Sob a liderança de Filipa Louro, a Associação de Pais deu assim o primeiro passo de um mandato que se quer dinâmico, participativo e próximo da comunidade educativa, numa noite em que a música, a dedicação dos alunos e o envolvimento do público transformaram o concerto num verdadeiro momento de celebração e união.
O programa do Concerto de Ano Novo foi marcado pela diversidade artística. A abertura esteve a cargo da Academia de Música de Óbidos, com uma orquestra que interpretou temas como Allegro Molto da Sinfonia n.º 40 de W. A. Mozart, Over The Rainbow de Harold Arlen, Alla Hornpipe de G. F. Haendel, Only You de A. Rand e Mamma Mia, do musical do grupo Abba.
Seguiu-se a participação da Escola Vocacional de Dança de Caldas da Rainha, que apresentou vários momentos resultantes do trabalho desenvolvido nas disciplinas de Técnica de Dança Clássica e Composição Coreográfica. O público assistiu à Polka, interpretada por alunos do 2.º ano do Curso Básico de Dança, a um Dueto protagonizado por Teresa Franco e Violeta Bártolo, do 5.º ano, à Tarantella, apresentada por alunos do 1.º ano, e a um Quinteto interpretado por Leonor Almeida, Leonor Martins, Maria Moniz, Olívia Prada e Sofia Vala, alunas do 4.º ano do Curso Básico de Dança.
O concerto contou ainda com um momento musical protagonizado por Ana João Bernardes, aluna do 10.º ano da Escola Raul Proença, que interpretou, em voz e guitarra, os temas Creep, dos Radiohead, e A Vida Toda, de Carolina Deslandes.
A música regressou ao palco com a Big Band do Conservatório de Música de Caldas da Rainha, composta por 12 alunos do 8.º ao 12.º ano dos agrupamentos Bordalo Pinheiro e D. João II, que apresentou os temas Birdland, de Joe Zawinul, e Ain’t No Mountain High Enough, de Nickolas Ashford e Valerie Simpson.
Houve também espaço para a palavra, com um momento de poesia protagonizado pela professora Manuela Saturnino e por alunas, que declamaram o poema Quando o Homem Quiser, de Ary dos Santos.
O concerto integrou ainda o sorteio da escola beneficiária dos valores angariados durante o evento, com a presença do diretor do Agrupamento de Escolas Raul Proença, João Silva, e da vereadora da Educação do Município de Caldas, Conceição Henriques. No total, foram angariados 235 euros, tendo o sorteio contemplado a EB de Santo Onofre, onde a Associação de Pais irá adquirir material de acordo com as necessidades identificadas pela escola.
“O mundo digital exige apoio e esclarecimento”
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, Filipa Louro disse que o concerto é uma “tradição da Associação de Pais e é um evento que faz todo o sentido, porque é um momento de encontro e também de celebração da arte”, afirmou.
A responsável explicou ainda que a organização do concerto foi condicionada pelo calendário eleitoral da associação. “Este ano as eleições foram um bocadinho mais tarde do que o previsto nos estatutos, por não ter havido nenhuma lista inicial a concorrer. Só tomámos posse no início de dezembro e foi preparar este concerto em tempo record, que quisemos também que tivesse algumas novidades”, referiu.
“A grande novidade falhou devido a este tempo e às doenças associadas a esta altura do ano. Tínhamos uma banda de pais, encarregados de educação e antigos alunos, pessoas que criaram bandas enquanto andavam aqui na Raul Proença nos anos 90, nomeadamente o Cauda de Tesoura e Amigos, mas o Nelson ficou doente e não foi possível a atuação. Ficámos com muita pena, porque era algo muito especial”, lamentou.
Apesar desse constrangimento, Filipa Louro salientou a aposta em dar visibilidade a alunos fora do Ensino Artístico Articulado. “Queremos dar palco a alunos fora desse enquadramento, porque o Ensino Artístico termina no 9.º ano e, no 10.º ao 12.º, é uma fase em que eles devem continuar a ter oportunidades para desenvolver os seus talentos e apresentá-los ao público e à comunidade”, explicou.
Para a presidente da Associação de Pais, o Concerto de Ano Novo deve afirmar-se como uma plataforma de oportunidades para os jovens. “Esperamos que nas próximas edições exista um período de inscrições, para que sintam sempre que o Concerto de Ano Novo é uma oportunidade para mostrarem aquilo que estão a fazer”, acrescentou.
Relativamente ao início de funções da nova direção, Filipa Louro sublinhou que o mandato será de dois anos e terá como prioridade o apoio à escola e às famílias nos desafios atuais. “Queremos dar apoio sobretudo nos desafios do mundo digital, no esclarecimento de questões como os jogos, o assédio, o cyberbullying. Muitos pais estão saturados, cansados e com iliteracia neste mundo digital, e a proibição pura e simples já não funciona”, afirmou.
Nesse sentido, a Associação de Pais pretende promover o debate e a formação junto da comunidade. “Queremos promover sessões de esclarecimento acessíveis a toda a comunidade, com psicólogos, sociólogos e investigadores, para que os pais possam tomar decisões informadas e não apenas opor-se aos filhos”, acrescentou.
A saúde mental dos jovens é outra das grandes preocupações identificadas pela nova direção. “A depressão nos jovens e a banalização dos comportamentos autolesivos e suicidas são questões muito preocupantes. Temos várias ações de formação previstas e os recreios continuam a preocupar-nos, não só pela violência e pelo bullying, mas também pelo alheamento social”, alertou.
A presidente deu ainda um exemplo do quotidiano escolar que considera revelador. “Quando cheguei à Raul Proença para montar o espaço para o concerto, vi mesas em círculo onde cada aluno estava com o seu telemóvel, sem falarem uns com os outros. É preciso refletirmos profundamente sobre estas mudanças e fazermos parte de uma solução negociada, construída também com os jovens, de acordo com as vivências deles hoje em dia”, concluiu.








