Decorreu no dia 7 de janeiro, no Auditório Municipal de Gondomar, a cerimónia de entrega do Selo Protetor, promovida pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.
Este selo distingue entidades que promovem uma cultura e ambiente protetores das crianças e jovens que as integram.
Entre as 47 entidades distinguidas a nível nacional (escolas, IPSS, entidades públicas e privadas que trabalham com crianças e jovens), encontra-se o Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto, ao qual foi atribuído o Selo Protetor, pela existência de mecanismos integrados e sistemáticos, apoiados numa rede de parceiros, fundamentais para a inclusão e proteção de crianças e jovens das suas 4 unidades orgânicas.
Na cerimónia estiveram presentes o diretor do Agrupamento, Luís Silva, e a coordenadora dos Serviços de Psicologia e Orientação, a psicóloga Paula Coelho.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, o diretor afirmou que a distinção foi recebida “com enorme satisfação”, sublinhando que o selo agora atribuído, válido por dois anos, constitui “um compromisso para o futuro, sempre com o objetivo de identificar e mitigar todas as situações potenciais de risco para as nossas crianças e jovens”.
De acordo com Luís Silva, “diariamente são desenvolvidos mecanismos de vigilância, deteção de riscos e sinalização aos Serviços Técnicos Especializados, com o objetivo de mitigar vulnerabilidades ou situações que ponham em causa a proteção das crianças e jovens do Agrupamento”.
Para o diretor, este tipo de distinções “constitui um reforço positivo para o desempenho de toda a comunidade educativa”, sendo “fundamentais para validar o trabalho desenvolvido” e funcionando como “estímulo à continuidade da implementação de projetos e mecanismos que promovam o crescimento saudável e seguro da comunidade discente”.
Luís Silva fez ainda questão de salientar que “este selo não é o reconhecimento da perfeição ou da ausência de problemas no Agrupamento”, mas sim “o reconhecimento da sua existência e do esforço diário que toda a comunidade educativa implementa para ultrapassar e minimizar as debilidades identificadas”.
O responsável destacou também que as unidades orgânicas do Agrupamento “não são ‘redomas’ onde as crianças e jovens estão isolados de todos os perigos”, mas antes “um espaço onde existem adultos atentos e sempre prontos a intervir na sua proteção”.
Quanto ao trabalho em equipa, explicou que o esforço desenvolvido pelo Agrupamento se apoia “numa rede de parceiros”, como as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, o Centro de Recursos para a Inclusão, autarquias, Segurança Social, forças de segurança, Tribunal de Família e Menores e Ministério Público, considerados “fundamentais para o encaminhamento e proteção de crianças e jovens em risco”.
Solidão e ansiedade marcam os desafios da atualidade
Também em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, a coordenadora dos Serviços de Psicologia e Orientação, a psicóloga Paula Coelho, explicou que a atribuição do Selo Protetor resulta de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, assente num plano estratégico de promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens, visível no Projeto Educativo do Agrupamento.
Segundo a responsável, este plano contempla várias vertentes, começando pela prevenção, através da operacionalização de projetos de promoção de competências socioemocionais, destinados à capacitação das crianças e alunos, desde o jardim de infância até ao 12.º ano. Integram ainda esta vertente as ações da Escola Promotora da Saúde, a forte componente do desporto escolar e a dinamização de clubes.
Outra dimensão do trabalho passa pela r”emediação, com a mobilização de medidas de apoio individual, como Educação Especial, Psicologia, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, reabilitação da leitura e da escrita, apoio tutorial e apoio educativo, entre outros”.
A psicóloga destacou ainda a existência de várias estruturas e equipas multidisciplinares, como o Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), o Radar Disciplina, a Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI), o Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) e, mais recentemente, a Equipa de Acolhimento ao Imigrante, bem como uma rede de parcerias que reforça e valoriza todo o trabalho desenvolvido nestas áreas.
Questionada sobre o que significa, na prática, ter uma escola com um ambiente protetor para crianças e jovens, Paula Coelho referiu que isso implica nunca “esquecer que a escola é uma instituição com responsabilidade em matéria de infância e juventude”, devendo cada criança e aluno dispor de “um ambiente protetor, seguro, positivo e facilitador do seu adequado desenvolvimento”.
Relativamente aos sinais de alerta mais importantes a identificar no dia-a-dia escolar, a psicóloga apontou indicadores como a “fome, a tristeza, a apatia, o isolamento, a desmotivação, a agressividade, a falta de assiduidade, o aparente desinvestimento da família e o medo”. De acordo com Paula Coelho, quando persistentes, estes sinais podem “conter informação sobre solidão, negligência parental, maus-tratos ou perturbação mental, sendo a sua identificação e análise de risco fundamentais para a alteração do percurso de vida da criança e para a sua proteção”.
O acompanhamento dos alunos que necessitam de maior apoio é feito de forma individualizada, fora da sala de aula, por técnicos especializados, e/ou por docentes de apoio educativo, geralmente em contexto de sala de aula.
Segundo a coordenadora dos Serviços de Psicologia e Orientação, estas ações, quando desenvolvidas de forma atempada, “podem alterar significativamente o percurso escolar e o projeto de vida dos alunos”. Referiu existirem muitos casos de sucesso de ex-alunos cujo “perfil e dificuldades poderiam ter conduzido a outros resultados”, acrescentando que “cada jovem que sai da escola e se integra adequadamente na sociedade contribui para o desenvolvimento social e do país, evitando também gastos públicos em processos de reabilitação prolongados”.
Paula Coelho sublinhou ainda que os desafios atuais da psicologia escolar se centram numa grande diversidade de problemáticas, desde a “saúde mental, com novas adições, à solidão e à ansiedade das crianças e jovens, mas também dos pais, muitas vezes extensível a toda a comunidade educativa”. A escola, afirmou, é um “reflexo claro da sociedade atual, cabendo à psicologia escolar olhar para esse todo e desenvolver um trabalho que contribua para um ambiente saudável, envolvendo não apenas os alunos, mas toda a comunidade”.
Sobre a realidade da região Oeste, onde os índices de tentativa de suicídio entre jovens são elevados, Paula Coelho referiu que os casos “conhecidos de risco de suicídio têm acompanhamento individualizado, com uma articulação fundamental com os serviços de pedopsiquiatria, sendo igualmente crucial a intervenção no ciclo familiar”. No que respeita à prevenção, salientou que “todas as ações destinadas à promoção da saúde mental incluem também a problemática do suicídio”.










