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Histórias do Termalismo

8. A Viagem de uma Banheira

Jorge Mangorrinha

EXCLUSIVO

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Não vos falo da famigerada banheira de pedra que seguiu das Caldas da Rainha para as Caldas da Imperatriz, no Brasil. Falo-vos de uma outra banheira antiga, em folha-de-flandres e antes pintada, já envelhecida e que é proveniente das Termas de Alcafache, no concelho de Viseu. A sua viagem até às Caldas foi na diagonal do interior do meu carro e não caberia se fosse mais comprida um centímetro. Presentemente, é o elemento central da instalação “Viagem ao Centro da Cidade” e evocativa de um “Templo da Água”, patente na Galeria de Exposições do Espaço Turismo, nas Caldas da Rainha.

A propósito, direi que o aproveitamento da água de Alcafache se foi fazendo livremente, ao longo dos séculos, pelas populações vizinhas, que ali acorriam. Era apenas utilizada em banhos de imersão e ingestão. Em 1924, o químico Charles Lepièrre analisou-a e classificou-a como hipertermal, sulfúrea e carbonatada sódica, nascendo a 51º de temperatura. A Câmara Municipal de Viseu foi durante muito tempo responsável pelo registo e pela exploração das águas, com bastantes dificuldades, devido aos problemas causados pela captação, em pleno leito do rio. A 25 de março de 1925, um relatório do facultativo municipal e diretor do Hospital de S. Pedro do Sul, o médico hidrologista Ferreira d’Almeida, intitulado “Caldas de Alcafache. Descrição das qualidades e importância medicinais da nascente”, refere que “o antigo e considerado clínico Bernardino Pais de Almeida, viseense ilustre”, enquanto presidente da Câmara, “visionou a obra grandiosa, bela e largamente prometedora, de canalizar para a sua Terra as Águas de Alcafache, metamorfoseando assim a antiga e já hôje florescente Capital da Beira Alta, num centro hodierno hidroterapêutico”. Este relatório serviria para o pedido de concessão da exploração das águas por parte da Câmara. Curiosamente, a 12 de maio de 1926, um empréstimo contraído pela Câmara à Caixa Geral de Depósitos tinha em vista a dita condução destas águas para o Fontelo, na cidade de Viseu, que não se concretizou, felizmente. Em Alcafache, havia pensões e casas, todas com banheiras, levando cada banheira 8 a 10 cântaros, conforme o desejo de cada doente, sendo cada cântaro pago por $10. Empregavam-se, neste trabalho, duas dúzias de mulheres e homens, em intenso corrupio pela madrugada. Segundo um relatório das condições locais dos Banhos de Alcafache e do reconhecimento das emergências (16 de dezembro de 1949), refere-se que as “pensões–balneário” tinham alojamento para os aquistas, “com certo conforto”, e séries de cabines com banheiras “muito perto dos quartos de cama”. A falta de interesse posterior do município levou à perda da concessão das nascentes. Com um período transitório em que foi transmitida a concessão ao médico Manuel Cardoso Pessoa, foram adquiridos, em 1955, os direitos de registo e concessão das nascentes pelo médico Eduardo Leal Loureiro e organizada a sociedade concessionária “Termas das Águas Sulfurosas de Alcafache, SARL”. Foi construído o balneário, inaugurado em 1962, mas continuou a tradição dos banhos de imersão em banheiras nos quartos de banho das casas de hóspedes. A água era canalizada para as casas, a partir da nascente, pelo sistema de distribuição do balneário. Dizia-se que em Alcafache se mantinha tal método apenas como medida de “concorrência” com as Caldas de S. Gemil, alvitrando-se que, desde que se conseguisse regularizar a situação em S. Gemil, os banhos a domicilio desapareceriam imediatamente de Alcafache. Mesmo após a entrada em funcionamento do balneário, não havia ainda energia elétrica na localidade, pelo que os banhos, no próprio balneário, foram durante dois anos enchidos a cântaro. E para acabar com o mergulho dos cântaros no tanque, este foi substituído por dez torneiras de água quente montadas encostadas à rocha. Os tempos mudaram, mas as antigas banheiras metálicas, e outras, sobreviveram, das quais veio esta, que cá fica e anima agora o olhar de quem visita a Instalação, junto à jovialidade desafiadora do manequim feminino, que lhe está à cabeceira, e às águas furtadas vertidas num garrafão de Luso, também ele simbólico neste contexto. Diferentes termas se unem aqui, talvez a premeditar um Centro que, para além da atividade termal, possa ter um conjunto de oferta institucional e pedagógica, sólidas, à volta da saúde e do turismo, enfim, do termalismo português, que nas Caldas é raiz, referência nacional e uma marca fundamental, a reviver, depois de reaberta a atividade na sua plenitude.

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