Utentes da Linha do Oeste querem reabertura da via o mais rapidamente possível e alternativas de transporte

26 de Fevereiro de 2026

A Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste pretende mobilizar os oestinos em mais vigílias como a que teve lugar no passado dia 21 na Estação das Caldas da Rainha, para reivindicar a reabertura da circulação ferroviária que está interrompida desde 28 de janeiro, devido aos estragos causados pela tempestade Kristin.

A comissão exige que se realizem imediatamente as obras necessárias nos locais onde a via sofreu danos (deslizamentos de terras e deformações) para permitir o regresso célere dos comboios.

Enquanto a circulação de comboios estiver interrompida, pretende que a CP assegure autocarros de substituição que garantam a mobilidade das populações, tal como aconteceu em interrupções anteriores

Na opinião deste movimento cívico, é inaceitável que o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, tenha anunciado que a Linha do Oeste irá estar encerrada no mínimo durante nove meses, ainda antes de se saberem quais os reais danos causados e sem explicações claras para o prazo previsto.

No último mês, as várias tempestades causaram deslizamentos de terras e deformações em várias localizações na linha que levaram ao seu encerramento total.

À rádio Antena 1 a IP – Infraestruturas de Portugal revelou que são mais de uma dezena de locais afetados, em troços que atravessam os concelhos de Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Bombarral, Óbidos e Caldas da Rainha.

Segundo a IP, “verificam-se deslizamentos de taludes e instabilidade na plataforma de via”, sendo que as soluções de reabilitação ainda vão ser decididas e só depois será possível apontar “com exatidão o período necessário para a realização dos trabalhos”.

Para o porta-voz da comissão, José Rui Raposo, as declarações iniciais do ministro foram uma tentativa do governo de “livrar-se de um problema” que já existia antes das tempestades.

José Rui Raposo denunciou o que considera ser o “bater no fundo” do serviço da Linha do Oeste, com supressões frequentes de comboios (mais de 90 em dezembro e 70 em janeiro) devido à falta de material circulante e ao fim do aluguer das composições espanholas.

Na sua opinião, é evidente o contraste entre a rapidez com que o governo recupera infraestruturas rodoviárias (como a A1) e o desinvestimento na ferrovia.

O porta-voz recordou que a comissão luta pela linha desde 2010, tendo evitado o seu encerramento no passado e aproveitou para denunciar que as obras atuais entre Caldas da Rainha e Meleças estão atrasadas cerca de três anos.

 

Poucos utentes no protesto e muitas queixas

 

Este primeiro protesto nas Caldas da Rainha juntou cerca de 30 pessoas, alguns dos quais eram utentes diários daquela linha que se sentem muito prejudicados, até porque a CP não ofereceu nenhuma alternativa.

Numa das intervenções durante a vigília, um ferroviário reformado recordou que antigamente a Linha do Oeste era uma alternativa vital à Linha do Norte e que as supressões de comboios eram tratadas com muito mais rigor e respeito pelos passageiros.

Uma mãe relatou as dificuldades da filha, estudante em Torres Vedras, que agora enfrenta “viagens de autocarro penosas e horários” incompatíveis por falta de alternativas da CP.

Hélia Vicente, residente em Alfeizerão, participou na vigília acompanhada pela sua filha, Francisca, que é estudante de Multimédia e Audiovisuais em Torres Vedras e era utilizadora diária da Linha do Oeste a partir de São Martinho do Porto.

Com a paragem dos comboios, a sua filha é obrigada a levantar-se às 4 horas da manhã para conseguir apanhar dois autocarros diferentes para chegar a Torres Vedras.

O percurso tornou-se exaustivo, demorando várias horas, com a jovem a chegar a casa apenas por volta da meia-noite.

Hélia Vicente afirma estar pronta para colaborar em ações futuras, como a recolha de assinaturas para um abaixo-assinado promovido pela comissão, sublinhando que a situação atual é uma “falta de respeito” por parte do governo e da CP.

Foi também denunciada a falta de sistemas automáticos de informação nas estações, exigindo-se que os passageiros sejam avisados atempadamente de supressões ou atrasos. Mesmo em relação ao atual encerramento, a informação foi muito deficiente.

Durante a vigília, por exemplo, houve uma família de tailandeses que chegou à estação da CP para apanhar um comboio e deparou-se com o encerramento da linha.

 

Câmara das Caldas quer mais informação

 

O presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vitor Marques, marcou presença na vigília, embora não tenha feito nenhuma intervenção.

Aos jornalistas afirmou que os transportes são uma preocupação central do concelho, tanto ao nível rodoviário como ferroviário, visando garantir as melhores condições para quem entra e sai das Caldas.

No seu entender, a ferrovia e a rodovia devem complementarem-se. O autarca referiu que, se a linha estivesse em boas condições, haveria um impacto positivo na redução do tráfego rodoviário e nas questões ambientais.

O autarca rejeitou a ideia de que os Municípios do Oeste estejam pouco focados na luta pela linha, afirmando que têm sido feitas démarches junto do governo, tanto individualmente como de forma coletiva através da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCIM).

Segundo Vitor Marques, o trabalho tem sido feito de forma institucional e não necessariamente “reivindicativa” ou com “grande barulho”, focando-se em mostrar preocupações e fazer pressão para o desenvolvimento das obras.

A intenção dos autarcas do Oeste é a de pressionar para que o prazo de nove meses seja reduzido e garantir que a CP crie sistemas alternativos de compensação (transporte rodoviário) durante este período.

Sobre a justificação técnica para os nove meses, admitiu não ter uma explicação detalhada, mas compreende que os procedimentos de contratualização, concursos e execução de obra em terreno são processos demorados.

Horas mais tarde, Vitor Marques publicou na sua página institucional no Facebook um comunicado em que salienta a necessidade de “um reforço da resposta pública e da transparência em todo o processo” com o ponto de situação dos trabalhos e um calendário previsível de intervenção.

No que respeita à intervenção na infraestrutura, o autarca entende que deve ser priorizada a reabertura do troço a norte das Caldas da Rainha, considerando que a menor complexidade dos trabalhos identificados poderá permitir repor as condições de circulação com maior brevidade.

Já a sul das Caldas da Rainha, propõe que os trabalhos sejam planeados por fases, permitindo a reabertura progressiva da linha por troços e evitando um encerramento total e prolongado que penalize fortemente o território.

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