A sessão abriu com a intervenção de António Curado, presidente da Sub-Região do Oeste, que lançou um conjunto de questões estruturantes destinadas a orientar a discussão, desde o papel crescente do privado até à valorização da Saúde Pública, à resposta na Saúde Mental e ao impacto das futuras gerações de médicos. Mas foi uma pergunta, ainda que implícita, que dominou grande parte dos trabalhos: o que será afinal do novo Hospital do Oeste?
Os médicos dividiram-se em 11 mesas temáticas, desde a Medicina Interna à Cirurgia, a Urgência à Saúde Materno-Infantil, os Cuidados de Saúde Primários à Medicina Privada, passando pela Saúde Mental e por duas mesas dedicadas a internos. Cada grupo analisou desafios concretos das respetivas áreas e apresentou conclusões ao plenário numa sessão marcada pela participação ativa e por um debate vivo, moderado pelas médicas Joana Louro e Ana Gomes.
A diversidade das intervenções levou o Conselho Sub-Regional a assumir o compromisso de compilar todas as propostas numa publicação futura. Para os participantes, o encontro “foi útil e proveitoso”, permitindo finalmente pôr os médicos da região a discutir soluções de forma estruturada e colaborativa.
O tema incontornável foi o novo Hospital do Oeste. O contínuo adiamento do projeto, agravado pelo facto de a verba inscrita no Orçamento de Estado de 2025 ter desaparecido na proposta de 2026, foi descrito por vários participantes como “o elefante na sala”. A preocupação é transversal e gerou consenso alargado, onde 90% dos médicos presentes votaram a favor da criação de um único hospital público para toda a região, considerando esta a solução mais eficiente e sustentável.
Segundo António Curado, apesar de não haver unanimidade absoluta, a “tendência é clara. Para muitos, a falta de decisão política está a agravar problemas já evidentes, desde a perda de diferenciação dos serviços até à crescente dificuldade em atrair e fixar novos médicos”.
Bastonário elogia iniciativa
Na sessão de encerramento, o bastonário Carlos Cortes destacou o mérito da iniciativa e recordou que esta se insere no projeto estratégico nacional “Um Rumo para a Saúde” (2025–2029), promovido pela Ordem dos Médicos e centrado na reestruturação do sistema através da valorização dos médicos, da melhoria do acesso aos cuidados e do reforço da qualidade assistencial. O responsável incentivou ainda a que estas discussões sejam alargadas à “sociedade civil, envolvendo autarcas, instituições e cidadãos num debate mais amplo sobre o futuro da saúde no Oeste”.
Também o presidente do Conselho Regional do Sul, Paulo Simões, sublinhou a importância do encontro e, em particular, a elevada participação de internos, cerca de 25 jovens médicos em formação pós-graduada, cuja presença foi considerada fundamental para o futuro dos serviços.
“É urgente agir, decidir e investir”
No balanço final, António Curado afirmou sair “de coração cheio” e satisfeito com o envolvimento dos profissionais, reconhecendo que os meses de preparação valeram a pena. Porém, deixou um alerta, salientando que a região enfrenta uma “falta crescente de novos médicos”, agravada pela “degradação de infraestruturas, pela ausência de diferenciação e pela incapacidade de reter talento”. “Quando os serviços perdem valências e qualidade, perdem capacidade de atrair internos. As vagas continuam a não ser todas preenchidas”, lamentou.
O presidente da Sub-Região revelou ainda que o próximo passo poderá passar pela “realização de fóruns abertos à população em vários pontos do Oeste, para que a comunidade participe na reflexão sobre a organização dos cuidados de saúde”.
Revelou que a compilação das intervenções desta reunião será publicada brevemente.
Com problemas estruturais bem identificados, e com a pressão crescente sobre o sistema, os médicos do Oeste deixam uma mensagem que é urgente “agir, decidir e investir”. “O futuro da saúde na região não pode continuar à espera”, concluiu António Curado.










