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Inaugurada escultura alusiva ao “Golpe das Caldas”

Mariana Martinho (texto) / Rita Damásio (fotos)

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O monumento evocativo ao “Golpe das Caldas”, instalado em frente a um dos portões da Escola de Sargentos do Exército (ESE), que na altura da revolta era Regimento de Infantaria 5, de onde partiu a coluna de militares em direção a Lisboa, para realizar um golpe que, apesar de falhado, viria a ser o prenúncio da revolução de Abril, foi inaugurado no passado sábado à tarde. Da autoria do artista plástico José Santa-Bárbara, a peça escultórica, que teve o custo de cerca de 80 mil euros, tem aproximadamente oito metros de altura e uma base em betão escuro, que representa os muros da repressão que existiam antes do 25 de Abril, a partir da qual sai um “canhão” em inox que liberta uma série de hastes com estrelas e bolas a simular fogo-de-artifício, representativo da nova democracia.
Grupo de entidades junto ao monumento evocativo do “Golpe das Caldas”

A obra, que foi encomendada pela Câmara Municipal, marcou o início das comemorações do 44º aniversário do 25 de Abril e ainda fez parte das celebrações dos 44 anos do “Golpe das Caldas”, que este ano contou com duas iniciativas, o monumento e o lançamento da banda desenhada ‘Nascida das Águas e o 16 de Março de 1974’, da autoria do mestre José Ruy.

Passados quatros anos desde o anúncio sobre a colocação da peça, o escultor José Santa-Bárbara mostrou-se bastante satisfeito com a obra final, salientando, durante a cerimónia inaugural, que “finalmente está colocada e pronto”.

A peça, explicada pelo, “ é constituída por três partes, em que a base em betão negro representa os muros de antes do 25 de Abril de 1974 e os 48 anos de fascismo, do qual sobressai um cano em inox, que neste caso não lança bombas mas estrelas e bolas representando a liberdade”. Acrescentou ainda que o monumento tem um pormenor de não ser estático e de as estrelas e bolas oscilarem com o vento.

O escultor frisou que “esta inauguração é um momento muito importante, pois resultou exatamente naquilo que eu queria”.

A cerimónia, que teve início com um momento musical proporcionado pelo Grupo Coral das Caldas da Rainha, contou com a presença do secretário de Estado da Defesa Nacional, Marcos Perestrello, que depois de descerrar a placa inaugural, reconheceu que “o 16 de Março tem ficado secundarizado no caminho para chegar à democracia” e que “este prenúncio da liberdade não pode ser esquecido”.

Para Marcos Perestrello, “há momentos históricos que nem sempre são devidamente valorizados por quem tem mais responsabilidades, e que por vezes são esquecidos ao nível central”, congratulando “todos os autarcas que no país fazem o esforço de os assinalar”.

O governante realçou que “o 25 de Abril foi um momento que teve um caminho com vários passos” e que “um deles foi o 16 de Março e o Governo não pode esquecer esse marco nem esse trabalho pode ser deixado só à Câmara Municipal”.

Na opinião do governante, a peça escultórica simboliza a “passagem de um momento triste do regime ditatorial para um momento de felicidade, que foi a liberdade e a democracia”. Nesse sentido, Marcos Perestrello considerou que o artista “conseguiu traduzir isso muito bem no monumento”.

Além disso, o governante alertou para a importância dos programas escolares incluírem este “marco histórico na criação de condições para o êxito que o 25 de abril teve”.

Já o presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, considerou que a inauguração deste momento “será um dos momentos mais importantes” da sua ação como autarca. Além disso, sublinhou que a cidade sempre sentiu vontade de assinalar a efeméride, com uma iniciativa “verdadeiramente evocativa” deste momento, e espera, com a obra escultórica recém-inaugurada, “ter conseguido estar à altura daquilo que foi um dos atos mais corajosos e mais importantes da história da democracia”.

Em relação à instalação da peça, que inicialmente previa a colocação do monumento junto à entrada principal do quartel, o autarca explicou que “isso implicaria da nossa parte um investimento muito superior àquele que tivemos e teríamos de fazer um conjunto de infraestruturas num terreno que não era nosso para poder concretizar a obra”.

Relativamente ao Centro de Interpretação, onde serão colocadas placas explicativas sobre o golpe, o autarca esclareceu que “será desenvolvido daqui para a frente, numa relação entre o monumento e o quartel, e ainda numas das próximas comemorações do 16 de março”.

Presentes na inauguração também estiveram vários antigos militares envolvidos no golpe e outras entidades.

Após o ato inaugural, os participantes foram encaminhados para um lanche que foi servido no refeitório da ESE, onde também foi oferecido o livro de banda desenhada da autoria de José Ruy.

PS considera deslocalização do monumento “um erro urbanístico”

Relativamente ao monumento evocativo, o Partido Socialista recordou que no anterior mandato autárquico, o seu Grupo Municipal apresentou à Câmara a proposta de criação do “Centro de Interpretação do 16 de março de 1974”, sendo que a essa proposta acrescentou-se a intenção da construção de uma peça alusiva ao “Golpe das caldas” em frente à porta de armas da atual ESE.

Agora passados quatro anos, o vereador do PS, Jaime Neto questionou o ponto de situação relativamente ao monumento quanto ao seu enquadramento paisagístico e urbanístico, tendo sido informado que o executivo camarário “pretendia instalar no espaço relvado municipal de uma urbanização existente junto ao quartel militar e que estaria a ser preparado procedimento por parte dos Serviços da Divisão de Execução de Obras tendo em vista a execução dos trabalhos de construção civil”. Adiantaram ainda que nunca antes tinham sido informados desta intenção, “apresentada como facto consumado”.

Nesse sentido, os vereadores do PS em declaração “lamentam profundamente que a proposta de criação de um centro de interpretação tenha sido esquecida, e entendemos que é um erro urbanístico a deslocalização do monumento para um espaço relvado, que resultou de uma área de cedência de uma urbanização, espaço esse que está descentrado relativamente à simbólica porta de armas do quartel militar, pela qual saíram os militares revoltosos na manhã do dia 16 de março de 1974”.

Igualmente consideram que “tal deslocalização diminui a dignidade que o monumento e a evocação ao 16 de março merecem”.

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