Segundo um comunicado da organização, “combinou-se alterar as datas do evento para que não se sobreponha com outro evento a acontecer na cidade”.
O CLN começou por ser um movimento “underground”, criado em 1997, mas o seu crescimento ao longo dos anos fez com que se tornasse num dos eventos culturais mais original de Portugal e, ao mesmo tempo, um dos mais impactantes a nível regional.
Todos os anos a organização é diferente, mas sempre composta por alunos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR). Nas edições mais recentes, o caráter festivaleiro começou a ser mais marcante, com vários locais de festas e concertos.
A logística necessária e o valor das licenças necessárias acabou por fazer com que a influência da Câmara fosse cada vez maior, o que tem vindo a ser mais notório nos últimos anos. Ao contrário do que acontecia anteriormente, também vários estabelecimentos comerciais passaram a fazer a sua aparição na iniciativa.
Longe vão os tempos em que este era um evento que se realizava apenas numa noite de quinta-feira, que realmente chocava algumas mentes mais conservadoras. Também seria impensável nessa altura que a Câmara pudesse influenciar a sua data de realização.
Como o JORNAL DAS CALDAS salientou na reportagem da edição do ano anterior, se as primeiras edições do CLN nos últimos anos do século XX tivessem decorrido agora, talvez muitas das suas performances e exposições não teriam acontecido porque atualmente tudo tem uma visibilidade muito maior por causa dos “smartphones” e redes sociais.
Se há quem se tenha chocado com o que viu em 2025, basta ler alguns comentários nas publicações de fotografias que fizemos na página de Facebook do JORNAL DAS CALDAS, não é possível calcular qual seria a reação ao que aconteceu no final dos anos 90.
Essa maior exposição acaba por influenciar negativamente os artistas que ainda persistem a apresentar mais do que apenas festas e momentos lúdicos.
Há mesmo quem fale em medo de apresentarem o que gostariam, principalmente performances com temas mais polémicos, como a violência contra a mulher ou de género, por exemplo.
“Do que me contaram, antigamente tudo era muito mais maluco e hoje em dia as pessoas estão mais contidas”, referiu Ana Martins. Embora ainda haja muita criatividade, “no geral, ninguém quer arranjar problemas”. No entanto, acrescenta achar incrível ainda haver pessoas “que não têm medo” de se expressarem livremente.










