde tradição popular e vivência comunitária com festarolas e bimbalhadas (exatamente a têmpera da vereação da – pouca – Cultura).

Ao concelho caldense já não é somente o rosto que lhe falta, Caldas da Rainha é uma terra sem alma. Os políticos transformaram-na numa cidade-dormitório. Não há motivo para sorrir. Há que lastimar. O burgo é apenas um aglomerado urbano, um subúrbio, fincado nos arredores de uma região próspera, que respeita a sua história, a sua memória, e que possui um rosto, uma fisionomia muito clara e profusamente reconhecida na Europa.

Caldas da Rainha é uma cidade genérica. Existe um acúmulo de impressões negativas, derivadas de um pensamento pobre, vinculado a uma classe política vazia, sem conhecimentos e sem sensibilidade. O precário é o todo. O todo é o nada.

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