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Uma questão de “velhos” conceitos

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Idosos, terceira idade, seniores, reformados, velhos...são muitos os conceitos vulgarmente utilizados para definir as pessoas com mais idade. Dei comigo a refletir sobre estes conceitos.

Idosos, terceira idade, seniores, reformados, velhos…são muitos os conceitos vulgarmente utilizados para definir as pessoas com mais idade. Dei comigo a refletir sobre estes conceitos.

O conceito normalizado para definir um cidadão com mais de 65 anos em Portugal, é idoso. Este conceito foi criado em França, em 1962, com o surgir de uma política de integração das pessoas mais velhas, com reformas político-administrativas que visaram dar melhores condições de vida a uma faixa etária à beira da indigência desde o pós segunda guerra mundial. O conceito de idoso veio então substituir outros termos utilizados, por serem considerados mais pejorativos e também no sentido de uniformizar um conceito que até então era vago.

Terceira idade também foi um conceito adotado na mesma altura, designando as pessoas na idade da reforma, fase na qual se reconhece uma maior necessidade de cuidados a nível físico e mental, promovendo um envelhecimento com maior qualidade de vida. Mas será que podemos limitar o ciclo de vida de uma pessoa a três etapas? Com o aumento da esperança de vida não será redutor? Porque não quarta idade, quinta?

Já o conceito de sénior surgiu nos anos 60, com base na hierarquia profissional. Um colaborador no início de carreira será considerado júnior, já com experiência na profissão é considerado sénior. Por conseguinte adaptou-se o termo ao ciclo de vida para denominar uma pessoa com mais experiência de vida. Até concordo com a sua adaptação, contudo mais uma vez considero redutor. A experiência de vida é apenas uma característica num ser biopsicosociocultural, espiritual, emocional, tal a complexidade.

O termo velho, inicialmente utilizado, foi sendo abandonado ao longo dos tempos, por, em determinados contextos soar mal e ser pejorativo. Em sociedades desenvolvidas em que os idosos são valorizados, aceites e respeitados com valor, o conceito de velho remete para seres inferiores e improdutivos, com impacto negativo na sociedade.

Embora idoso seja o conceito correto a utilizar na nossa sociedade, sinto que esta palavra carrega em si um peso que me desagrada. Talvez pela forma como os idosos são vistos no nosso país. Muitas vezes como um encargo, uma despesa, um estorvo quando teimamos em apagar um passado que tiveram, uma história que construíram, aquilo que somos hoje. Apesar do desenvolvimento de políticas, de programas de saúde e de respostas sociais no nosso país, ainda estão muito aquém de obter os resultados pretendidos.

A avaliação é clara. Portugal é cada vez mais um país envelhecido. A qualidade de vida que se pretende quase parece utopia. Os maus tratos e negligência de quem cuida. Os cuidados de saúde insuficientes, fruto de um SNS cansado e sem resposta que muitas vezes é obrigado a priorizar vidas tendo em conta a idade. Filhos e netos inseridos num mercado de trabalho que ocupa suas vidas sem espaço para cuidar dos seus. Tudo são fatores que concorrem para que vivamos ainda, em 2023 num país de velhos em detrimento do conceito de idoso, que ao ser criado, pressupunha o conjunto de políticas e estratégias para valorizar aqueles que no seu tempo deram tudo e hoje parece não valerem nada.

O caminho é longo mas não impossível. Mas comecemos por reflectir sobre os conceitos. Pode ser um ponto de partida.

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