O corredor da UAE Team Emirates vai entrar em ação na Volta à Comunidade Valenciana (4 a 8 de fevereiro), seguindo-se a Volta ao Algarve (18 a 22 de fevereiro), mas a época tem como pontos altos as participações no Giro em Itália e na Vuelta em Espanha. Para o atleta de A-dos-Francos, a vitória numa dessas corridas de topo “seria fenomenal”.
Mas também “seria uma honra” vencer a 52.ª Volta ao Algarve. “No ano passado estive perto, mas não consegui. Gostaria de ganhar por ser a corrida portuguesa com mais alto nível. E vou tentar fazê-lo”, declarou João Almeida, que ficou em segundo lugar em 2025.
Em relação à última época, o ciclista considerou que “foi a minha melhor de sempre, com muitas vitórias, de grande valor, em corridas do mais alto nível”. “Vai ser difícil superar o que tenho vindo a fazer ano após ano”, admitiu.
“Lamento a queda no Tour, um momento de azar, mas são coisas que fazem parte da vida de um ciclista. Nem tudo corre sempre bem. Sem esse percalço, poderia falar numa temporada ideal”, manifestou.
O JORNAL DAS CALDAS, que acompanhou a conferência de imprensa via Zoom, questionou-o se seria possível, de alguma forma, acautelar as indisposições de saúde e quedas, que têm sido o principal obstáculo, mas João Almeida respondeu que por mais se tente é algo imprevisível.
Contudo, para este ano, a moral está em alta. “Espero sentir-me bem, como tem acontecido durante a preparação, e não sofrer percalços nem azares. Fisicamente, acho que, nesta fase, estou melhor que no ano passado, o que não é fácil, e isso deixa-me otimista e confiante. Vamos começar pela Volta à Comunidade Valenciana e espero chegar lá com boas pernas, a fim de entrar na Volta ao Algarve já com ritmo, numa corrida muito exigente e com um pelotão e corredores muito fortes”, referiu.
A Volta à França não faz parte dos planos, apesar de inicialmente ter sido equacionada a participação. “O plano inicial passava pelo Tour e pela Vuelta, mas discutimos a planificação no seio da equipa e chegámos à conclusão de que fazia mais sentido eu estar no Giro, para ganhar ou, se isso não suceder, para fazer o melhor possível. A equipa deu-me liberdade para eu escolher, concordou com a opção tomada, e estamos desde então concentrados nos nossos objetivos, que passam por dar tudo em busca de vitórias”, vincou o caldense.
Em Itália, João Almeida poderá ter António Morgado a seu lado. O ciclista de Salir do Porto será uma ajuda. “É um jovem, tem ainda muito por aprender, mas vejo-o muito forte e, num futuro próximo, capaz de discutir corridas de uma semana e clássicas. Tem muito potencial e espera-o um futuro brilhante”, declarou.
“Dispomos de uma equipa forte e não terei, estou certo disso, falta de homens com capacidade para me ajudarem. A equipa tem sido muito boa para comigo, mas eu sei que chega a um ponto que tenho de ser eu e as minhas pernas a resolver os problemas”, fez notar o o corredor da UAE Team Emirates, que sublinhou ter acumulado “experiência”.
Sobre a crítica que por vezes lhe é apontada, sobre o mau posicionamento no pelotão, João Almeida retorquiu: “É fácil apontar o dedo, mas gasta-se muita energia para estarmos bem colocados nos momentos mais críticos e muitas vezes isso acaba por não ser vantajoso. Importa não desleixar, não cair para os últimos lugares, mas a frente, pelo gasto de energia, por vezes não é o melhor sítio. Acima de tudo, procuro ir no meu ritmo”.
E até onde poderá chegar o ciclista de A-dos-Francos? “Espero continuar a subir no ranking dos melhores desportistas nacionais, pois assim ficarei ligeiramente mais perto do Cristiano Ronaldo”, gracejou.









