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Vivemos tempos difíceis, ouve-se um pouco por todo o lado. Vivemos uma crise financeira mundial, onde as economias vacilam ao sabor do egoísmo humano que tudo quer para si sem cogitar do bem-estar alheio. Falta trabalho, falta pão, falta paz, falta solidariedade, falta bom senso, falta amizade, falta solidariedade, falta, falta… O espectro social parece […]

Vivemos tempos difíceis, ouve-se um pouco por todo o lado. Vivemos uma crise financeira mundial, onde as economias vacilam ao sabor do egoísmo humano que tudo quer para si sem cogitar do bem-estar alheio. Falta trabalho, falta pão, falta paz, falta solidariedade, falta bom senso, falta amizade, falta solidariedade, falta, falta… O espectro social parece negro, irremediável, situação esta derivada também da capacidade manipuladora dos órgãos de comunicação social que apenas destacam o mal, o erro, o crime, raramente dando espaço aos aspectos mais positivos, que por não serem escandalosos deixam de ser notícia, nos seus conceitos primitivos de “notícia”, neste mundo ainda essencialmente materialista. Os mais distraídos deixam-se levar na onda do pessimismo, sintonizam com essa ondas mentais destrutivas, inquietantes, paralisantes, que conduzem à revolta, ao ódio, à inquietação, à morte, ao suicídio muitas vezes. O homem, perdida a noção de Deus, nesta sociedade materialista que nos consome, onde valorizamos mais o ter do que o ser pessoa, estertora, agonizando lentamente os mais nobres ideais, deixando-se corromper, partindo para excessos de toda a ordem, e acabando finalmente por se sentir insatisfeito, não realizado, frustrado, enrolando-se em última instância nos liames do suicídio. No passado mês de Julho de 2011, encontrei pessoa conhecida que não via há anos. Pessoa culta, conhecedora de múltiplos afazeres, já foi muito rica em país estrangeiro, tendo regressado a Portugal e tendo aos poucos perdido toda a sua riqueza, ao ponto de agora sobreviver com 300 € pagando 200 € por um quarto. Todos os dias vai comer à Misericórdia local. Sensibilizei-me com a sua situação, procurando vê-la como normal, mas o que mais me desconcertava era a serenidade dessa pessoa, que com um olhar lúcido e penetrante me dizia: «Sabes, já tentei o suicídio uma vez. Felizmente não o consegui. Somente agora conhecendo a Doutrina Espírita vejo o enorme disparate que ia cometer, pois agora sei que a vida continua. Sabes, apesar de viver com muito pouco, hoje sou feliz, tenho um quarto, tenho comida, tenho apoio social, que mais quero?». O espiritismo é o melhor preservativo contra o suicídio pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias, a dissemelhança de oportunidades, quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Confesso que engoli em seco, eu que estou habituado a reclamar de injustiças que julgo serem grandes ou de situações com as quais não concordo. Acabara de receber a maior e mais nobre lição de simplicidade, de humildade lúcida de que me lembro na minha vida. Ainda hoje a estou a mastigar lentamente, para que ela fique bem presente em mim, para que aprenda que a Vida é muito mais do que ter casas, carros, dinheiro no banco, ter coisas. Viver bem, afinal, ensinou-me aquele conhecido que não via há muito, viver bem, é afinal… um estado de alma, de alguém que está de bem com a vida, procurando lutar, estar sempre melhor, mas sem se embrenhar nos campos lodosos da revolta, da passividade. Comecei a relembrar os conceitos vertidos no “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Génese”, “O Céu e o Inferno” e “O Livro dos Médiuns”, todos eles de Allan Kardec, e que formam a base da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim uma doutrina de tríplice aspecto: ciência, filosofia, moral). Ah, quando todos souberem que afinal a vida é apenas uma, a desdobrar-se em infinitas oportunidades existenciais, neste e noutros planetas, bem como em diversos planos existenciais no mundo espiritual, as pessoas jamais se suicidarão por terem problemas, pois saberão que a morte do corpo de carne será apenas uma mudança brusca de “casa”, com consequências terríveis para quem o faz, muitas vezes a repercutirem-se em vidas posteriores. O estudo da doutrina espírita (poderá fazê-lo gratuitamente em qualquer centro espírita idóneo ou em www.adeportugal.org) é o melhor preservativo contra o suicídio, pois explica ao homem o porquê das suas dores e alegrias, a dissemelhança de oportunidades, quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Com o espiritismo aprendi que vale a pena viver, custe o que custar, mas mais aprendi com a força notável do meu conhecido, que desceu do “muito rico” ao “paupérrimo”, e que graças ao conhecimento espírita mantém uma serenidade e um bem-estar contagiantes, baseados na fé raciocinada que move montanhas… José Lucas

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