“O que poderia ser ‘apenas’ um incêndio revelou-se um cenário de enorme violência e rapidez. As chamas dizimaram, em poucas horas, anos de trabalho, dedicação e sacrifício de gerações da família Elias Timóteo. Foi desolador assistir à destruição de tanto esforço, de tanto sangue, suor e lágrimas. A onda de calor era brutal. O cenário, verdadeiramente aterrador”. As declarações são do presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, que acompanhou as operações.
Chegaram a estar no local perto de centena e meia de operacionais e cinquenta viaturas das corporações de bombeiros de Óbidos, Alcobaça, Alenquer, Bombarral, Benedita, Caldas da Rainha, Cadaval, Lourinhã, Peniche, Nazaré, Merceana, São Martinho do Porto, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, do INEM, da Proteção Civil de Óbidos e Unidades Locais de Proteção Civil, da GNR de Óbidos e do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, para além da E-Redes e outros, como “munícipes que estiveram no local a colaborar na logística — água, alimentação e apoio operacional — sempre com sentido de responsabilidade e sem se colocarem em risco”, referiu o presidente da Câmara, que comunicou que na empresa “a destruição foi total”.
“Esta é uma empresa que já fatura acima dos dez milhões de euros anuais, tem cerca de cinquenta pessoas efetivas e no pico da fruticultura ocupa mais de duzentas pessoas em mão de obra sazonal, é uma grande perda para o concelho”, manifestou Filipe Daniel.
Milhões de euros de prejuízos com a perda de “palotes de fruta, empilhadores, calibradores e sistemas de frio”, para além do armazém.
Patrícia Reis, oficial dos bombeiros de Óbidos, descreveu que “quando chegámos o armazém já estava todo tomado pelo incêndio e devido à carga térmica foi impossível dirigirmo-nos ao foco principal”.
Quatro elementos das corporações de Óbidos, Bombarral e Cadaval ficaram feridos ligeiramente por inalação de fumos e exaustão. Dois, de 19 e 57 anos, foram assistidos no local e dois, de 19 e 27 anos, foram transportados para o Hospital das Caldas da Rainha.
Houve também um bombeiro de Óbidos que sofreu um despiste na sua viatura particular quando se dirigia para o quartel, para depois seguir para o incêndio. Ficou com ferimentos ligeiros e foi levado para o hospital.
Cinco pessoas que moravam numa habitação próxima tiveram de ser alojados numa unidade hoteleira porque a casa ficou com vidros partidos, para além da porta destruída e danos nas paredes, cobertura e interior, como consequência da elevada temperatura e do combate ao fogo que teve de ser desencadeado.
Cátia Campos, uma das moradoras deslocadas, contou que “está tudo molhado, é o cheiro a plástico queimado, os vidros partidos, as paredes rachadas e a cobertura danificada, não podemos ficar cá”.
Os bombeiros conseguiram impedir que as chamas atingisses outras casas nas imediações, inclusive a dos proprietários, que foram assistidos por crise de ansiedade.
O fogo entrou em fase de resolução às 17h04 e em fase de conclusão às 19h53, mas pela noite dentro permaneceu ainda um contingente operacional e nos dias a seguir ao incêndio estavam ainda a ser destruídas chapas e alvenaria para permitir a ventilação do edifício e apagar pequenas chamas que se verificavam.
As causas do incêndio estão a ser investigadas pela Polícia Judiciária.








