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“Balanço de 2010″

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Para quem sabe governar, a sua casa, o seu negócio, o seu país… o balanço é algo de muito necessário, diria indispensável. A sua falta atempada tem levado a muita insolvência. Os modernos meios tecnológicos podem ser de grande ajuda para este assunto, muito mais eficazes que os de antigamente. Aqui não resisto a contar […]

Para quem sabe governar, a sua casa, o seu negócio, o seu país… o balanço é algo de muito necessário, diria indispensável. A sua falta atempada tem levado a muita insolvência. Os modernos meios tecnológicos podem ser de grande ajuda para este assunto, muito mais eficazes que os de antigamente. Aqui não resisto a contar uma história. O honrado comerciante da província tinha o seu negócio, mas não fazia “escrita”. Confiava no seu tino administrativo e à cautela tinha colocado na sua loja um letreiro que dizia: “Hoje não se vende fiado, só a dinheiro, mas amanhã sim”. No momento actual poderia escrever: não se aceitam cheques a não ser visados e Multibanco … nem vê-lo. Ora o tal tino administrativo tinha-lhe possibilitado mandar o filho estudar na cidade. Um dia o filho veio a casa e vendo que o pai não tinha escrita montada, disse-lhe com ar de “doutor”: Pai está aqui um livro, onde o pai vai passar a apontar as despesas e os apuros: na coluna do «deve» põe as despesas e na coluna do «haver» o que tem a receber. Passado tempo o filho escreveu ao pai a pedir dinheiro, só que este começou a não abundar nas mãos do pai que lhe respondeu assim: Olha filho desde que comecei a usar o livro que me deste, acontece que lá diz «deve haver», mas de facto não há! Não te posso mandar nada. Eu não quero falar em crise, mas não posso deixar de dizer que ela está cá porque as pessoas singulares, as empresas e o governo não souberam governar e vivemos e continuamos a viver todos acima das nossas posses. Se o vizinho trocava o velhinho 2 CV por um Rover, o vizinho, comprava um BMW! Se a loja ao lado aumentava as instalações e modernizava a casa, o vizinho ao lado comprava um armazém novo de como gastava o dinheiro no armazém não tinha dinheiro para maquinaria e assim o negócio ia por água abaixo. Se o governo do país X, comprava para o seu pessoal diplomático 4 automóveis «Volvo», e os trocava de dois em dois anos, o nosso governo comprava para igual número de pessoas 8 automóveis «Mercedes» topo de gama, e trovava-os todos os anos. Assim fomos vivendo até que o «porquinho» das economias morreu… E com ele mataram a nossa Agricultura, as nossas Pescas, as nossas PME e agora somos um país fantasma. O que temos para dar ao futuro? «As novas oportunidades», as «Energias renováveis», mas para quem? Os casais não querem filhos; aos que os têm é-lhes negado o Abono (que até o Salazar dava!); quando chegam, por erro de cálculo, recorre-se ao aborto no SNS, crime que nós pagamos com os nossos impostos e os idosos que restam, não precisam das Novas Oportunidades, nem das Energias renováveis pois não têm tempo para delas desfrutar, porque se teimam e viver muito, com prejuízo para as Funerárias, internam-se em qualquer lado e dá-se-lhes, piedosamente, um cheirinho… Mas esperemos que 2011 nos traga algo mais que crise. Pode ser por exemplo: o primeiro lugar no ranking dos “desenrascas”. Maria Fernanda Barroca

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