“Lugares de Outrora” é um projeto da autarquia, desenvolvido pela empresa Química Criativa, composto por sete episódios, um por cada freguesia do concelho.
Ao longo da série é traçado um retrato das gentes, dos ofícios e dos modos de vida de uma geração que cresceu com menos informação e desenvolvimento tecnológico, recuperando histórias e experiências que marcaram o território obidense.
Os vídeos evocam momentos decisivos do progresso, como a chegada da eletricidade, da água canalizada e das primeiras emissões televisivas, bem como o impacto dos tratores e dos automóveis na vida das aldeias.
São igualmente abordadas profissões e costumes antigos ligados à agricultura, à criação de gado, à cerâmica e à produção de pão artesanal, recordando os tempos em que os moinhos de vento transformavam o grão em farinha e o trabalho se fazia de sol a sol.
A faina da Lagoa de Óbidos, a pesca, a apanha de limo para adubar os campos e o engenho de alguns habitantes no desenvolvimento de novas ferramentas e técnicas de pesca e de apanha de marisco fazem também parte deste registo, que integra ainda lendas locais como as da “Casa da Moura” e do “Bicho do Vau”.
Na apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, sublinhou a importância da iniciativa para o concelho. “Vivemos tempos muito rápidos. Tudo passa depressa, tudo parece substituível e, muitas vezes, não temos tempo para parar e ouvir. E é precisamente por isso que este projeto é tão importante. Porque nos convida a abrandar, a escutar e a dar valor àquilo que não pode ser recuperado se se perder, ou seja, a memória viva das nossas comunidades”, afirmou.
O autarca destacou ainda o enfoque humano do projeto. “Aqui falamos das tradições, da cultura popular, das profissões antigas e dos costumes que definem quem somos. Falamos de saberes que passaram de geração em geração e que hoje correm o risco de se perder com o tempo”, disse.
Acrescentou ainda que se trata de recordar “de um modo de viver mais ligado à terra, ao trabalho manual, à entreajuda e ao ritmo da natureza”.
Por isso, trata-se de um projeto centrado nas pessoas “que marcaram as suas freguesias de forma simples, mas profunda”, referiu, acrescentando que mais do que registar factos, o objetivo é “preservar emoções, histórias de vida e memórias sentidas”.
Os restantes seis filmes que compõem o projeto serão apresentados ao longo do ano, integrados nas celebrações dos dias das respetivas freguesias.
Para Filipe Daniel, “manter vivas as tradições não é viver agarrado ao passado. É garantir que o futuro tem raízes, criar pontes entre gerações e reforçar o sentimento de pertença a uma comunidade com história, com valores e com identidade”.










